Escândalo numa Família Aristocrática Portuguesa

Escândalo numa família distinta

Isto é o fim! Lídia Correia pousou delicadamente um lenço branco nos cantos dos olhos e suspirou com tal tristeza que o marido, Ilídio Fonseca, ficou logo preocupado.

Lídinha, o que se passa? É das gotas?

Deixa lá as tuas gotas, Ilídio! Não percebes nada?! Isto é uma vergonha! Uma desgraça! A nossa família está toda desonrada! Olha para ela! Nem remorsos mostra!

A única herdeira dos Correia, de facto, não tinha ar de pecadora arrependida. Nem chorava, nem fazia dramas, nem caía em grandes teatros. Nada disso.

Letícia Correia comia cerejas. De pernas longas estendidas sobre a grade do terraço tão elegantes como, dizia a mãe, as da avó, prima-bailarina do Teatro Nacional de São Carlos Letícia tirava uma cereja do grande prato de faiança na mesa, levava-a à boca e depois lançava o caroço para o jardim, acertando quase sempre nos arbustos. Aquela atitude deixava a mãe à beira de um ataque de nervos.

Letícia! Pára já com isso! Acha que isto tem jeito?! Temos de falar a sério! E tu tu…

Lídia soltou os braços exasperada e retirou-se finalmente para tomar as tais gotas.

Letícia, filha, estás a brincar? Ilídio olhou a filha com esperança, antes de ir atrás da mulher.

Não, pai. Não é brincadeira. E diz à mãe que todas essas tentativas de arranjar casamento já estão condenadas ao fracasso. Não me caso com o Max, nem vale a pena insistir.

Estás a partir-lhe o coração!

Não exageres, pai!

Não queres reconsiderar?

Não, já recusei. Falámos hoje, ficou tudo resolvido. Se não percebeste, repito: não há casamento.

Ai, que desgraça…

Da sala vinham os lamentos de Lídia, que levaram Ilídio a socorrer a esposa, enquanto Letícia pegava noutra cereja, indiferente.

Meu Deus, o que vou dizer a todos?! Isto é uma catástrofe! Restaurante reservado, convites enviados!

Mãe, eu não te pedi para enviaste nada respondeu Letícia, tranquila. A decisão foi tua, paciência!

Isso é crueldade, filha! Eu só quis o melhor para ti!

Pois, e acabou como sempre. Tenho os meus próprios planos, lamenta quem quiser.

Letícia! A voz de Lídia fraquejou, ela chorou de novo. Que rebeldia é essa?!

Por agora, nada de mais Letícia ergueu-se, apanhou as chávenas de chá frias e ignorou as reclamações. Sei bem o que vais dizer! Sou capaz de lavar três chávenas sem as partir.

Letícia seguiu para a cozinha. Lídia encostou o lençinho a um lado, desabafando para o marido:

É igualzinha à tua mãe! Até fala como ela! Meu Deus, porquê isto?

A lendária avó, Regina Matias, nunca caiu nas graças de Lídia, especialmente no início do casamento. Como já não casara nova, achava que experiência não lhe faltava e a sogra devia, por isso, respeitá-la. Mas Regina tinha feito carreira no palco, e não via razões para mudar fosse o que fosse por ter agora uma nora.

Lídia, querida, que perfume é esse? sussurrava-lhe ao ouvido, torcendo o nariz nas suas costas.

É novo! Não gosta?

Talvez, querida, talvez. Mas não era preciso despejar o frasco inteiro. Bastava uma gota, não acha?

Lídia, dada a exageros nas fragrâncias, fechava-se então em copas.

Que mal lhe fiz eu? queixava-se ao marido. Porquê este tratamento?

Lídia, é assim com toda a gente! Não te irrites!

Que mude então de maneira! E pára lá de me chamar querida, não suporto isso!

Regina não alterou jamais o seu feitio. As suas tiradas certeiras e por vezes picantes desgastavam Lídia, sempre motivo para discussões e algum afastamento de Ilídio relativamente à mãe. Isso até ao dia em que, no Teatro, alguém opinou:

Lídinha, está uma senhora! É o dom de ter convivido com Dona Regina! Que estilo, que elegância, que figura! Até parece que lhe nasceu uma cópia tão encantadora!

Lídia detestou a comparação, mas o elogio soube-lhe bem. Querendo ou não, Regina era um exemplo de classe. E Lídia sabia tirar conclusões pragmáticas, sempre com alguma irritação, mas acertadas.

Mantinha distância, tratava sempre Regina com respeito. Depois do nascimento de Letícia, esqueceu qualquer mágoa. Regina idolatrava a neta e passava com ela todo o tempo que os pais permitiam.

Na família, todos ligados às artes, menos Lídia, era dentista havia paz e muito carinho. Letícia era mimada pelo pai e avó, sendo a mãe mais exigente, mas desejando para a filha uma vida melhor.

Do seu passado, Lídia nada contava. Ilídio sabia por alto, mas nunca a pressionou. Era homem sensato. Viu logo que certos temas era melhor não levantar, e Lídia agradeceu-lhe por isso. Cortando laços com o passado, investiu no presente.

Com a própria mãe, Lídia não falava. Existiam razões graves, mas ela não queria mexer em feridas antigas. Bastava o medalhão ao pescoço, onde guardava a foto do filho de caracóis lindos, que perdera. Mal conseguia abrir o medalhão… O pequeno Paulo tinha só dois anos quando a avó, encarregue dele, o deixou só por minutos para comprar leite. Um calor abrasador, janelas abertas e a cama pousada junto à janela para o menino dormir melhor…

A dor da perda quase destruiu Lídia. Não comia, não dormia, não pensava. Culpava-se por não ter interrompido o curso para cuidar do filho. Nesse dia, voltando de um exame, percebeu que a vida acabara antes de começar.

O casamento com o primeiro marido acabou logo a seguir. Passaram juntos três anos. Lídia logo percebeu que nem um filho podia salvar a relação. O divórcio foi uma questão de tempo.

Assim que ficou livre, fez a mala e saiu da aldeia onde crescera. Nesse momento, ao saber-se já não mãe, sentiu-se uma idosa pesada de dores. Tudo lhe parecia queimado, só restava cinza.

Foi então que apareceu Ilídio.

Ele chegou ao consultório com a face inchada, mão na bochecha.

Há quanto tempo está assim?

Já uma semana, doutora.

Já não é criança, homem! Tanta idade e não aprende.

Tem razão sorriu Ilídio, apesar da dor.

E naquele sorriso havia algo que fez Lídia calar-se, até trocou os instrumentos ela, sempre tão rigorosa! Corou de tal modo que Ilídio fechou os olhos para não a embaraçar mais.

Trabalhou em silêncio, e pela primeira vez desde Paulo, Lídia sentiu-se leve, quase terna no gesto.

Durante mais de um ano, Ilídio esperava-a à saída do consultório. Falavam pouco, mas ouviam-se bem. Quando Ilídio pediu Lídia em casamento, ela hesitou.

Sinto-me bem contigo Mas não sei se serei capaz de te fazer feliz

Porquê?

Não quero ter filhos.

Porquê?

Explico-te, mas sem pormenores. Depois, pensa. Se amanhã não voltares, entendo. Reflete. E fala com tua mãe. Não és muito chegado a ela? Pede-lhe conselho.

Ilídio não seguiu o conselho. Já era homem. E Regina nunca foi de se intrometer, só anos depois o faria por Lídia. Costumava brincar que, após a reforma do palco, ficou insuportável para a nora como nos anedotas. Porém, Regina só reformou-se jovem, casou e divorciou-se mais duas vezes antes sequer de Ilídio pensar em casar.

À mãe, Ilídio contou tudo sobre Lídia. Regina fumava o cigarro enquanto deixava as cinzas na chávena de café, ouvindo o filho sem o interromper, expressão cada vez mais carregada. No fim, suspirou e empurrou a chávena:

Gostas mesmo dela?

Amo-a.

Então porque pensas tanto? O amor é tesouro raro, filho. Não há preço que chegue. Tens de dar valor ao que tens nas mãos, sabes? O peso dele é grande, mas hás de encontrar forças. Vais ver.

Com isto, tudo ficou dito. Ilídio apresentou Lídia à mãe, que se deixou beijar na face e levou-a à sua costureira. Depois abriu um cofrezinho antigo, herança do avô.

Aqui estão as jóias dos Correia, Lídia.

Oh, não é preciso

É sim. Já és uma de nós. Usa-as, senão fico magoada. Só te peço que as uses com inteligência.

Como assim?

Olha, dizia a minha avó: diamantes no mercado só se fora no Bolhão, para deixar as peixeiras roídas de inveja e ainda ganhares desconto!

E Lídia reparou, entre risos, que ainda sabia rir, mesmo sem querer.

Regina ensinava-a, Lídia resmungava, mas lá no fundo era grata. Quando Lídia descobriu estar grávida, a primeira pessoa a quem contou foi Regina.

Estás com mau aspeto, Lídia. O que passa? Regina, regressando de viagem com novo marido, passou para saber do filho.

Ilídio não estava em casa. Regina tanto insistiu com Lídia até que esta se fechou na casa de banho. O tempo foi tanto que Regina logo percebeu.

Vais ter com a Sofia. É a melhor médica que conheço, podes confiar nela. Porque tens medo?

Não sei se vou aguentar

Lídia, nunca falei assim contigo nem vou repetir. Mas escuta: não sejas parva! Agradece a Deus ou ao destino, e vai em frente! Não tenhas medo, enquanto eu puder, cuido de ti e do teu filho. Percebeste?

Percebi obrigada…

Guarda o obrigado para mais tarde. Quando eu for uma velha chata e te massacrar com as minhas lamúrias, lembra-te deste obrigado e repete-o para mim. Combinado?

Letícia Correia nasceu a tempo e horas, cheia de saúde e a chorar com força. Regina recebeu-a à porta da maternidade, destapou o xaile rendado e exclamou:

Obra-prima! Bravo, Lídia!

Cumpriu o prometido; não houve melhor aliada para Lídia. Regina, conhecida por toda a Lisboa como diva e mulher das artes, atirava o seu caro casaco de pele para o sofá, arregaçava as mangas, enchia uma bacia de água e lavava fraldas com sabão azul, que jurava ser melhor que qualquer detergente. Dava banho a Letícia, cobria-lhe os pés de beijos e murmurava, como toda avó:

Minha riqueza, sempre com saúde!

Desavenças e mágoas ficaram para trás.

Por fim, Lídia encontrou o que tanto desejara lar e paz.

Nunca esqueceu Paulo, claro. Ilídio levava-a duas vezes por ano à terra natal, embora Lídia nunca pisasse a aldeia, nem via a mãe. Ficavam numa pensão do lado de Sintra. Lídia contava os dias para regressar.

Assim foi até Letícia fazer dez anos e Lídia receber uma carta da mãe.

Só Regina soube do conteúdo. Mostrou-lhe aquela breve mensagem, pedindo opinião.

Vai, Lídia. Esquecer não se consegue. Perdoar talvez também não. Mas é tua mãe. Lembra o que foi bom antes. E fala com a mãe que tinhas em menina, como a Letícia é agora. Somos todos humanos e erramos, às vezes sem volta. Tu, eu não há santos. Não estou a exigir perdão, faz o que conseguires. Mas sei que para ti esse encontro será preciso. Ou passas a vida a torturar-te. Não fará bem à tua menina. O que decidires, estou contigo. Pensa nisso.

No dia seguinte, Lídia despediu-se do marido, deixou Letícia com Regina e viajou para o norte.

O reencontro foi breve, a mãe só teve forças para apertar-lhe a mão e sussurrar: Desculpa.

Lídia regressou dias depois. Regina, ao entregar-lhe a neta, aprovou:

Fizeste o certo.

Parecia, então, que tudo estava em harmonia família unida, cada um no seu lugar. Mas não sentia sossego. As palavras de Regina colaram-se-lhe à pele, embrulhando-se nos medos de sempre.

Aquele receio, profundo e cego, só aumentava Ilídio percebeu e falou:

Proteges demais a Letícia, Lídia. Já é crescida, precisa do seu espaço. Mãe, pai, avó, sim, mas precisa mais do mundo.

O que queres tu de mim?

Peço-te que pares de vigiar todos os passos dela. Deixa-a respirar, precisa de liberdade.

Ah, é? Lídia virou fera. Tu não te importas com o que possa acontecer-lhe?!

Claro que me importo! Mas de que estás a falar?

Vejo o que vejo! Ela é rapariga, tanto pode acontecer, Ilídio! Não suportaria outra perda!

Mas porque devemos perdê-la?! Ilídio exaltava-se.

Porque tudo pode acontecer! Quem nos garante que não se repete?! Depois?! Quem fica doido? Servirá de consolo a alguém?!

Ilídio já só ergueu os braços: amava a mulher, mas o pânico dela minava a vida de todos.

Não tinha ideia do que fazer para a acalmar.

Foi Regina a encontrar a solução.

Levem a Letícia para dançar.

Para quê, mãe? Ela já salta de actividade em actividade…

Deixa isso. Dança. Em pares.

É mesmo preciso?

Uma necessidade!

Está bem, vou tentar!

Assim, Letícia começou aulas de dança. E ali conheceu Márcio.

Era um rapaz forte, desengonçado, levado à escola de dança pela avó. Foram postos juntos para praticar.

Vão praticando, são grandes para a idade, logo se vê diziam os professores, mal imaginando a fibra de Letícia.

Três anos depois, conquistaram o primeiro troféu juntos. Em mais dois anos, eram presença assídua nos torneios de dança de salão.

Márcio já nada tinha do antigo. Um jovem bonito e alto, cuja forma de olhar Letícia sugeria a todos uma paixão de bastidores.

Letícia, astuta, nunca confirmava nem desmentia, alheia ao plano secreto de Lídia para o futuro da filha.

Foi após o baile de finalistas que Letícia soube:

Já decidi, vou para Medicina.

Sempre boa aluna, Letícia demorou a escolher, ponderando tudo para não errar.

Filha, pensámos noutras opções para ti dizia a mãe, com um sorriso estranho, que arrepiou Letícia.

Que opções? Eu disse alguma coisa?

Não tens dito muito, realmente mas estive a falar com o Márcio e os pais dele.

E então? Letícia não percebia.

Temos três meses para preparar tudo. Um casamento no outono é tão bonito! Vou falar com a avó e verei que lugar arranja ela tem contactos.

Casamento?! Letícia semicerrava os olhos E quem casa? O Márcio?

Ó filha claro! São uma dupla perfeita, não só no salão!

Nem te passou pela cabeça perguntar-me? Letícia sorriu, amarga.

Achei que estavam todos de acordo, querida.

Não me chames de querida! disparou Letícia.

Agarrou no saco e saiu disparada de casa. Só ao fim da tarde Lídia soube que a filha fora para casa da avó.

Regina foi directa:

O que esperavas? Letícia não é boneca! Julgaste que podias manipulá-la como a uma boneca de porcelana? Veste-se, casa-se e pronto? Lídia, sempre te achei inteligente! Não te reconheço!

Não preciso! É minha filha! Quero-a feliz! Márcio gosta dela!

E ela dele? Regina riu Ou a opinião da tua filha não conta?

Eu é que sei o que é melhor! Ainda não sabe o que quer!

Pelo contrário. Letícia quer ser cirurgiã. Belo sonho, no meu entender. O que te incomoda?

Tudo! Que estude, está bem! Mas primeiro casa-se, assim fico sossegada!

Isso não é sossego, é prisão! Que defesa é essa? Queres engaiolá-la? Nem que a jaula seja de ouro, não é escolha dela, é tua. E tu percebes isso.

Não discutamos. O casamento acontece!

Pois sim! Regina sorriu sarcástica Desconheces a força da tua filha.

Letícia mostrou-lhe do que era feita. Depois da conversa no terraço, decidiu mudar de vida e instalou-se na avó, magoando profundamente Lídia, que se recusava a falar com ela. Só soube do sucesso de Letícia nos exames por Ilídio.

Lídia, já chega. Prefere passar as noites a chorar à almofada da tua filha, ou abraçá-la de viva? Porque é que insistes nisto? A Letícia perguntou por ti. Sofre também.

Claro! Como se ela se preocupasse comigo!

Lídia! Ilídio, pela primeira vez, elevou a voz. A tua filha é o teu reflexo! Desejaste-a tanto! Mudou tudo tão de repente que afastas, cruelmente e cegamente, quem te dá alento! Pensa! Não vês como sofres? Diz-me para quê! Não percebo!

Nem eu sei! desabafou Lídia Não sei como resolver, não faço ideia como recompor esta confusão Ilídio, não respiro sem ela Tens razão Dói tanto que só vejo escuridão. Perdi o Paulo, e agora temo tudo de novo

Basta! Ilídio segurou-lhe os ombros, agitou-a com firmeza Letícia está viva! E espera por ti! Vai!

Para onde?

À tua filha. E pára de acreditar que tudo depende só dos teus cuidados! Deixa que viva. Não é nenhuma rosa de cristal para ser selada a sete chaves debaixo de uma redoma!

Talvez tenha sido a firmeza do marido, talvez aquelas palavras que faltavam ouvir. O certo é que Lídia fez-lhe a vontade.

Reconciliação houve. O que Lídia conversou com Letícia no quarto de Regina ninguém soube. Só os olhos inchados e os rostos vermelhos de beijos deram a Ilídio a certeza de que as suas meninas tinham encontrado a paz.

Mas o destino decidiu que aquela paz era pouca festa para uma família distinta. Esperou, vendo Letícia caminhar teimosamente em direção ao sonho, e aprontou-lhe mais uma surpresa, que espantou até Regina:

Dra. Letícia Fonseca, temos um apêndice perfurado aqui!

Vou já Que remédio! Letícia terminou o café, espreguiçou-se e caminhou para as urgências. O turno estava quase no fim, mas não recusou a cirurgia: a experiência era importante.

Tu?!

Eu mesmo Márcio ainda sorriu, mas a dor dobrou-o.

Vais confiar em mim?

Claro!

Assim, sem testamento?

Letícia, és uma parva!

E que grande!

Três anos depois, Letícia empurrava o portão da casa dos pais e largava na calçada pela mão um rapazinho.

Vá lá, mostra à avó como corres! Mãe, apanha-o!

O pequeno Paulo gritava de felicidade, lançava-se nos braços abertos da avó.

Meu tesouro! Que alegria ver-te!

Olá mãe! A avó está em casa?

Qual quê! Lídia enlaçou o neto e sorriu Foi para o Algarve! Tem novo romance!

Ena, avó! Quem é?

Parece que é pintor ou escultor. Ou algo assim, nem me perguntes! Ela contará tudo quando voltar. E o Márcio?

Está a estacionar o carro.

Ótimo! A carne já está, o pai tira o bolo do forno. Lavem as mãos e venham para a mesa! Eu levo o Paulo para dormir!

Lá estás tu! Vais ficar ao colo dele a cantar!

E isso é mau? Lídia sorriu, beijando o neto.

É maravilhoso, mãe!

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Escândalo numa Família Aristocrática Portuguesa
„Ти тук си никоя, както и детето ти!“ – каза зълвата на съпруга ми. Елица се омъжи млада – баща ѝ намери съпруг за нея на 18-ия ѝ рожден ден. Семейството беше заможно – какво повече му трябва на човек, за да е щастлив? Сватбата беше шумна, цялото село празнуваше. Само младоженците се чувстваха не на място. Елица хареса младоженеца, въпреки че не го познаваше. Сестра ѝ нямаше такъв късмет – тя се омъжи за 40-годишен мъж от съседното село. Всички мислеха, че ще си остане стара мома, но баща ѝ ѝ намери жених и обеща зестра. Новото семейство се нанесе в дома на Петър. Малко пространство, но всичко наред. Главата на семейството каза, че като се родят внуците, ще разширят къщата. Свекървата не притесняваше снаха си, помагаше ѝ да свикне с новия живот на млада булка. Зълвата, обаче, имаше агресивно отношение към новата си родственица. Ана беше по-възрастна, но живееше с родителите си. Баща ѝ я омъжил, но след година зетят я върнал у дома с целия ѝ багаж. Беше истинска змия – не искаше да се грижи за семейство и дом. Така и заживя сама. Според старите традиции снаха става истинска господарка едва след като роди първороден син. Дотогава трябва да си седи кротко и да мълчи. Затова всяко момиче, попаднало в новия дом, се стреми да забременее възможно най-скоро. Елица избра същата стратегия. Докато не забременя, Ана я караше да върши най-тежките и мръсни работи, въпреки че на стопанството имаше наети работници. Но зълвата ѝ обичаше да се подиграва на бедната Елица. Когато Петър разбра, че ще става баща, сияеше от щастие. Свекърите се радваха и гордееха със снаха си. Същия ден купиха строителни материали за нова къща. Ана бе отчаяна: разбра, че цял живот ще остане при родителите си, никой няма да се ожени за нея, никой няма да ѝ построи дом… Минаха шест месеца. Елица бе събудена от силно тропане – Ана беше. – Защо лежиш? Свърши ли цялата работа? – В къщата – да, но мъжът ми не ме пуска навън. – Да, не те пуска, защото си мързелива! – Какво искаш? – На кого така ще говориш? Пробваш се да ме командваш ли? Напомням ти, че още не си родила, за да ме командваш! – Изобщо не съм помислила за това… – Ти тук си никоя, както и детето ти! Разбра ли? Ана се държеше като психопатка – започна да хвърля предмети по Елица и да крещи. Баща ѝ влезе в къщата и изведе беснеещата дъщеря. Елица погали корема си и се успокои. Всичко ще е наред. Всичко ще бъде наред…