Margarida engravidou. Seu marido Guilherme, durante toda a gestação, não se afastou da esposa. Ele atendia todos os desejos e caprichos dela. Finalmente chegou o momento e Guilherme levou Margarida ao hospital obstétrico. Quando nasceu uma saudável menina, ele suspirou aliviado. Satisfeito e radiante, o recém‑nascido papai foi para casa descansar. No dia seguinte, ele voltou para visitar a esposa e a filha. – A sua esposa não está aqui – disseram-lhe de repente. – Não pode ser! – não acreditou Guilherme. – Talvez ela tenha ido a algum lugar? Procure por ela! – Não, ela saiu, aqui está o bilhete – disse a enfermeira, entregando um papel dobrado ao meio. Guilherme abriu e ficou pálido ao ler o conteúdo.

Inês engravida. O marido, João, não a deixa durante a gestação; cumpre todos os seus caprichos e desejos. Quando chega o dia do parto, João leva Inês ao Hospital de Santa Maria. Assim que a pequena nasce, ele suspira aliviado. Feliz, o recémnascido papai dirigese para casa descansar. No dia seguinte regressa ao hospital para visitar a esposa e a bebé. A sua esposa não está aqui, diz a enfermeira, entregandolhe um papel dobrado ao meio. João abreo e o seu coração fica em choque ao ler as três palavras: Não me procure.

***

João, chefe do departamento de vendas, ainda não é casado, e ao ver a jovem e bonita Inês, apaixonase na hora. Ela chega ao primeiro dia de trabalho ao seu setor e ele já a aborda.

Bom dia, colega, diz ele com um sorriso tão caloroso que Inês fixa o olhar nele.

Bom dia, responde ela com voz suave, devolvendo o sorriso.

Então, vamos ao trabalho. A Maria, a sênior da equipa, vai introduzirlhe as tarefas, aponta João na direção da senhora. Leia o regulamento interno. Boa sorte, espero que trabalhemos bem juntos.

As colegas, em maioria mulheres, observam o chefe com curiosidade; quando ele sai, a Cláudia sussurra a Vira:

Desde quando o João se interessa tanto pelos novos colaboradores? e ambas dão risada.

Inês observa tudo com cautela, posicionandose como espectadora. Ela tem apenas vinte e dois anos, mas já, desde os dezessete, tem um histórico de relacionamentos destrutivos. Na faculdade, conseguiu envolverse com um professor muito mais velho, que acabou por terminar o caso ao ouvir rumores sobre a sua esposa.

Alguns dias depois, João propõelhe um café depois do expediente.

Por que não? Você é o meu chefe e precisamos manter boas relações, responde Inês, sorrindo.

Ele pensa que ela está a brincar, mas fica contente ao ver que aceita. João tem trinta anos, nunca se casou, tem alguns relacionamentos, mas nunca deu um passo sério. Aquela ligação evolui rapidamente; eles começam a namorar e, surpreendidos, os colegas ficam espantados quando João anuncia que vai convidar Inês para o casamento.

Ele realiza todos os desejos de Inês sem hesitar, inclusive a condição que ela impõe:

Não vamos ter filhos agora; quero viver para mim. Quando me sentir pronta para ser mãe, avisarei. Até lá, querido, nada de fraldas nem roupinhas.

João pensa que, com o tempo, Inês perceberá que uma família sem filhos não é completa. O tempo passa e Inês continua a recusar a ideia de ter um bebé, interrompendo a conversa sempre que ele traz o assunto.

Amor, aviseite já, e concordaste, então não me pressionas com o filho. Ainda não estou pronta.

Alguns meses depois, João vê Inês sair da casa de banho com um teste de gravidez na mão.

Inês, estás grávida?!

Ela assente. João a abraça emocionado, e ela começa a chorar.

Não quero ter filhos, não quero engordar. Faz alguma coisa!

Ele a segura, beijaa as bochechas ainda úmidas de lágrimas:

Não chores, é felicidade. Eu adorote, Inês. Vamos ter um bebé!

Inês decide, porém, procurar o médico e terminar a gravidez. João chega a tempo ao consultório, antes que ela entre, e, numa discussão acalorada, levaa para fora.

Por favor, Inês! Não faças nada, deixa o bebé nascer. Eu ajudote em tudo, prometo!

Ela aceita, mas só se o marido não mudar as fraldas nem ficar acordado à noite. João não a larga durante a gestação, satisfaza em tudo. No dia do parto, levaa ao Hospital de Santa Maria; quando a menina nasce, ele exala alívio.

Satisfeito, o novo pai volta para casa descansar. No dia seguinte, ao chegar ao hospital para visitar a esposa e a filha, recebe a notícia:

A sua esposa não está aqui, foi embora e deixou a criança.

Não pode ser! exclama João. Talvez tenha saído, procurea!

Não, ela partiu, aqui está o bilhete entrega a enfermeira um folheto dobrado ao meio.

João abre o papel e fica pálido ao ler: Não me procure.

Inês desaparece do escritório e de casa, não atende ao telefone, muda de número. Só depois de um mês e meio liga a João:

Recolhe as minhas coisas, o meu irmão António vem buscálas. Pede o divórcio, eu não volto.

Não há conversa sobre a filha, Alina, que nem precisa dela. João tenta ser pai para a menina, contando com a ajuda da mãe, que mora perto e cuida de Alina.

Sofia atende ao telefone. É a escola do filho, Dinis, onde a professora Margarida, da Escola Básica de São Bento, liga:

Venha imediatamente, o seu filho fez algo grave! desliga, sem mais detalhes.

Sofia arruma a bolsa, pede licença no trabalho e corre à escola.

O que será que Dinis aprontou? O meu filho parece sempre equilibrado, sem confusões pensa, correndo.

Dinis nasce contra todas as previsões médicas. O marido, Miguel, lhe conta antes do casamento que não pode ter filhos, apresentando um atestado. Era o terceiro casamento de Miguel.

Talvez os médicos estejam errados, há sempre uma percentagem pensa Sofia, que aceita casarse por amor, embora esperasse, caso não tivessem filhos, adotar alguém de um orfanato. Miguel nunca lhe contou isso.

O primeiro casamento de Miguel durou apenas seis meses; ele saiu acusandoa de saída, o que era verdade. Na segunda união, a esposa insistiu num checkup, depois de que ele partisse. Ela desejava muito ser mãe e, por isso, Miguel revela a verdade a Sofia.

Mesmo assim, Sofia engravida; sai do consultório como se voasse, entregando a Miguel o atestado de oito semanas de gestação.

Miguel, temos uma alegria mostra o documento vamos ter um bebé, eu disse que os médicos podem errar! Estou radiante!

Miguel, porém, reage frio:

Alegria? Tu trazes uma criança ao meu lado?

Algum tempo depois, Miguel acalmase e, ao cair da noite, diz:

Está bem, a família precisa de um filho, ainda que não seja meu.

Sofia calase, não insiste mais que os médicos podem errar. O filho que nasce, Dinis, parece o reflexo de Miguel, embora ele não reconheça. Nos primeiros meses, Miguel observao à distância, mas depois volta a confrontaro.

Tu és irresponsável, talvez já devias contar ao pai da tua criança que ele tem um filho. Por que o inscreveste no meu nome para receber pensão por uma criança que não é minha? Que pague quem a gerou!

Sofia chora, implora, tenta acalmar o marido. As discussões tornamse rotina, e Dinis, ao crescer, vêas. Miguel ordena ao filho:

Vai viver com o teu pai, que te alimente e vista.

Sofia faz um teste de DNA que comprova que Miguel é o pai de Dinis, mas ele ainda discorda:

Acreditas que eu vá acreditar? Corruptaste tudo, mas não vai mudar nada, eu vou descobrir a verdade.

Ela leva Dinis à mãe; o exmarido ainda a persegue. Sofia aluga um quarto num bairro distante; Miguel a encontra, e ela já tem o processo de divórcio em andamento. Depois de muito sofrimento, decide mudarse para outra cidade, onde vive agora com o filho, trabalha e tudo se estabiliza.

Só então respira aliviada. Dinis está bem educado, já está na segunda classe. Um dia, o telefone da escola toca novamente.

Chegando à escola, Sofia vê Dinis sentado à porta do diretor, ao lado de um colega de classe, com uma menina chamada Alzira, aluna exemplar.

Alzira tem uma cicatriz na bochecha e olha Dinis de soslaio.

Boa tarde diz a menina, quando a professora Margarida chega.

Boa tarde, responde a professora. Dinis fez algo que afastou Alzira

Mãe, eu não fiz, ela começou primeiro. Dizesteme que não se deve ofender as meninas, mas ela respondeu chamandome de filho ilegítimo e ainda me cutucou a bochecha. diz Dinis, olhando nos olhos da mãe.

Pai, não fiz nada baixa Alzira o olhar.

Alzira, basta intervém o pai.

Dinis, pede desculpa à Alzira.

Alzira, tu também tens culpa.

As crianças ficam frente a frente, como prontas para continuar a disputa. A professora tenta mediar:

Pais, resolvam entre vocês quem tem razão.

Resolvido respondem simultaneamente Sofia e João, olhandose e rindo.

João, pai de Alzira, diz:

Sou o João, pai da Alzira.

Sofia, mãe de Dinis, responde:

E eu sou a Sofia, mãe do Dinis.

Alzira, então, diz:

João, perdoame, por favor.

Dinis, tocandoa na mão, acrescenta:

E tu também me perdoa.

Vamos lá, então dizem os pais, rindo, e as crianças sorriem.

João propõe:

Que tal irmos à pizzaria?

Mãe, vamos!

Alzira, séria, comenta:

Não pensem que é só brincadeira, realmente nos reconciliámos. Verdade, Dinis?

Sim, acreditamos afirma a mãe de Alzira. Foi só um malentendido olha para João, que concorda com a cabeça.

As crianças ficam contentes, dividindo a pizza em duas porções generosas. Já são amigas; Dinis promete a Alzira:

Se alguém te magoar, avisame.

Os pais não insistem na discussão, pois agora os filhos são amigos. Ambos percebem que gostam um do outro. Depois desse encontro, passeiam ao cinema, caminham no parque e visitamse.

Os filhos percebem que os pais não são indiferentes e ficam ainda mais felizes.

O tempo passa.

João e Sofia lembramse frequentemente daquele primeiro encontro e brincam sobre como os filhos brigaram tão bem.

A felicidade não falta

Sofia aguarda o nascimento de outro filho, e Dinis, junto da irmãzinha Alzira, já pensa no nome do irmão.

Chamálo‐

O nome será BernardoQuando a madrugada começou a clarear, o corredor do Hospital de Santa Maria estava iluminado por luzes suaves que pareciam sussurrar promessas. Sofia, deitada na cama, sentiu o primeiro puxão da nova vida dentro dela, e ao seu lado, João segurava a mão dela com a mesma firmeza que havia mostrado ao nascer de Alina tantos anos atrás. O médico, com um sorriso tranquilo, anunciou que tudo corria bem, e, num instante, duas batidas de coração ecoaram sincronizadas no quarto.

As portas se abriram silenciosamente e, como se o destino tivesse planejado o reencontro, uma figura delicada entrou em passos hesitantes: Alina, agora com cabelos curtos e olhos ainda curiosos, carregava nos braços um pequeno ursinho de pelúcia. Seu olhar percorreu o rosto de Sofia, encontrou a esperança nos olhos de João e, finalmente, pousou na pequena mão que ainda tremia de nervoso. Sem dizer palavra, entregou o ursinho à mãe, como se fosse um elo invisível que unia todas as histórias que haviam se entrelaçado.

Entre suspiros e lágrimas, Sofia agradeceu ao universo por aquele presente inesperado. João, ao perceber o nome gravado no pulso de Alina Alina, escrito em letras suaves percebeu que a menina que ele ainda guardava no coração finalmente havia voltado ao seu lugar. Ele se inclinou e, em voz baixa, prometeu que nunca mais deixaria o medo separar novamente aqueles que amava.

Enquanto o bebê de Sofia dava seu primeiro chorinho, Dinis, segurando a mão de Alzira, olhou para o novo irmão que ainda não tinha nome. Talvez… começou a dizer, …possa chamaro de Lúcio, porque a luz que ele traz para a gente é como o amanhecer que o papai trouxe para a gente. Alzira sorriu, apertou o punho de Dinis e respondeu: Lúcio, então será. E eu vou ser a guardiã das histórias dele, assim como eu sou guardiã das minhas próprias cicatrizes.

Naquele instante, as risadas das duas crianças se misturaram ao som da máquina de monitoramento, criando uma melodia que parecia fechar o círculo que antes estava aberto. As mães, ao se olharem nos olhos, reconheceram que o passado, com todas as suas dores, havia servido apenas para fortalecer o futuro que agora florescia diante delas.

O dia passou e, ao cair da tarde, a pequena família agora composta por Sofia, João, Alina, Alzira, Dinis e o recémnascido Lúcio reuniuse em volta da mesa da cozinha, onde o aroma da pizza ainda pairava no ar. As crianças dividiram a última fatia, trocando confidências de brinquedos e promessas de proteção mútua. João, segurando a mão de Sofia, sussurrou: Construímos um novo lar, onde cada ferida foi curada pelos sorrisos que agora compartilhamos.

E assim, sob o brilho suave das estrelas que começavam a despontar, a história que começou com despedidas e silêncios encontrou, finalmente, seu final feliz: um futuro tecido de amor, perdão e novas esperanças, onde cada batida de coração fazia ecoar a certeza de que, apesar das tempestades, a vida sempre encontra um caminho para renascer.

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Margarida engravidou. Seu marido Guilherme, durante toda a gestação, não se afastou da esposa. Ele atendia todos os desejos e caprichos dela. Finalmente chegou o momento e Guilherme levou Margarida ao hospital obstétrico. Quando nasceu uma saudável menina, ele suspirou aliviado. Satisfeito e radiante, o recém‑nascido papai foi para casa descansar. No dia seguinte, ele voltou para visitar a esposa e a filha. – A sua esposa não está aqui – disseram-lhe de repente. – Não pode ser! – não acreditou Guilherme. – Talvez ela tenha ido a algum lugar? Procure por ela! – Não, ela saiu, aqui está o bilhete – disse a enfermeira, entregando um papel dobrado ao meio. Guilherme abriu e ficou pálido ao ler o conteúdo.
В нощта на Нова година бе изгонен от дома си; години по-късно той им отвори вратата — но не към мястото, където семейството му се надяваше да попадне. В новогодишната нощ родителите му го прогониха от къщи. След дълги години той им отвори вратата — но не в смисъла, в който те си мечтаеха да го направи.