Eu aconselhei-te a parares depois do terceiro filho. Até te comprei uns comprimidos especiais, na esperança de que pensasses duas vezes antes de continuares. Parece que o meu esforço foi em vão.
Quantos filhos pretendes ainda ter? perguntou a minha sogra, Leonor, num tom sarcástico.
Podemos evitar o sarcasmo? Estás realmente chateada porque o Filipe te contou sobre a minha gravidez? respondeu Mariana, com serenidade.
Claro que sim! Disse-te que devias ter parado no terceiro. Até te comprei uns comprimidos, para te ajudar a pensar melhor. Mas pelos vistos, nada funcionou! queixou-se Leonor.
Já sabemos qual é a tua opinião, mas não vamos contrariar o rumo da vida disse Mariana calmamente.
Estão a fazer pouco de mim? Pois bem, não podem contar mais com a minha ajuda! gritou Leonor.
Mariana estava prestes a responder quando o telefone tocou, interrompendo-a.
Leonor nunca foi uma avó muito presente. Raramente visitava os netos, não passava tempo com eles e só lhes oferecia prendas ou doces no aniversário. Mariana e Filipe eram financeiramente independentes. Quando Mariana engravidou do terceiro filho, a sogra insistiu para que fizesse um aborto, mas eles recusaram e, com o tempo, Leonor acabou por se afeiçoar à neta. Mas agora, Mariana estava grávida novamente! Apesar das tensões, ela tentava não mostrar os desentendimentos em frente ao marido, contanto que a família estivesse bem.
Filipe tinha um bom emprego e Mariana trabalhava a meio tempo a partir de casa. À medida que o seu pequeno negócio crescia, chegou até a contratar uma ajudante para lidar com as crianças. Tudo correria perfeitamente, não fosse pela atitude de Leonor. Desde o início, a sogra nunca gostou dela e chegou mesmo a desejar o divórcio do filho. Mas as suas esperanças nunca se concretizaram. E os filhos foram nascendo, um atrás do outro.
Na opinião de Mariana, Leonor opunha-se ao nascimento do quarto neto porque acreditava que todas as finanças de Filipe iriam para a família e não mais para ajudar a mãe. Leonor, habituada a viver confortável, dependia do filho para pagar consultas médicas, idas ao spa e melhorias na casa. Agora sentia que estava prestes a perder tudo, incluindo o apoio financeiro. Só de pensar em privar-se dessas regalias, ficava revoltada.
Mariana esforçava-se por ignorar a negatividade constante da sogra, mas não podia deixar de sentir o impacto nas suas emoções. No entanto, era pouco provável que Leonor conseguisse mudar a decisão do casal. O quarto filho iria chegar!
Como devemos lidar com uma mãe que interfere assim na vida dos filhos? Acima de tudo, é preciso viver com respeito, compreensão e saber distinguir os desejos dos outros dos nossos próprios sonhos. A vida ensina que a felicidade não depende da aprovação alheia, mas da coragem de seguir o coração e de construir o lar à nossa própria maneira.







