Gatinho foi abandonado, rejeitado e esquecido devido a um exame – deixaram-no ao frio rigoroso do inverno…

O gato fora traído, abandonado, rejeitado por causa de um resultado de análise. E foi logo no inverno, com frio…

O meu vizinho, o senhor Augusto, descobriu o pobre gato à beira da entrada do prédio onde viviamos. Ele chamava-se Lopo. O bichano andava de um lado para o outro, miando baixinho, arranhava a porta de ferro gelada e, numa aflição incrível, chegou até a tentar roê-la com os dentes. Lopo tinha um medo pânico da rua nunca tinha visto a vida para além dos muros do apartamento. Costumeiramente mimado pelo conforto e pelo carinho da dona, era de uma confiança imensa. Atirava-se para qualquer pessoa que passasse: vizinhos, estranhos, quem fosse. Esfregava-se nas pernas, tremia da cabeça às patas, encarava-nos com uns olhos enormes, numa súplica muda para o salvar daquela realidade assustadora onde o tinham deixado sem dó nem piedade arrancado do quentinho da caminha junto ao aquecedor para o meio do inverno, debaixo de neve e vento cortante.

Tudo por uma razão simples, quase absurda. A dona de Lopo decidiu adotar mais um animal. Viria um gato de raça, pois lera um anúncio qualquer na internet. A responsável pela entrega pediu análises do gato que já vivia em casa. Fizeram exames, e descobriram que Lopo era portador do vírus da imunodeficiência felina. A doença, no caso dele, não se manifestava, não havia riscos para cães nem humanos já que o vírus é específico dos gatos e apenas entre eles se pode transmitir.

O único local onde o vírus existia, era realmente nos exames laboratoriais; o sistema imunitário de Lopo era suficiente, mantinha-o são, não deixava que a doença desenvolvesse. Mas a dona não quis saber: um gato doente não serve! decidiu ela, como se lhe pesasse o nome no coração. Ignorou completamente todas as explicações, não quis sequer investigar se seria realmente perigoso. A solução: abandonou o gato na rua, em pleno inverno. Simples e cruel.

Quem denunciou o drama foi a Dona Rosa, a porteira. Reparou num dia que Lopo já não andava nervoso à porta do prédio; estava deitado sobre a neve, encolhido num pequeno monte. Gelado, exausto, estava adormecendo… E, no frio daquela madrugada, dormir é muitas vezes sinónimo de morte. Dona Rosa não ficou indiferente. Levou-o para a sua sala de serviço, deitou-o sobre o seu próprio casaco junto ao termo ventilador, e dividiu com ele o almoço que trouxera de casa. Uma simples pratada de arroz tornou-se, para o Lopo, um verdadeiro milagre o calor e a comida salvaram-lhe a vida.

Mais tarde, ele foi levado para um abrigo animal. Tinha ficado bastante doente do frio, constipado e desidratado, mas o tratamento resultou. Agora, Lopo está recuperado, forte e voltou a confiar em pessoas. Foi castrado, vacinado e já tem boletim veterinário regularizado.

Ainda nem três anos completa. É um gato meigo como poucos, entrega-se por inteiro à companhia: aninha-se nos braços, ronrona nos ouvidos como se quisesse cantar, adora dar cabeçadinhas e beijinhos. De cada vez que vê um voluntário, custa-lhe horrores despedir-se e voltar à jaula. Não há dúvidas: Lopo é um gato para lar, merece o conforto de uma casa, o colo de alguém atencioso que nunca o volte a rejeitar.

Escrevendo este episódio no meu diário, compreendi mais uma vez que o amor e o respeito pelos animais dizem muito sobre quem realmente somos. Uma atitude empática muda destinos e aprendi que nunca devemos julgar ou abandonar alguém só porque o desconhecido nos assusta. Deixemos que o nosso coração escolha sempre a compaixão.

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Gatinho foi abandonado, rejeitado e esquecido devido a um exame – deixaram-no ao frio rigoroso do inverno…
Prišiel na chatu so synom, Kristína sa zmlkla pri bráne – na dvore bolo dvadsať ľudíZrazu sa ozval hlasitý výkrik, keď sa z davu vytrhla stará žena s tajomným balíkom.