“Este que não é o meu filho, parece mais uma fotocópia do teu amigo do que meu!” exclamou Filipe, indignado.
“Mas já fizemos o teste de ADN, isso devia chegar!” implorou Raquel.
“Mas como sei que o teste não foi aldrabado? Quem me garante?” retrucou Filipe, desconfiado.
“E onde é que arranjaria dinheiro para uma aldrabice dessas?” respondeu Raquel, já cansada.
“O teu ex foi quem te deu euros para me meter nesta confusão!” acusou Filipe, como se estivesse a resolver um mistério num café em Lisboa.
A acusação de Filipe caiu como um banho frio sobre Raquel, que ficou verdadeiramente magoada. Tentou explicar-lhe que todos os bebés são parecidos no início, mas Filipe não quis ouvir. Mandou-a embora e bateu a porta, como se estivesse num drama da telenovela.
Sentada no chão, com o bebé a chorar no colo, Raquel sentiu-se completamente perdida. Tentou acalmar o pequeno, mas levou uma eternidade até ele adormecer. Desolada e sem ideias, Raquel ligou à avó, que lhe sugeriu chamar o Marco, filho da amiga dela, para ajudar com a mudança.
Marco apareceu, prático como sempre, ajudou Raquel a arrumar as coisas, desmontar o berço e preparar-se para sair dali. Ela ofereceu-lhe um café, mas ele recusou, dizendo que preferia a bica da avó. Nos dias seguintes, Marco foi um verdadeiro apoio para Raquel, levando-a a fazer as compras e ficando por companhia nos momentos mais complicados.
Com o tempo, Raquel percebeu que os seus sentimentos por Marco estavam a crescer, entre um pacote de arroz e uma ida ao mercado. Acabaram por ficar juntos e, eventualmente, casaram-se. Mais tarde, Raquel teve uma menina, enquanto o filho foi crescendo e tornou-se uma imagem de marca do pai biológico igualzinho ao Filipe, só faltava o bigode.
Um dia, Filipe voltou a ver o filho e não conseguiu evitar aquele aperto arrependido de ter virado as costas e de ter estragado o que podia ter sido uma família. Foi uma descoberta amarga, e Filipe lamentou muito não ter tido mais juízo no passado.






