Uma reflexão tão bonita… que até nos faltam palavras

Uma bela reflexão que quase deixa sem palavras

Uma mulher, de nome Leonor, que vivia há muito tempo em conflito com o marido, Francisco, sofreu uma paragem cardíaca. Perto da morte, apareceu-lhe um anjo e disse-lhe que, ao pesar as suas boas e más ações, ainda não podia entrar no céu. No entanto, o anjo ofereceu-lhe regressar à Terra por mais alguns dias para realizar as boas ações que faltavam. Leonor aceitou e voltou para casa, onde o marido já quase não lhe dirigia palavra estavam desavindos há meses.

Pensou consigo:
Talvez devesse tentar reconciliar-me com este homem. Ele dorme no sofá, já nem sequer cozinho para ele. Agora está a passar a ferro a camisa para o trabalho… Vou fazer-lhe uma surpresa.

Assim que Francisco saiu, Leonor lavou e engomou toda a roupa dele. Preparou um almoço delicioso, colocou flores e velas na mesa e, no sofá, deixou um bilhete:
Penso que te seria mais confortável dormires na cama que, em tempos, foi nossa. Na mesma cama onde o nosso amor trouxe ao mundo os nossos filhos. Na cama onde, em tantas noites, nos abraçávamos e afugentávamos juntos os nossos medos, sentindo um ao outro por perto. Esse amor ainda lá está, à nossa espera. Se fores capaz de perdoar os meus erros encontra-me lá.

Tua esposa

Ao escrever a última frase: Se fores capaz de perdoar os meus erros, Leonor pensou:
Estarei a perder o juízo? Sou eu que devo pedir desculpa? Ele é que chegava a casa mal-humorado, depois de perder o trabalho no armazém sem conseguir outro. Eu tive de gerir as poupanças e ainda suportar a raiva dele. Começou a beber, ficava horas no sofá, calava as crianças, que só queriam brincar. Gritava comigo sempre que eu dizia que não aguentava mais. Ele estragou tudo e agora sou eu que peço desculpa?

Em fúria, rasgou o bilhete. Nesse instante, ouviu a voz do anjo:
Lembra-te: faltam apenas alguns bons gestos para alcançares o céu. Caso contrário, não conseguirás lá entrar.

Pensou melhor:
Será que vale a pena?

E escreveu o bilhete de novo, acrescentando palavras de maior ternura:
Nada compreendia naquela altura. Não vi o teu medo quando perdeste o emprego, depois de tantos anos de estabilidade. Devias estar apavorado. Lembro-me dos teus sonhos acerca do que faríamos juntos quando reformados. Podia ter-te ajudado a concretizá-los, em vez de te obrigar a fazer serviços de táxi que tu nunca quiseste.
Recordo a noite em que destruí as tuas cartas de amor e queimei aquelas telas dos teus quadros. Irritava-me ver-te fechado no quarto a gastar dinheiro em tintas ou a escrever poemas para mim. Devia ter ajudado a vender aquelas pinturas eram realmente belas. Eu própria tinha medo. Só me sentia segura quando tinhas trabalho. Não percebi a tua dor.
Perdoa-me, meu querido. Prometo que, a partir de hoje, tudo será diferente. Amo-te.

Tua esposa

Quando Francisco regressou a casa naquela tarde, sentiu logo que algo mudara. O cheiro a comida caseira, as velas acesas na mesa, a sua música favorita a tocar, e o bilhete sobre o sofá.

Quando Leonor saiu da cozinha com a travessa nas mãos, viu-o a chorar como uma criança. Posou a comida e abraçou-o. Não foi preciso dizer nada. Choraram juntos. Nos braços dele, sentiu-se de novo em casa, e ele pegou nela ao colo e levou-a para o quarto. Fizeram amor com a mesma paixão do primeiro dia.

Depois, à mesa do jantar, riram enquanto recordavam as traquinices dos filhos em pequenos.

Mais tarde, ao limpar a cozinha, Leonor olhou pela janela e viu o anjo no jardim. Correu até ele, com lágrimas nos olhos:
Por favor, anjo, deixa-me ficar mais um pouco. Quero ajudá-lo a voltar a pintar, quero reconstruir o que destruí. Prometo que em breve estará feliz. Depois, irei contigo.

O anjo respondeu:
Não preciso de te levar a lado nenhum. Já estás no céu conquistaste-o. Basta lembrares-te do inferno onde viveste e perceberes que o céu está, muitas vezes, mais perto do que imaginas.

Nessa altura ouviu a voz do marido, vindo da sala:
Leonor, está frio, vem para a cama. Amanhã será um novo dia.

E pensou:
Sim graças a Deus, amanhã será um novo dia.

Para reflexão:

Tu, que te queixas do que não recebes já pensaste no que tens dado?
Tu, que sofres já pensaste no sofrimento que também causas?
Tu, que acusas os outros de ignorância já te avaliastes a ti mesmo?
Tu, que condenas os erros vês os teus próprios deslizes?
Tu, que te dizes amigo sincero és honesto contigo próprio?
Tu, que só vês o que te falta já reparaste no quanto tens?
Tu, que criticas o mundo já fizeste algo para melhorá-lo?
Tu, que sonhas com o paraíso o que tens feito para aliviar o inferno à tua volta?
Tu, que dizes ser humilde és verdadeiramente assim?
Tu, que condenas o mal tens semeado o bem?
Tu, que te queixas da indiferença mostras amor aos outros?
Tu, que temes a pobreza sabes valorizar o que tens?
Tu, que te magoas com espinhos já plantaste rosas?
Tu, que temes a escuridão já acendeste alguma luz?
Tu, que só olhas para dentro preocupas-te com os outros?
Tu, que sentes que és pequeno tentas crescer por dentro?
Tu, que tens medo da solidão dás a tua companhia a alguém?
Tu, que temes a doença cuidas da tua saúde?
Tu, que desejas paz procuras resolver os teus conflitos?

A vida nunca deixa de nos dar oportunidades de transformar o nosso mundo. Às vezes, o céu está mesmo aqui, nas pequenas ações de amor e reconciliação que semeamos ao nosso redor.

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