Тя готви вкусна вечеря, но приятелите на дъщеря й поглъщат всичко!

Готвях вечеря за семейството, но приятелите на дъщеря ми изядеха всичко!
Моето момиче, Елоди, е душата на всяко събиране. Щедростта и радостта й привличат приятели като магнит. В нашия дом в Лион винаги има група от съученици и други деца, не само от класа й. Радвам се, че е толкова общителна, но в последно време не успявам да се справя и почти съм на ръба на отчаянието.
Всичко започна, когато Елоди навика да кани приятелите си у дома. Зимата беше студена и не ми се стори лошо да ги оставя да се забавляват в топлина. Първо им предлагаше чай с бисквити, пускаше музика и измисляше игри. Дори се почувствах трогната от гостоприемството й. Сега обаче тя носи непознати, които никога не съм виждала, а техните действия ме оставят без думи.
Миналата седмица, след работа, открих двама тийнейджъри в кухнята. Те се гълтяха от капусака, който бях приготвила за два дни, директно от тенджерата. Не остана нито една лъжица! Стекахта мръсните чинии в мивката и излязоха без дори довиждане. Бях из ярост. Нищо не остана за вечеря, а аз бях прекалено уморена, за да готвя отново.
Опитах се да обясня на Елоди, че не може да кани непознати и да им предлага нашата храна. Бисквити и бонбони може, но това, което е в хладилника, е за семейството. Тя се разпраши от гняв, нарече ме скупчака и затвори вратата на своята стая така силно, че прозорците задъхнаха. Заключи се в себе си и отказа да говори с мен. Чувствах се виновна, но какво можех да направя?
Приготвих картофи и котлети, поканих всички на масата. Елоди отказа да яде, сякаш бях нейният враг. На следващия ден, преди да тръгна на работа, казах: Има достатъчно за два дни, ще се върна късно, не разчитайте на мен за готвене. Въпреки това, след като се завърнах след еднонадесет часа, намерих съпруга си, Филип, да запържва картофи в празна кухня. Приятелите на Елоди отново изяли всичко. Тя се затвори отново, отказвайки се да даде обяснение.
Съм безпътица. Как да й обясня, че действията й ни засягат, без да я нараня? Тя не слуша и хвърля абсурдни обвинения: Ти си егоистична, мразиш приятелите ми! Дали е просто тийнейджърска фаза? Ние, Филип и аз, направихме ли нещо погрешно? Сърцето ми се къса искам щастието на дъщеря си, но не мога да толерирам този хаос.
Не съм скупа, но бюджета ни е вече напрегнат. Работим до изтощение, за да нахраним семейството. Аз се изморявам, за да приготвям вкусни ястия, а непознатите ги изяждат. Майка ми казва: Трябва да се наложи строг ред! Аз обаче отричам насилието. Искам да реша ситуацията спокойно, но как? Елоди ме избягва и имам усещането, че губя собственото си дете.
Какво бихте направили на мое място? Как да й покажем, че нейното поведение ни влияе, без да я нараняваме? Как да поставим граници, за да не се превърне нашият дом в столова? Ако сте се сблъсквали с подобно, споделете съвети съм на границата.

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Тя готви вкусна вечеря, но приятелите на дъщеря й поглъщат всичко!
— Tu nunca me amaste de verdade. Casaste-te comigo sem amor. E agora, quando adoeci, vais-me deixar… — Não te deixo! – disse Mariana, abraçando o Ivo. – És o melhor homem do mundo! Nunca, jamais te abandono… Ele mal podia acreditar que era verdade. O ânimo de Ivo estava em baixo… Mariana foi casada durante vinte e cinco anos e, durante esse tempo todo, continuou a fazer sucesso entre os homens. Já em jovem era das raparigas mais cobiçadas. Pois, até no tempo da escola! Quase todos os rapazes andavam atrás da Mariana. E, no entanto, ela nunca foi propriamente uma beleza. Mesmo assim, não se separou do marido, embora ele fosse uma personagem bastante controversa. Não, Mariana ficou com o Rui até ao fim. Criaram a filha juntos, casaram-na. O genro levou a Dalila para Itália, agora mandam sempre belas fotos e convidam Mariana a visitá-los. Ela ainda deve lá ir um dia. Já o Rui… já cá não está. O marido de Mariana morreu num acidente de carro. Uma tragédia sem sentido… mais tarde disseram-lhe que provavelmente o Rui se sentiu mal ao volante. Talvez tenha desmaiado, não conseguiu controlar o carro. — Talvez tenha perdido os sentidos? – arriscou ela. — Nunca saberemos ao certo – suspirou a amiga médica, Helena. – A causa: múltiplos ferimentos, incompatíveis com a vida. Mariana ficou em choque. Helena ajudou a organizar tudo. Foi ela quem soube dos pormenores pelos seus contactos. Rui foi a enterrar e Mariana ficou sozinha na casa grande que ela e o marido construíram ao longo da vida. Sozinha, sim, porque para uma só pessoa a casa era grande demais e sentia-se pesada. Casa é casa. E faz sempre falta a mão de um homem… Dalila veio ao funeral do pai. Conversou com a mãe sobre vender a casa, comprar um apartamento, e a possível vinda de Mariana para Itália. — Nem pensar! – exclamou Mariana. – Não foi para isto que construí esta casa! E à vossa Itália, não quero ir. Já lá pus os olhos… — Ó mãe… — És tão ingénua, Dalila! – sorriu Mariana entre lágrimas. – Estou a brincar. — Se brincas, pode ser que não esteja tudo assim tão mal. Tudo era ambíguo. Assim como o falecido tinha sido. Por um lado, Rui era um marido dedicado e carinhoso. Por outro, dependia muito do humor. Quando andava maldisposto, era capaz de deixar Mariana de cabeça em água. Depois arrependia-se e pedia desculpa, e Mariana nunca se prendia a isso. Vinte e cinco anos assim! Dá que pensar… Dalila ficou uns dias e voltou para Itália. O marido tinha muito trabalho, e ela queria manter o seu lar acolhedor. Mariana ficou sozinha. Embora, conhecendo-se, Mariana sabia que não seria por muito tempo. E assim foi. Uns meses de tristeza e, mal secou as lágrimas, já tinha à sua volta uma pequena legião de pretendentes. Até a mãe de Mariana, em tempos, se admiração com tanto assédio. — O que é que eles vêem em ti? Caem todos a teus pés! E tu nem és assim uma beleza… será que não percebo nada disto? — Oh mãe, tu és boa pessoa – ria Mariana, pintando os lábios. – Beleza é só fachada. O que importa é o charme, a personalidade, aquele je ne sais quoi. — Vai lá, mulher, anda divertir-te – respondia a mãe a rir. – Senão o noivo farta-se de esperar e vai-se embora. — Então arranjo outro – encolhia os ombros Mariana. Passaram-se quase trinta anos desde essa conversa com a mãe, e nada mudou. As mulheres queixam-se de que não há homens livres, que depois dos quarenta é impossível casar. Mariana nunca entendeu esse problema. Aos quarenta e seis, tinha dois pretendentes – e ambos muito bons. O seu coração puxava pelo Daniel. Gostava mesmo dele, tanto pela aparência como pela conversa. Simpático, inteligente, era bom para conversar e era um orgulho sair ao lado dele. No entanto, Daniel era mestre a falar e pouco a fazer. Mariana, com a idade e experiência, sabia: não era homem para partilhar a casa grande da sua vida. Já o outro pretendente, o Ivo, era um homem simples e de mãos de ouro. Daqueles que num instante consertam tudo. Verdadeiro homem, bom de coração, mas com personalidade forte por dentro. Com a mulher, era manso como um cachorrinho, mas se fosse preciso, virava o mundo por ela. Ainda assim, agradava menos a Mariana – coisa de mulher. Ele não fazia discursos bonitos. Sóbio, era calado. Só se bebesse um pouco, é que contava histórias engraçadas ou animava a conversa. Por falar nisso, Ivo até bebia bem, mas no dia seguinte já estava despachado, com banho frio e prontos para a vida. Não falava muito, mas fazia tudo. Mariana escolheu Ivo. Daniel ficou magoado, com as belas palavras ignoradas, e afastou-se. Mariana casou com Ivo, e este ficou nas nuvens. No casamento, bebeu demais, cantou e dançou sem parar. — Tu não perdes tempo – sorriu Helena. – Mal fez um ano que Rui se foi, e já voltaste a casar! Não há mulher que te apanhe – outras procuram e não encontram, e tu só precisas de sair de casa! — Não venhas com isso de “nem és uma beleza”… — Claro que não! Mas sempre foste suspeitamente requisitada, é verdade. — Eu própria não sei. Pergunta à minha mãe. Mariana piscou à amiga e foi dançar com o marido, que a tinha acabado de vir buscar. Enquanto dançava, dissipava as últimas dúvidas que tinha. Que importava se Ivo era simples? Pelo menos era forte, habilidoso e até bem parecido! E aquele silêncio, às vezes, nem era mau. Se tivesse escolhido o Daniel, que seria? Palavras bonitas não alimentam ninguém. Em poucos meses, Ivo transformou o jardim de Mariana num paraíso. Arrancou árvores a mais, nivelou o terreno, construiu canteiros, fez uma pérgola. Dentro da casa, também se notava a mão de um homem. Mariana sentiu que tinha feito a escolha certa. Ivo ainda por cima ganhava dinheiro, tentava sempre agradar à esposa com pequenos presentes. Comparando os últimos tempos do novo casamento com os vinte e cinco anos do primeiro, Mariana sentiu pena de não ter conhecido Ivo antes. Homem de ouro! Nos tempos quentes, faziam churrascos à noite e jantavam na pérgola. Mariana, saciada, sorria como um gato, Ivo olhava-a a sorrir. — Que foi, Ivo? — Nada. Estou feliz. A primeira mulher de Ivo era aborrecida. Já pensava que nunca ia encontrar uma mulher tão boa. Viveram quatro anos felizes. Até que Ivo começou a sentir-se mal. Cansava-se, perdia peso. E, se bebesse, piorava logo. — Ivo, tens de ir ao médico! – Mariana alarmou-se. – A sério, algo não está bem. — Que exagero, Mariana! Passa já. — Que é isso? O medo dos homens de médico? — Nem por isso. Ivo tinha apenas medo duma coisa: que Mariana o deixasse se caísse doente. Ele sabia que Mariana tinha casado por razões práticas, não por amor. Mas ele amava-a! Contra tudo. Viu-a perdida numa loja à procura da carteira na mala, e apaixonou-se. Aquela hesitação tocou-lhe fundo. Quis logo protegê-la para sempre. Mesmo que a mãe, ao conhecer Mariana, dissesse: — Não percebo o que vês nela. Nem é bonita, nem nova. E tu ainda tens tempo, podias arranjar uma rapariga nova! Mas Ivo só precisava da Mariana. E, se ficasse doente, será que ela ia querer ficar com ele? Ela não conseguiu convencê-lo a ir ao médico. Ao jantar de sábado, estavam os amigos – Helena e o marido, Bruno. Ivo e Bruno assavam carne e bebiam uma cerveja. Na cozinha, Helena perguntou: — O Ivo está doente? — Não sei! – desabafou Mariana. – Insisto, mas ele não vai ao médico! Tu és médica, diz-lá: ele está doente ou não? — Está pior, emagreceu. E a pele pareceu-me a ficar amarela. — Ai, meu Deus! Helena, convence-o! Talvez a ti te ouça! Helena olhou para ela. — Mariana… tu amas o Ivo, mesmo? Lembro-me das tuas dúvidas… Mariana mordeu o lábio, não respondeu. Helena nem chegou a convencer Ivo. Ele desmaiou durante o jantar, tiveram de chamar o INEM. Mariana foi com ele. Operaram-no logo. — Tumor no fígado. — Cancro?! – Mariana assustou-se. — Estamos à espera dos resultados. Era benigno, mas já estava grande quando entrou no bloco. Os médicos proibiram quase tudo a Ivo, avisaram que a recuperação ia ser longa – e não certa. Afinal, já tinha idade. Ivo entrou em depressão. A mãe foi visitá-lo. Mariana estava no trabalho, a mãe foi durante o dia. Levou comida permitida – a lista era curta. — Meu filho, não te reconheço! Sobreviveste. Não tens cancro. Devias era estar feliz! Come, vá. — Não tenho fome. — Mas tens de comer! É por causa da Mariana? Ela vem cá? — Vem… por enquanto. — Tens medo que te deixe? Ela seria parva. — Agora já fui. Não sirvo para nada. Nem trabalhar posso. Não passo de um inválido. Quem é que quer um inválido? Mariana entrou naquele momento. — O que se passa por aqui? Ouve-se a gritos. Olá, D. Teresa! — Vou-me embora. Olá, Mariana. Adeusinho. — Que se passa? A mãe encolheu os ombros e saiu. Mariana lavou as mãos e foi junto do marido. — Mas que invalidez qual quê? Braços e pernas no sítio, o resto cura-se. Sabes o que li sobre o fígado? — O quê? — O fígado regenera-se, sabias? Se ficares com pelo menos cinquenta e um por cento, regenera-se. E tu ficaste com sessenta! Dá tempo ao teu fígado. Vai correr bem! — E tenho esse tempo? — O quê? – não percebeu Mariana. — Tempo. — Ivo, o que queres dizer? Esconderam-me alguma coisa? Pediste aos médicos que me escondessem algo? — Não é isso… Ivo teve alta. Começou a pior parte da vida. Qualquer esforço deixava-o exausto. Isso custava-lhe imenso. E o aniversário de cinquenta anos estava a chegar, mas aquela alegria já não era nada. Mariana parecia não notar que ele se cansava e acompanhava-lhe na dieta. — Mariana… – ganhou coragem. – E agora, como vai ser connosco? — Em que sentido? — Eu demoro-me a recuperar. Vais-me deixar, é isso? Diz-me já. — Deixar-te? Porquê? Contigo é que me sinto bem. — Quando eu fazia tudo, ainda. Agora não faço nada, nem eu gosto de mim. — Deixa-te disso. Tens é de reagir! — Estou a tentar. Mas nem duas marteladas posso dar que já estou de rastos. Mariana abraçou-o por trás, encostou o rosto ao cabelo dele. — Amo-te. Nunca te deixo. Recupera sem pressa. Aos bocadinhos. — Amas mesmo? — Juro que sim. Mariana não deixa Ivo. Ele está a recuperar, devagar mas sempre a melhorar. O aniversário foi sem bebidas, para não o tentar. Chegaram alguns amigos, comeram no jardim, jogaram cartas. — Tens sorte com a mulher, Ivo – disseram os amigos ao sair. — Agora vão mas é beber à minha saúde? – ironizou ele. Riram-se todos. Depois, já só os dois, sentados à entrada, olharam as estrelas. Felizes. E Ivo, pela primeira vez em meses, sentiu-se melhor. Acreditou que se ia recuperar. E que, afinal, Mariana não o abandonaria. Abraçou-a com força. — Que foi, Ivo? — Está tudo bem! — Finalmente – sorriu Mariana, beijando-o na face. E foram felizes… 💬 Amigos, se gostam das nossas histórias, deixem comentários e não se esqueçam de pôr um gosto. Isso inspira-nos a continuar a escrever!