Hoje decidi escrever sobre um episódio curioso que aconteceu depois de nos mudarmos para o nosso novo apartamento em Lisboa. Eu e a minha esposa, Margarida, finalmente conseguimos fechar o crédito e realizamos algumas obras para deixar o espaço mais ao nosso gosto. Depois de tudo pronto, passámos dias a transportar caixas, móveis e apenas um mês depois estávamos oficialmente instalados.
Querendo fazer amizade, decidimos conhecer os vizinhos. Convidámos o casal idoso do apartamento em frente para tomar chá connosco numa sexta-feira à noite. Achei estranho como beberam o chá rapidamente, quase de uma só vez. Mal souberam que Margarida era minha esposa e não minha filha, arranjaram uma desculpa para sair quase imediatamente.
Na manhã de sábado, ouvi baterem à porta. Abri e era um agente da Polícia de Segurança Pública. Pediu os nossos documentos o meu e o da Margarida. O estranho foi quando também apareceram o padre da paróquia do bairro, a pedir o nosso certificado de casamento. Ficámos mesmo surpreendidos. Como ainda estávamos a organizar as coisas, demorámos uns bons dez minutos a procurar e encontrar os papéis no meio da confusão das mudanças.
O polícia olhou para a Margarida com uma expressão de perplexidade, pediu desculpa por a acordar tão cedo e preparou-se para sair. Antes de sair, explicou que havia recebido uma denúncia de que naquele apartamento vivia um homem com uma menor.
Aí percebi por que motivo os vizinhos tinham abandonado o chá assim depressa: desconfiaram da Margarida ser minha esposa por ela aparentar ser tão jovem. Eu tenho 24 anos, ela tem 26, mas o seu rosto juvenil é frequentemente confundido com o de uma estudante secundarista.
Aqui em Lisboa, não vendem bebidas alcoólicas sem documento de identidade ou carta de condução. Na sexta-feira, Margarida usou duas tranças e, ao meio da tarde, tirou a maquilhagem ficou ainda mais com ar de estudante. A situação foi engraçada, mas deixou-me a pensar… Acabei por decidir cortar a barba para evitar parecer um pai de 40 anos a viver com a filha.
No fim do dia, percebi que é importante não julgar ou ser julgado apenas pelas aparências. E aprendi que um sorriso e bom humor ajudam a descomplicar até os mal-entendidos mais inesperados.







