A força de um homem fez toda a diferença: Como Igor transformou o jardim de Marina, construiu-lhe uma pérgola e renovou o lar. Dinâmico e trabalhador, não poupava esforços para agradá-la, mesmo sabendo que Marina casou sem grande paixão — agora teme ser abandonado por estar doente. “Não te deixo nunca! — disse Marina, abraçando-o. — És o melhor marido do mundo!” Após 25 anos de casamento, Marina encanta os homens desde a juventude, mesmo sem ser considerada uma beleza. Entre pretendentes, escolheu o prático Igor: calado, trabalhador, bom de mãos e de coração, mas que agora enfrenta uma grave doença. A filha sugere vender a casa e mudar-se para Itália, mas Marina resiste: “Foi para isto que construí esta casa?” Enquanto enfrenta a doença do marido, Marina mostra força e ternura portuguesas — na saúde e na doença, prova que o amor pode crescer do quotidiano e companheirismo.

Olha, deixa-me contar-te uma história com a minha voz, como se estivéssemos agora a beber um café junto à praia da Figueira da Foz. Então, o Luís andava sempre ocupado no quintal: endireitou a terra, fez uns canteiros para a Leonor plantar flores, construiu uma pérgula gira, e dentro de casa notava-se logo um toque de homem prático. A Leonor acertou mesmo na escolha do marido, não tenhas dúvidas. Para além disso, o Luís ainda punha dinheiro em casa, sempre a tentar surpreendê-la com algum mimo.

Tu nem gostavas de mim dizia ele às vezes, a fingir uma tristeza. Casaste comigo sem ser por amor. Agora vais-me deixar agora que fiquei doente…

Nem penses nisso! dizia a Leonor, agarrando-se a ele. Tu és o melhor homem que podia ter! Nunca te deixava…

O Luís nem queria acreditar que ela o dizia a sério. O ânimo andava-lhe em baixo…

A Leonor, olha, foi casada vinte e cinco anos e, acredita, os homens nunca deixaram de reparar nela. Mesmo em nova, era das raparigas mais cobiçadas do bairro em Coimbra.

E já de miúda, repara, quase todos os rapazes queriam andar atrás da Leonor. E não era, propriamente, por ela ser uma beldade. Não, havia outra coisa qualquer.

E ela nunca se separou do marido, mesmo quando o carácter dele era… pronto, um bocadinho complicada. Viveram juntos até ao fim do Vítor, o primeiro marido. Criaram a filha, a Beatriz, puseram-na na Universidade em Lisboa e, quando ela casou, foi viver para Milão com o marido. Agora mandam fotos lindas, sempre a convidar a mãe para lá passar uns dias. Mas a Leonor e o Vítor nunca chegaram a ir… Talvez um dia ela vá. O Vítor, coitado, já cá não está.

Morreu num acidente de carro, duma maneira mesmo parva Dizem que se calhar se sentiu mal ao volante. Deve ter sido o coração, perdeu o controlo.

Acho que até desmaiou pensou a Leonor.

Olha, agora nunca saberemos suspirou a amiga dela, a Sofia, médica de família. Daqueles acidentes em que não há salvação possível.

A Leonor ficou mesmo de rastos. Foi a Sofia que ajudou em tudo: tratar da papelada, saber os pormenores por dentro do hospital. Enterraram o Vítor e a Leonor ficou sozinha na casa que tinham construído juntos ao longo dos anos, em Condeixa.

Para o casal, aquela casa nem era assim tão grande… Mas agora só para ela, sentia-se enorme, quase um peso. É verdade que uma casa precisa de mão de homem…

A Beatriz veio despedir-se do pai, claro, e teve aquela conversa de vender a casa, comprar um apartamento, falar em ir viver para Itália com eles.

Nem penses! respondeu logo a Leonor. Eu não fiz esta casa para a vender. E à tua Itália nem quero ir…

Ó mãe!

És cá uma escurinha, Beatriz! sorriu a mãe, com olhos ainda vermelhos. Estou a brincar.

Bem, se brincas ainda, é porque não está tudo mal.

Estava tudo muito dúbio. Assim como era o próprio Vítor Às vezes era terno e cuidadoso, outras vezes tinha um feitio daqueles, enervava a Leonor até à raiz do cabelo. Depois arrependia-se, pedia desculpa, e ela que sempre foi leve de espírito não punha grandes dramas nessas coisas. Foram vinte e cinco anos assim, acredita. Até parece mentira.

A Beatriz ficou mais um pouco, mas depois voltou para Milão o marido dela é daqueles que trabalha sem parar, e ela gosta de ir mantendo a vida de família nos eixos. A Leonor ficou sozinha outra vez.

Mas, conhecendo-se, sabia que isso não ia durar. Não durou mesmo. Passou meio ano triste, a dar espaço ao luto, até que um dia deu por si a ver que à volta já tinha um grupo de pretendentes. Sempre com aquele je ne sais quoi que nem a mãe dela percebia…

Mas filha, que veem eles em ti? Vais-me desculpar, mas nem és feia nem especialmente bonita… Se calhar é coisa minha!

És uma querida, mãe. a Leonor ria, pintando os lábios. A beleza não vale quase nada. O segredo é o charme, carisma… qualquer coisa especial.

Anda, vai andar, mulher… senão o namorado ainda se cansa de esperar!

Se não for este, vem outro encolhia ela os ombros, descontraída.

Já lá vão quase trinta anos desde essa conversa, mas pouco mudou. Ouço tantas amigas a queixar-se que, a partir dos quarenta, não há homem livre, que não se arranja ninguém decente. A Leonor nunca teve essa dificuldade. Com quarenta e seis já tinha dois candidatos ao casamento e os dois ótimos.

Mas o coração dela puxava-lhe sempre para o Ricardo. Era um homem elegante, de fala fácil, dava boas conversas, instruído. Era um gosto conversar com ele, e a Leonor tinha orgulho em sair com ele. Mas, sinceramente, o Ricardo era mestre da conversa, mas não de pôr mãos à obra. Ela até podia apaixonar-se pelos ouvidos, mas sabia, pela vida e experiência, que não era homem para partilhar aquela casa grande no campo.

O outro, o Luís, era um homem do campo mesmo. Um daqueles que, se preciso, rebenta uma vara de vinho, mas faz tudo andar em casa: martela, constrói, arranja, nunca diz que não ao trabalho. Um coração de ouro, calado, mas seguro. Era um destes que ama em silêncio, mas fazia tudo pela mulher. A Leonor, talvez por lógica de mulher, até gostava mais do Ricardo. O Luís não era de grandes palavras bonitas, era caladão, só quando tomava qualquer coisa animava e contava piadas ao grupo.

Sim, o Luís gostava de beber, mas no dia seguinte já estava às seis da manhã pronto para a vida, a despejar-se em água fria e sair para trabalhar. A Leonor escolheu-o, mesmo assim.

O Ricardo, depois, ficou sentido, arrumou as falinhas mansas e fez-se à vida. Ela casou com o Luís, que andava nas nuvens de tão feliz. Na boda, até se passou um bocadinho na bebida, dançou e cantou a noite toda.

Tu não mudas mesmo nada, Leonor riu a Sofia, cheia de troça. O Vítor ainda agora partiu e já te estás a casar. Há mulheres que não apanham homem nem com uma lanterna de dia, mas tu mal sais de casa

Ainda vais dizer: “Nem estás assim tão gira!”

Ó, deixa-te disso Mas que sempre foste um fenómeno, lá isso, és.

Não percebo, Sofia, pergunta à minha mãe.

E a Leonor piscou o olho à amiga, foi dançar com o marido que estava mesmo a pedi-la para o fazer. Entre passos e risos, pensava: que importa se o Luís não é assim tão esperto com as palavras? Tem força, mãos de ouro, e até engraçado é. Estar sempre a falar também cansa

Se tivesse escolhido o Ricardo ia fazer o quê? Falar de poesia e morrer à míngua? De conversa bonita não se faz sopa!

Olha, uns meses depois o Luís já tinha transformado o jardim da Leonor num verdadeiro oásis: arrancou árvores a mais, nivelou tudo, fez-lhe mais canteiros. Pôs uma pérgula linda, arranjou as flores, arranjou tudo dentro de casa.

Foi uma escolha acertada sim, senhora! E ainda por cima, o Luís fazia questão de trazer dinheiro para casa, comprava-lhe prendas e tudo. A Leonor pensou que, se o tivesse conhecido antes, talvez vinte e cinco anos de vida fossem muito melhores.

No verão, a Leonor e o Luís faziam grelhados ao fim do dia, sentavam-se na pérgula a jantar e conversar ele tinha feito uma mesa sólida de madeira, bancos robustos.

A Leonor, de barriga cheia, ficava ali a saborear como um gato, enquanto o Luís lhe sorria.

Que foi, Luís?

Nada, Leonor. Estou só feliz.

A primeira mulher do Luís era uma seca, dizia ele. Nunca pensou encontrar alguém tão leve, tão perfeita para si.

Foram felizes assim durante quatro anos. Depois, infelizmente, o Luís começou a sentir-se mal. Ficava cansado muito depressa, magro sem motivo. Bastava um copito que ele gostava, de vez em quando e ficava logo meio mal disposto.

Luís, tens mesmo de ir ao médico! insistia a Leonor. Isto não é normal.

Oh, Leonor, já vai passar.

Passar? Olha bem para ti! És como os outros homens, tens medo dos médicos?

Não, não é isso…

Na verdade, o medo do Luís era outro. Tinha receio que, se estivesse mesmo doente, a Leonor o deixasse. Ele sabia bem que ela casara mais por ser prático do que por paixão, achava ele. Mas ele, esse, era mesmo apaixonado, loucamente.

Apaixonou-se à primeira vista, quando viu aquela mulher perdida pelo supermercado do Continente, à procura da carteira na mala. Deu-lhe logo vontade de cuidar dela para sempre. A mãe dele, claro, nunca entendeu, filho, que viste nela? Nem é nova, nem é especial… Qualquer rapariga nova ia querer-te!”. Mas ele só queria a Leonor. Agora, se ficasse doente, ia ser preciso ver

Ela não foi a tempo de convencê-lo a ir ao hospital: tudo mudou num fim de semana, num jantar com a Sofia e o marido Júlio. No meio do churrasco e cervejas, a Leonor nervosa lá desabafou com a Sofia:

Achas que o Luís está doente?

Está com pior aspeto disse a médica. Mais magro, pele um bocado amarelada

Ai, Jesus! Convence-o tu, és médica, pode ser que te ouça!

A Sofia olhou bem para a amiga.

Leonor gostas mesmo dele? Lembro-me das tuas dúvidas

A Leonor não respondeu, mordeu o lábio.

Mas nem houve tempo o Luís desmaiou ali mesmo. Tudo um drama. Chamaram logo o INEM. A Leonor foi com ele no hospital, de mão dada, a rezar baixinho.

Foi logo para uma cirurgia.

Tumor no fígado.

Cancro?! assustou-se ela.

Ainda não sabemos, estamos à espera das análises.

Felizmente era benigno, mas já estava grande. Proibiram-lhe quase tudo, disseram que a recuperação ia ser lenta, talvez nem ficasse igual. Já não era novo…

O Luís ficou mesmo em baixo. A mãe dele foi visitá-lo ao hospital, levou-lhe comidinhas do que era permitido.

Filho, nem te conheço! Sopinha quente, comes e segue para a frente. Ainda bem que não era cancro. Vá lá, anima-te!

Não me apetece comer.

Tens de comer! Olha, a Leonor vem cá?

Vai vindo por enquanto.

Então qual é o problema? Tens medo que ela te deixe? Olha que parvoíce.

Já não sirvo para nada, mãe. Nem trabalhar posso. Aos cinquenta vou virar inválido, quem me quer assim?

Nisto entra a Leonor, de cara alegre, como se nada fosse.

Ora vamos lá ver, senhor inválido! Tens pernas e braços, tudo no sítio. Já li que o fígado regenera, sabias? Se tiver só cinquenta e um por cento, já volta ao normal. O teu ainda tem sessenta! Deixa passar o tempo…

E tempo tenho eu?

Que perguntas são essas, Luís?

Nada, nada.

Lá o mandaram para casa, e começa o pior trabalho físico era uma canseira, cansava-se logo. E vinha aí o aniversário dele, pior ainda, nada de salgados nem vinho que miséria!

A Leonor parecia nem ligar, comia com ele as comidas sem graça, fazia companhia, riam-se juntos.

E o que é que vai ser de nós agora? aventurou-se ele um dia.

Como assim?

Recupero devagar, tens medo que eu nunca volte ao normal? Vais-me deixar, não vais?

Deixar-te? Nem pensar, Luís. És tudo para mim.

Era quando fazia tudo em casa que gostavas de mim. Agora, nem eu me aguento!

Ai deixa-te disso, homem! Vá, acima, não fiques aí caído.

Estou a tentar, a sério. Mas olha, mal trabalho, fico logo de rastos…

Ela deu-lhe um abraço por trás e encostou a cara às costas dele.

Gosto muito de ti. Não te largo. Quando estiveres bom, voltas ao normal. Não tens de ter pressa.

A sério que gostas de mim?

A mais pura verdade.

O tempo foi passando. A Leonor ficou ao lado dele. Ele foi melhorando, devagarinho. No aniversário, nada de álcool, fizeram um jantarzinho lá fora, jogaram cartas com os amigos, riram-se muito.

Olha que sorte que tens, Luís, com a tua mulher diziam os amigos ao ir embora.

Quando saírem vão beber por mim, não é? respondeu ele, a sorrir.

Risadas. Despedidas. No fim, ficaram os dois na varanda, a olhar as estrelas. Felizes. E o Luís, pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se melhor, como se tudo pudesse mesmo correr bem.

Acreditou. E apertou a Leonor com mais força nos braços.

Que foi, Luís?

Está tudo bem! disse ele, finalmente de alma cheia.

Finalmente! e a Leonor deu-lhe um beijo na cara.

E sabes? Estavam mesmo felizes.

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A força de um homem fez toda a diferença: Como Igor transformou o jardim de Marina, construiu-lhe uma pérgola e renovou o lar. Dinâmico e trabalhador, não poupava esforços para agradá-la, mesmo sabendo que Marina casou sem grande paixão — agora teme ser abandonado por estar doente. “Não te deixo nunca! — disse Marina, abraçando-o. — És o melhor marido do mundo!” Após 25 anos de casamento, Marina encanta os homens desde a juventude, mesmo sem ser considerada uma beleza. Entre pretendentes, escolheu o prático Igor: calado, trabalhador, bom de mãos e de coração, mas que agora enfrenta uma grave doença. A filha sugere vender a casa e mudar-se para Itália, mas Marina resiste: “Foi para isto que construí esta casa?” Enquanto enfrenta a doença do marido, Marina mostra força e ternura portuguesas — na saúde e na doença, prova que o amor pode crescer do quotidiano e companheirismo.
– Чичо ми го няма, кучето на улицата: племенникът бързаше да продаде чуждия апартамент, без да знае, че след 3 дни всичко ще се сринеТогава дойде новината, че чичо му е оставил всичко на сиропиталище, и племенникът остана и без сделка, и без покрив.