Como viver quando a sua esposa se transforma numa verdadeira “porquinha” em casa

Recordo-me de como eu e a minha esposa temos estado juntos há já doze anos não é uma má história de família, pois não? No início, tudo corria de maravilha: eu trabalhava, a minha mulher cuidava da casa e presenteou-me com dois filhos adoráveis uma filha e um filho.

Há algum tempo, fui promovido no trabalho e a renda da família aumentou. Ao que parecia, só tínhamos razões para agradecer. Porém, os problemas surgiram de onde menos esperava. A minha esposa, Teresa, tornou-se de repente viciada em telenovelas. Por estranho que pareça, ela via de tudo, desde novelas policiais portuguesas, passando por histórias de amor brasileiras, às novelinhas espanholas que agora estão na moda.

No começo, nem dei muita importância. Sempre achei normal que a Teresa gostasse de descontrair desse jeito. Mas, com o passar dos meses, as novelas consumiram-lhe quase todo o tempo. A casa começou a descuidar-se, ela já quase não cozinhava. Quando lhe falava sobre isso, respondia sugerindo que encomendássemos comida feita, se as finanças permitissem. Pois bem, dinheiro havia, mas havemos de alimentar os nossos miúdos todos os dias assim?

Além disso, reparei que começou a ganhar uns quilos a mais, consequência de passar tantas horas em frente à televisão, sempre a mastigar qualquer coisa. Já tentei distraí-la, propus inscrevermo-nos juntos no ginásio ou nadarmos na piscina municipal, mas a resposta nunca muda: Estou cansada. E de quê, pergunto-me? Uma vez, até para a envergonhar, contratei uma senhora para vir limpar a casa. Resultado: a Teresa achou que agora não precisava levantar um dedo. Nem aos nossos filhos consegue dar atenção: todo o seu tempo pertence àquelas benditas novelas.

Sinto-me sem saber como lidar com isto. Antes, a Teresa era uma mulher vibrante, cheia de interesses foi isso que me encantou nela. Agora, tornou-se numa pessoa apática, que só se interessa pelas vidas dos personagens de televisão. Voltas e mais voltas dou do trabalho mais cedo para meter roupa a lavar ou ajudar os miúdos com os trabalhos de casa. A minha sogra defende sempre a filha, quando antes pensava que eu não era suficiente para ela. Ajuda dela, nem vê-la.

Dias há em que penso mesmo no divórcio. Faz-me pena pelos filhos; são eles que mais sofrem nisto tudo. Não sei já que caminho tomar nem se haverá solução para o que se tornou da nossa família.

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