Quando há um casamento numa família, é sempre motivo de grande emoção para todos. O matrimónio enche todos de alegria e ansiedade.
Por algum motivo, as pessoas costumam olhar para as coisas apenas de um lado, embora tudo tenha sempre duas faces, como uma moeda.
Não, não acredito que o casamento seja algo terrível. Mas, infelizmente, ainda há muitas mulheres que acham que a felicidade só se encontra no casamento e na criação de uma família. Muitas raparigas não compreendem verdadeiramente o que é o casamento e todas as suas implicações.
O grande plano delas é casar, e depois, pensam, tudo se resolve.
Deixem-me partilhar a minha experiência. Sempre acreditei que, se casasse com o homem que amava e tivesse um filho com ele, seria a pessoa mais feliz do mundo.
No entanto, a realidade mostrou-me outra face. O casamento trouxe-me muitos desafios inesperados. Ainda nem tínhamos conseguido juntar dinheiro suficiente para comprar uma casa, quando descobri que estava grávida. Criar uma criança, nos dias de hoje, em Portugal, é algo que custa muitos euros.
Ficámos radiantes com a gravidez. O meu marido tinha o seu próprio negócio e eu estava de licença de maternidade, a viver com grande insegurança financeira. Nem pensar em poupar para a nossa casa! Ser mãe também foi muito complicado para mim. O meu filho era muito agitado, adoecia com frequência, e eu mal conseguia dormir. O meu cansaço era tão grande que, por vezes, perdi o controlo. Houve até alturas em que pensei simplesmente em fugir. Nem toda a mulher nasce para ser o pilar da vida familiar.
Gostava de ter percebido isso mais cedo. O meu filho tinha apenas dois anos quando o meu marido perdeu o negócio. Caiu numa tristeza profunda. Onde há desespero, por vezes há um ou dois copos de aguardente. Não tive alternativa senão tomar as rédeas da situação. Inscrevi o meu filho na creche e arranjei dois empregos a tempo inteiro. Trabalhei arduamente para conseguir aguentar tudo, enquanto o meu marido dormia o sono dos justos, embriagado, na nossa cama. Foi tão duro e desgastante que, nalguns momentos, só me apetecia gritar. Estou certa de que, se estivesse sozinha, não teria tido tantos problemas nem financeiros, nem de cansaço, nem a nível emocional.
Um dia, pedi à minha sogra que falasse com o seu filho e o ajudasse a sair daquela situação. Não é típico de um homem português desistir e baixar os braços perante as dificuldades. Aproveitei e abri o coração, disse-lhe o quanto me estava a custar, que mal aguentava o peso do mundo às costas.
Esperava receber apoio, uma palavra amiga. Mas o que ouvi foi isto: “Sabes, não és a única a passar por maus bocados. Mas tu és mulher, e como tal tens de aguentar, porque não se espera que uma mulher seja fraca.
Normalmente, é a mulher que mantém a família unida, por isso, cala-te quando quiseres gritar e enxuga as lágrimas antes de chorar. Seja qual for o teu destino, aceita-o e segue em frente. Não te lamentes!”
Sinceramente, as palavras dela foram como facas a cortarem-me o coração.
E ela é mulher sei bem que não tem a vida fácil. O próprio marido é preguiçoso, mas em vez de nos ajudar mutuamente, mandou-me simplesmente aguentar e fechar os olhos à realidade. Mas até quando posso suportar? Só temos uma vida, e devemos vivê-la com leveza e alegria. Os obstáculos fazem parte do caminho, mas não devem ser eternos. O destino de uma mulher deveria ser viver com felicidade e amor, e nunca apenas suportar em silêncio.







