Аз? Ненужна ли съм?

«Не мога повече. Сбогом, Димитре,» написах тези думи без възклицателни знаци, съвсем спокойна. Димитър никога няма да ги прочете. След кратко колебание запалих бележката.

…С Димитър имахме страстна, необуздана любов обжигаща, изтощителна и безкомпромисна. Летяхме към пропаст без да се оглеждаме.

…Той имаше съпруга и три малки деца, аз двама сина и мъж. Всички ни смятаха за луди. Съвсем сте се откачили! казваха ни. Семействата ви страдат! Но ние не виждахме никого. За нас светът беше само нас двамата без граници, без пречки.

След всяко среща осъзнавах, че никога не бих искала деца от Димитър. Ни-ко-га.

Той говореше за своите деца така:
Не съм от тези, които глезят децата. Жената искаше да имаме повече. Аз какво?

Тази позиция ме притесняваше, но не бях наясно дали искам да се омъжа за него. Нека си правят деца, това е тяхно решение.

…След три години се омъжихме за Димитър. Бяхме щастливи. Моите синове останаха с мен.

Когато децата му пораснаха, започнаха проблемите безкрайни обаждания, посещения на работата му, молби за пари. Винаги едно и също липса на средства. Димитър им помагаше, чувствайки се винаги виновен. Децата го използваха без съвест, знаейки, че вината му ги оправдава. Исках и аз да ги съжаля, но за тях бях враг номер едно.

…Годините минаха. Сега Димитър има пет внука и те не са последни. Най-голямата му дъщеря избяга от тиранин съпруг, живее с три деца и разчита на помощ. Най-малката получава помощи като самотна майка, но живее разкошно, все ѝ е малко. Средният син е запойник вечно пиян, без работа, плаща алименти, които Димитър изкарва от нашия бюджет. Внучката му прилича на него като две капки вода, и той я обича най-много.

Димитър е задлъжнял до гуша, но децата му не знаят. Знаят само аз и моите синове, които ме убеждават да напусна спонсора. Веднъж го помолих за парфюм. Той се изненада:
Зайко, знаеш, че не усещам миризми. Защо да харчим излишно? Ще ти купя скоро.
Да, явно след осем години отвърнах горчиво.

Вече не моля за нищо. Винаги има извинение VIP стая за Марийка в родилното (защо не обикновена?), кожено яке за внучката (пухник не става ли?), нови обувки за тридесетгодишния син…

Ако се караме, винаги е заради децата му. При скандала винаги казвам: Ако се разделим, Димитре, благодари на децата си! А той твърди, че не може да живее без мен. А аз? Уморена съм! Искам да живея за себе си, а не за неговите деца. Погледнах пламъчето, което изяждаше последните букви от моето сбогом, и затворих очи. Стаята утихна. Отвън вятърът разклащаше дърветата, сякаш и те шепнеха: време е. Отворих чекмеджето, свалих пръстена от нощното шкафче и го оставих до снимката ни усмихнати, млади, обезумели. Облякох якето, взех чантата. Вратата изщрака тихо зад мен. Улицата беше мокра от дъжда. Не се обърнах.

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seventeen + two =

Аз? Ненужна ли съм?
Abre a porta, que já chegámos! – Julinha, é a tia Natália! – a voz ao telefone cintilava com uma alegria tão forçada que até doía nos dentes. – Daqui a uma semana estamos aí na cidade, temos uns documentos para tratar. Vamos ficar em tua casa, uma semaninha ou duas, está bem? Júlia quase se engasgou com o chá. Assim, sem “olá”, sem “como estás”, logo: vamos ficar. Não “podemos?”, não “fica-te bem?”. Não. É vamos ficar. Ponto final. – Tia Natália… – Júlia esforçou-se para manter a voz suave – Que bom ouvir-te. Mas quanto a ficarem cá… Olha, posso ajudar a encontrar um hotel bom? Há opções baratas, mesmo em conta. – Hotel? – a tia bufou, como se a sobrinha dissesse a coisa mais parva do mundo. – Para quê gastar dinheiro? Ainda tens aquele T3 que foi do teu pai! Três quartos só para ti! Júlia fechou os olhos. Começava… – É a minha casa, tia. – Tua? – o tom ganhou um corte afiado. – E o teu pai, era de quem? Não somos família? Sangue não é água, Julinha. Não somos estranhos para tu mandares para hotel, como se fôssemos uns cães! – Eu não estou a mandar ninguém para lado algum. Só não dá para ficarem cá. – Isso agora porquê? “Porque da última vez transformaram a minha vida numa sucursal do inferno,” pensou Júlia, mas disse: – São as circunstâncias, tia Natália. Não consigo receber-vos. – Circunstâncias! – já nem disfarçava o aborrecimento. – Três quartos vazios e tem circunstâncias! O teu pai, que Deus o tenha, nunca punha a família na rua. Tu és igualzinha à tua mãe… – Tia… – Que foi, tia? Vamos chegar sábado, para o almoço. O Maxim e o Paulinho vêm comigo. Recebe-nos a horas. – Já te disse… Não consigo. – Julinha! – voz dura, de comando. – Não se fala mais nisso. Sábado estamos aí. E desligou. Júlia pousou o telefone devagar. Ficou a olhar para um ponto. Suspirou fundo e recostou-se. É sempre assim. Há dois anos a tia Natália já “visitou”. Vieram quatro, disseram que eram três dias – ficaram duas semanas. Júlia ainda lembrava o pesadelo: Maxim, o marido da tia, estendido de sapatos no sofá, com o comando até às tantas. Paulinho, o filho já homem feito, desencantava comida do frigorífico e não lavava um prato. A tia Natália reinava na cozinha, criticava tudo: das cortinas ao azulejo “desenxabido”. Quando saíram, Júlia encontrou o sofá queimado, a prateleira da casa de banho partida e nódoas misteriosas no tapete. Nem uma palavra de dinheiro – nem para comida, nem para o gás, nada. Enfiaram as malas, despejaram um “obrigada, Julinha, és mesmo uma querida” e rua. Júlia passou a mão nas têmporas. Chega. Nunca mais. A tia pode berrar sobre sangue e família. Pode chegar no sábado – mas vai encontrar a porta fechada. Pegou do telefone e procurou hotéis. Bons, simpáticos, preço justo. Mandou a morada e explicou bem: isto é o que eu posso ajudar. Se não aceitarem, já não é problema dela. Dois dias passaram em santa paz. Trabalho, passeios à noite, janta só para si, quase convenceu-se que a chamada da tia fora só um pesadelo. Pode ser que mudem de ideias, encontrem outros parentes onde encostar. O telefone tocou na quinta à tarde. “Tia Natália” no ecrã, o estômago revirou. – Júlia, sou eu! – a voz explosiva invadiu a casa. – Amanhã chegamos, o comboio chega às duas. Vem buscar-nos e põe mesa posta, precisamos de comer a sério que isto não é brincadeira! Júlia sentou-se devagar. Os dedos apertavam o telefone. – Tia Natália, falei claro. Não vos recebo cá em casa. Não venham. – Ora, deixa-te disso! – tia riu, como se fosse piada. – Pareces uma criança, valha-me Deus. Não deixo, deixo… Já temos os bilhetes! – Isso é convosco. – Júlia, estás bem? – no tom, dúvida, logo trocada por firmeza – Somos da família ou quê? Tens obrigação de ajudar, isso é sagrado! – Não devo nada a ninguém. – Ainda como deves! O teu pai, que Deus o tenha… – Tia, chega do meu pai. É não. Palavra final. Tia suspirou alto, teatral, como quem tem paciência de mãe para filho birrento: – Julinha, a tua opinião aqui não conta, percebes? Somos família. E tu que pensas que somos uns inimigos. Amanhã às duas, não te esqueças! – Já disse… – Pronto, beijinhos, até amanhã! Desligou. Júlia ficou a olhar o ecrã. Dentro dela fervia algo quente e ruim. Lançou o telefone ao sofá e começou a andar para cá e para lá como um leão enjaulado. Então, bom para a tia que ache que pode tudo. Agarrou o telefone e encontrou “Mãe”. – Alô? Julinha? – o tom carinhoso, estranho – Aconteceu alguma coisa? – Olá, mãe. Olha… queria ir aí. Amanhã. Uma semana, talvez mais. Pausa. – Amanhã? Filha… só há um mês estiveste cá… – Eu sei. Mas preciso mesmo. Trabalho remoto, é igual onde estou. Posso? Mãe ficou em silêncio. Júlia quase via o rosto dela sério, a pensar. – Vem. Tens sempre casa. Sabes disso. Mas está tudo bem contigo? – Está, mãe. Só tenho saudades. Desligou e sorriu. Amanhã ao almoço tia Natália ia encontrar a porta trancada. Podia chamar, bater, armar escândalo no prédio – a dona não está. Nem foi à loja nem às amigas. Está noutro concelho, a mais de trezentos quilómetros. Júlia marcou bilhete. Comboio das 6h45. Perfeito. Quando a tia batesse à porta, ela estaria a beber chá na cozinha da mãe. Sangue não é água, mas família também precisa de ouvir um “não” de vez em quando. No comboio, Júlia escutou o som das rodas e imaginou a cara da tia à porta fechada. Os olhos pesavam, mas sentia-se tranquila. A mãe esperou-a na estação, abraçou forte, levou-a para casa. Deu-lhe panquecas com queijo fresco, chá e mandou-a dormir. – Depois conversamos, – tirando a chávena. – Agora descansa. Júlia adormeceu antes de lá chegar. Acordou ao som estridente do telefone. Procurou o aparelho a medo, leu no ecrã: “Tia Natália”. – Júlia! – tia berrava tanto que ela afastou o telefone. – Estamos há vinte minutos à tua porta! Porque é que não abres?! Júlia sentou-se na cama, esfregou o rosto. Lá fora o sol punha-se – dormitara meio dia. – Porque não estou aí, – disse, sorrindo. – Como assim não estás?! Onde estás?! – Noutra cidade. Silêncio. Depois, uma explosão. – Perdeste a vergonha?! Sabias que íamos e foste embora?! Como é possível?! – Muito fácil. Avisei que não vos recebia. Não quiseram ouvir. – Como é que tens lata! Tens as chaves com alguém, não tens?! Com a vizinha, com uma amiga! Liga, manda trazer! Ficamos lá sem ti, não somos crianças! Júlia ficou parada. Que descaramento… – Tia, estás a falar a sério? – Claro! Estamos cansados da viagem e tu armaras drama! – Não quero ninguém na minha casa. Nem sem mim, nem comigo. – Sua… A mãe entrou de mansinho, robe e cabelo despenteado, olhos semicerrados. Estendeu a mão e Júlia, sem saber porquê, passou-lhe o telefone. – Natália, – voz gelada da mãe – aqui é a Vera. Escuta e não interrompas. Da outra parte, uns sons confusos. – O Yuri nunca te grameu, Natália. Nunca. Eu sei melhor que ninguém. Porque insistes com a filha dele? O que queres dela? A voz da tia falhava, gaguejava. – Pois muito bem, – cortou a mãe. – Não voltas a ligar à Júlia. Nunca mais. Ela tem quem a ajude. Não és tu. Pronto. Ficou dito. Desligou e devolveu o telefone à Júlia. Júlia olhava para a mãe como se nunca a tivesse visto. – Mãe… Nunca te vi assim. Ela sorriu, ajeitando o robe: – O teu pai ensinou-me. Sempre disse: à Natália, é só assim. Ralhas à séria – e ela não volta a chatear durante anos. Riu e os olhos brilharam. – E funciona até hoje, imagina! Júlia desatou a rir, bem alto, enfim liberta do peso dos dias anteriores. A mãe acompanhou. – Vá, vamos ao chá à cozinha. Conta-me como foi esse filme todo.