A Felicidade Complicada

Felicidade Complicada

Como assim, vamos divorciar-nos? Diogo, estás a brincar?

Inês olhava para o marido, sem perceber nada do que se passava. Divórcio? Eles já estavam juntos há quase vinte e cinco anos! Daqui a duas semanas fariam as bodas de prata ou já não? Já tinham convidado toda a família, os amigos não paravam de telefonar a perguntar pelo presente ideal e já havia quem, como a melhor amiga, Mafalda, tivesse enviado seu presente pelo correio. Pena não vir, pois já está de barriga bastante visível e, com seis meses, não é fácil apanhar um avião de Luxemburgo para Lisboa. Que ficasse sossegada, pensava Inês quando voltasse, celebravam em dobro. Afinal, foi Mafalda quem apresentou Inês a Diogo, seu colega de curso, e a maior entusiasta no casamento deles. Bebam, que está tudo bem! gritava Mafalda, escondendo-se atrás dos ramos da noiva que Inês nem chegou a atirar, preferindo entregá-lo diretamente à amiga.

Não percebo porque é que o teu Nuno não se decide. Vai-te deixar escapar!

Para quê pressas, Inês? Mafalda ajeitava o cabelo de Inês. Tudo a seu tempo. Ele ainda não amadureceu. Para que quero eu um marido cruzinha já? Não quero acabar divorciada no segundo aniversário. Imagina: divisão da casa, dos filhos, dos pais, quando à altura me adorarem todos… Não, obrigada! Prefiro esperar pelos frutos maduros…

Tu planeias tanto à frente! ria-se Inês, vendo Mafalda dar largas à energia enquanto punha o batom.

Eu não sei viver pela metade. Se é para fazer, faço logo tudo!

E filhos, Mafalda? Logo assim de seguida? Não te contentas com um só?

Não! Quero gémeos! Sofrer uma vez e ter o pacote completo. E, nas nossas famílias, há precedentes. Vai-te preparando!

Mas depois ainda tens de criá-los todos…

É mais fácil criar dois do que um só.

Porquê? Inês sempre gostou das teorias práticas de Mafalda. Desde miúdas, Mafalda era a que nunca se deixava apanhar nas travessuras era perita em planear e proteger quem estivesse a brincar com ela. Só se alguém decidisse fazer diferente… aí ela afastava-se e via de longe a pessoa ser apanhada pelos pais.

É simples, Inês. Concorrência saudável, sempre supervisionada. Os irmãos brincam entre si e ainda dou uma lição à sociedade, a buscar um prémio de mãe do ano. Precisas de mais razões?

Não, não preciso respondia Inês, certa de que Mafalda realmente conseguiria tudo o que queria.

E assim foi. Só que, em vez de gémeos, Mafalda foi abençoada com trigémeos. Alguém lá no alto deve-se ter divertido com o seu pedido.

Mafalda desenrascou-se lindamente. Quando os miúdos demoraram a engordar o suficiente e tiveram de ficar mais algum tempo em vigilância, as avós e o avô pois o seu próprio pai já partira estavam sempre prontos para ajudar. Assim, Mafalda pôde regressar à faculdade e, quando Inês a confrontou, incrédula:

Perdeste o juízo? Como esperas dar conta de tudo?

Quem vai dar uma nota baixa à mãe de três? respondia Mafalda com um sorriso matreiro. Assim não fico com o cérebro atrofiado em casa. No fim, serei polivalente: economista e jurista!

Mafalda tirou o curso e conseguiu emprego. Garantiu à empresa que aceitaria o salário mínimo, pois precisava era de experiência, enquanto as avós ajudavam com os netos.

Preciso de aprender, Inês. Com muita teoria e pouca prática, ninguém me quer. Vou aguentar um par de anos em magro, mas depois vou eu escolher onde quero trabalhar.

Inês admirava a amiga e não sabia como é que ela conseguia ser tão eficaz, nunca ficando parada, como a própria Inês, que desde pequena tinha dificuldade em decidir-se até escolher que collants levar para o infantário era um drama.

Mas sabes, Inês, tu, quando decides, isso sim, é para ficar. És conservadora e os conservadores são sempre pessoas fiáveis!

Fiável Pois! Diogo bem percebeu isso dela… E então agora vem falar de divórcio? Para quê? Tinham vivido bem claro, lidar com a infertilidade era duro, mas haviam aprendido a viver com isso. Inês nunca conseguiu sentir que podia adotar uma criança. Não que lhe faltasse força ou meios, tinha era medo de não conseguir ser uma verdadeira mãe, amar como é preciso. Exigia algo mais do que vontade.

Apenas ainda não encontraste o teu filho, Inês. D. Maria Joana, diretora de um dos lares que a empresa de Inês apoiava, dizia-lhe isso enquanto observavam as crianças a brincar à volta da árvore de Natal. Tu o vês e não há volta a dar, nem problemas, nem dificuldades.

E se nunca vir? E se não for para mim? Inês desviava-se da árvore, arrumando os presentes que levara.

Então não é para ser. Mais vale assim do que falhar e fazer duas pessoas infelizes. Já cá vi muita história dessas. Olha ali o Miguel. Já foi devolvido duas vezes.

Como é possível? Tem só cinco ou seis anos! Quem faz uma coisa dessas?

Da primeira vez, era uma família sem filhos; quando nasceu um filho biológico, devolveram o Miguel. Da segunda, era uma família com já dois biológicos e mais três adotivos, o Miguel foi o quarto e não havia mais amor para ele. Acabou sentado a um canto, sem querer comer, só queria voltar para o lar.

Meu Deus…

É assim. Pediu para voltar porque não gostavam dele. O psicólogo tentou, mas não resultou. Voltou.

Melhor não o terem levado… Inês sentiu-se a afundar-se de tal modo que quase foi tratar dos papéis de adoção de Miguel. Teve de ser Mafalda a puxá-la de volta à realidade:

Tens a certeza que tens esse amor? Pensa bem. Isto não é só pena, senão acabas como todos os outros. Se quiseres experimentar, leva um dos meus uns dias, vês o que é, e decides.

Inês recusou. Nunca mais pôs os pés no lar, mas pensava em Miguel. Tornou-se para ela uma espécie de farol, a lembrar-lhe que é preciso viver de forma a não causar dor a ninguém. Aprendeu bem essa lição.

Inês abraçou-se, com frio. Mas estava tão frio porquê? Apenas era outono, e em Lisboa já tinham ligado o aquecimento! O que fazer agora? Ajudar Diogo a fazer as malas? Quais roupas devia ela pôr também as quentes? Ali o frio não dura, verão curto, o outono nem tanto, mas quem está habituada ao Algarve, nunca sente frio… De repente, percebeu o que queria: abraçar a mãe, ir para o Monte agora, caminhar dias nas serras do sul. Só as duas, sozinhas… Mas a mãe já partira. E agora sem Diogo, também.

Liberdade? Não precisava dela. Precisava do marido, do cheiro, do café de manhã, dos risos às três da madrugada, dos programas fora de horas para o teatro ou para Sintra. Nunca haviam sido de grandes planos. Os doces momentos eram sempre assim: espontâneos, imprevisíveis. Diogo ligava e dizia:

Inês, estás ocupada?

Imenso! Tenho entrevistas e depois o banco.

Deixa lá isso, vamos passear?

E Inês largava tudo. Uma hora depois, estavam num bosque, em silêncio, felizes.

Agora isso era passado. Só a ela restava a lembrança. Diogo seguiria para o futuro dele com a tal paixão nova, à espera de um filho… Um filho! Era isso então? Ou o que era falso foi o casamento todo? Aceitaria o primeiro, mas nunca o segundo… Porque isso faria dela nada. Se nunca o fez verdadeiramente feliz ao ponto de ele nunca pensar em ir-se embora…

Ela ficou sozinha na cozinha, encostada ao calor do radiador, tremendo. Ouvia os passos de Diogo, o barulho das gavetas, as portas a bater. Quando, finalmente, ele saiu e bateu a porta de entrada, Inês largou o parapeito, deixou cair o vaso que Mafalda lhe tinha dado e gritou.

Não melhorou. A terra preta e os cacos trouxeram-lhe estranha lucidez. Estava tudo preto. Tudo. Não havia luz, porque o seu sol tinha acabado de fechar a porta.

Restava-lhe apenas um motivo para continuar.

Tirou o telemóvel, ainda na mão, e chamou.

Mafaaa…

Nem era choro, era um lamento profundo. Mafalda percebeu logo.

Ele foi-se embora?

Sim…

Pronto. Espera por mim amanhã.

Nem penses! Estás maluca? Ficas aí! Se te acontece alguma coisa, eu nunca me perdoaria… Espera… Tu já sabias?

Desconfiava. Da última vez que vos vi, o Diogo nem me conseguia encarar. Tudo se encaixou agora. Inês, vai ficar tudo bem.

Não vai… Não me apetece viver. Perdi tudo! Tudo! A minha vida foi pelo cano abaixo. O que faço agora?

Compra um vestido!

O quê?

Isso mesmo. Aquele com que sonhas, caro. Vai já, veste-o e manda-me foto. Não fiques aí a remoer, não vai ajudar nada. Compra o vestido e depois vem para cima. Vamos para a serra, só as duas. Nada de dramas.

A tua gravidez…

Isso agora não interessa. Vamos para um hotel, sem grandes caminhadas. Eu preciso ainda mais que tu. Os miúdos estão fora em desporto e o Pedro vai a um torneio. Preciso de respirar. Em meia hora quero o teu número de voo. Não me stresses grávida!

Mafalda desligou e Inês ficou a olhar para o telemóvel, sem perceber.

A resposta apareceu sozinha. Inês foi ao espelho. Lá estava ela, todos os anos estampados no rosto, mas não era uma velha. A juventude ficou para trás, mas não era altura de desistir! Se Diogo achava que ela ia ficar sentada a chorar, enganava-se. Mafalda tinha razão.

Alisou o cabelo, limpou as lágrimas, tomou decisões rápidas. Cancelou tudo pelo telemóvel: restaurante, encomendas, festas.

Atirou-se à limpeza da cozinha. Esqueceu-se dos dois aspiradores foi buscar a vassoura e a pá.

O vestido assentava na perfeição. Vermelho, ousado, muito longe do conforto neutro dos tons pastel que vinha usando. Era ousadia de Mafalda, que sempre soube chamar as atenções pela diferença. Inês sempre preferiu observar.

Mas naquele dia, apeteceu-lhe aparecer. Afinal, não era nada insignificante.

O espelho mostrava outra pessoa. Cansada e triste, mas de pé. Havia algo nela que ninguém podia tirar. Não era capaz de se zangar. Talvez porque, no fundo, compreendia como Diogo chegou ali. Ele acabara por abandonar não uma mulher, mas um amigo, e isso é difícil…

O voo teve escala, mas até custou menos. Era distracção.

A viagem fez bem. Passearam juntas, falaram demais ou calaram-se e Inês foi sentindo a sombra a diluir-se. Mafalda, sempre prática, apontava-lhe novos caminhos.

Volta para o Porto. Que fazes sozinha em Lisboa? Negócio não te falta, centros infantis há sempre espaço. Estão a construir um bairro novo abre dez centros se quiseres! E o teu pai está a precisar de ti, não vês?

Inês concordou. Ao regressar, decidiu: era isso mesmo.

Divórcio, vender o apartamento e o carro, tratar dos papéis da empresa em que investiu tanto e nem sabia calcular. Tentou separar emoção de processo, encontrou-se umas poucas vezes com Diogo, mantendo sempre compostura, depois apagou-lhe o contacto do telemóvel e obrigou-se a esquecer.

O Porto recebeu-a com uma Primavera luminosa, cheiro a mar, árvores floridas. Ali a respiração era mais fácil. Comprou casa perto do pai, não com ele. Bastou uma vez apanhar a simpatia genuína de Dona Rosa, que já fazia parte da vida do pai, para perceber: era melhor dar espaço. Nada a dividir. O pai merecia. A mãe partira cedo demais, mas o amor não obriga a ninguém a viver no passado. A alegria genuína com que o pai tratava a horta, enquanto Dona Rosa punha a mesa para o lanche, só lhe fez bem.

O Artur não está nada mal, pois não, Inês? dizia Dona Rosa, com um brilho nos olhos, a mostrar que o amor existe: às vezes fácil, outras não. E às vezes, esconde-se muito bem.

Se o pai achou o seu amor tão tarde, talvez o amor de Inês estivesse por aí e ela ainda não o tivesse encontrado.

O tempo passou sem se dar por ele. Em dois anos, Inês abriu dois centros infantis no Porto, ocupações não lhe faltavam. Mudou muita coisa o cabelo, o guarda-roupa, até o cão com que sonhava há tanto tempo. Noites havia, contudo, que a tristeza regressava. Sentia saudades até do trivial: sentar-se à mesa da cozinha, o chá arrefecer e aguardar que Diogo entrasse, ligasse a luz e dissesse O que se passa? Fazemos chá e falas-me?

Sabia ser errado prender-se ao passado, mas não conseguia apagar essa parte dela. Não deixava Diogo ir-se embora de todo…

Quando, quase um ano e meio depois de vender o negócio, surgiu uma complicação fiscal, ela até ficou animada. Nova distração! Resolveu tudo num dia, sobrando o seguinte livre, antes do voo de regresso.

Visitou o bairro antigo, o parque onde tantas vezes tinha sido feliz. Um dos centros estava fechado, outro funcionava, via as crianças nos ateliers de desenho, os professores a fazer caretas de urso, as crianças a rir.

No caminho, sem saber porquê, entrou no parque. Sentado junto à fonte estava Diogo, com um carrinho de bebé. Só depois de chegar mais perto percebeu que era mesmo ele mais velho, os cabelos quase brancos, uma postura caída, a empurrar mecânica e distraidamente o carrinho.

Avançou sem pensar.

Diogo…

Ele estremeceu, meteu o pescoço entre os ombros, mas olhou para ela.

Olá, Inês.

Como estás?

Ridícula a pergunta, mas ficou e aguentou o olhar triste dele.

Estou mal, Inês.

Porquê?

Porque estou sozinho. Porque perdi tudo o que era bom na vida por uma estupidez. Tudo. Simples, estúpido, azelhice.

Estás a mentir. Inês olhou para ele, preparada para recuperar aqueles dois anos perdidos. Tens tudo. Mais do que deixaste para trás.

Apontou para o carrinho.

Menina ou menino?

Menina. Chama-se Eva.

Mulher nova, filha… Que mais queres?

Já não tenho mulher, Inês. A Rita morreu ao dar à luz.

Um aperto no peito atravessou Inês. Nem ódio, nem inveja: só pena daquela jovem Rapariga que quis arranjar vida própria. Ninguém percebeu o porquê daquela noite, em que Diogo, raramente dado a excessos, se deixou levar por Rita. Mas aconteceu. Agora Eva dormia no carrinho, e Diogo receava qualquer barulho.

Ficaram calados muito tempo. Quando voltaram a falar ao mesmo tempo, interrompendo-se perceberam que tanto havia para dizer, que Eva ainda acordou a tempo de ver as luzes do parque.

Inês inclinou-se para olhar a menina.

Quando encontrares o teu filho, entendes tudo! dizia-lhe o eco da diretora do lar, e Inês sorriu.

Meio ano depois, D. Maria Joana entrava com Miguel, sério, olhos escuros.

Miguel, sabes porque vim?

Vim, sim, porque é para me levar.

Querias viver comigo?

Não acredito que me leves a sério.

Olhou-a, quase sem interesse. A única chama viveu quando Inês mostrou fotos.

Este é o teu marido?

Era.

E esta é tua filha?

Não, não é minha.

A chama voltou. Inês não deixou sumir.

Não é minha filha, mas serei mãe dela. E de ti, se quiseres.

Vai devolver-me como todos.

Porquê?

Todos devolvem.

Eu não. Sabes porquê?

Não.

Sei o que é perder tudo, quando já não há ninguém que goste de ti. Dói muito.

Eu sei…

Sabes o que é uma mãe, Miguel?

Não.

É quem nunca permitirá que te magoem assim.

Tem pena de mim?

Inês olhou-o nos olhos e abanou a cabeça.

Não. Não quero ter pena de ti, quero amar-te. Quero que sejas feliz. E quero que a Eva tenha um irmão velho, forte, destemido. Que tal?

Miguel calou-se, mas curiosidade havia nos olhos. Passou com a mão pelo vestido vermelho da Inês, admirado. Ela sorriu.

Gostas?

Gosto muito.

Também gosto. Comprei-o num dos piores dias. E ajudou-me.

E eu gosto. E, olhando para ela, disse: Quero experimentar.

Não, Miguel. Aqui não há ensaios. Só se faz. Porque é o que está certo. E não te devolvo. Mas tens de prometer que me ajudas, que eu não sei bem ser mãe, mas quero aprender. Para ti e para a Eva. Ajudas?

Miguel assentiu devagar e Inês suspirou, finalmente aliviada.

Anos depois, numa serra, seguia uma família em fila índia. Um rapaz magro, cabelo escuro, olha pela irmã despachada, que só queria correr montanha acima.

Eva, há lobos na floresta!

Mentira!

E ursos! Grandes! Muito esfomeados.

Não têm mãe que lhes faça papa?

Não.

A nossa faz boa papa.

Pois faz.

Então leva-lhes um tacho, ficam satisfeitos.

Mãe! A Eva diz que os ursos precisam de papa!

De sêmola? Inês, esbaforida, apanha-os e adapta os passos pequenos da filha.

Ó mãe! grita Eva. Tu fazes papa com grumos… eles não gostam!

Que rabina! Inês pega-a ao colo. Mas talvez os ursos apreciem papa aos grumos!

Dá-lhes a minha amanhã! Eva pendura-se ao pescoço da mãe.

Gostava, mas também gosto de mel, como tu… Vais a pé ou ficas ao colo?

Ao colo!

Então, vai para o pai! passa-lhe Eva e faz festas ao Miguel. E que dizes tu à papa para os ursos, Miguel?

Mãe, eu ainda quero passear, e se ela começar a alimentar os bichos todos, não saímos daquele hotel! Que fiquem com fome por agora…

Todos riem. Inês olha para trás, sorri, e diz:

Eva, depois alimentamos os ursos! Tenho de aprender a fazer papa como deve ser.

Está bem! diz Eva, e Inês e Miguel trocam olhares cúmplices.

Olha a nossa filha! suspira Miguel.

Olha o meu rapaz! sorri Inês. Não podemos distraír-nos. Entre ursos e yetis, qualquer dia temos o hotel cheio de mascotes e filhos…

O riso ecoa pela serra, mistura-se com o vento. E o dia promete claro, limpo, com todos os cheiros e cores de uma vida por recomeçar.

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