A sogra já não via a hora do avô partir. Sonhava em ficar com a casa.

Durante dez anos cuidei do avô do meu marido. Naquela altura, morávamos eu, os miúdos e o velho num apartamento arrendado em Lisboa. A irmã do meu marido, Mariana, morava no apartamento que era do avô. Ninguém queria saber dele nem a minha sogra, nem os outros netos. A verdade é que a minha vida nunca correu bem nunca acabei o curso, engravidei cedo e nunca consegui fazer carreira.
Os dias pareciam todos iguais: passava o tempo a correr entre cuidar do avô e criar os meus filhos.
O meu marido não suportava o ambiente tenso lá em casa e costumava desaparecer. Mas nenhuma mulher queria nada com ele tinha filhos, não tinha casa própria acabava sempre por voltar para mim. Perdoei-lhe, mesmo já não o amando. Fazia isso pelos miúdos e para assegurar o dinheiro de que precisava para sustentar as crianças e o idoso. Já a Mariana pouco nos visitava, e quando aparecia era sempre por uma razão: pedir ao avô a pensão dele ou lamentar-se da vida e das contas. Mas não era pobre, pelo contrário. Nem renda pagava vivia à custa do avô, o que lhes permitia passar férias fora de Portugal todos os anos.
Faz agora cinco anos, o avô deixou-me o apartamento em testamento:
Tornaste-te mais importante para mim do que toda a família junta. O meu neto é um fraco vai entregar o apartamento à mãe ou à irmã. Prefiro que fiquem lá os teus filhos, os meus bisnetos. Considera isto uma recompensa pelo que fizeste. Assim nunca me vão culpar de vos ter dificultado a vida.
Ninguém da família sabia disto. Quando a saúde do avô piorou, a filha e a neta começaram a aparecer, a fingirem-se preocupadas. Mas o velho não era parvo e percebia bem os motivos das visitas.
Depois do funeral, começaram logo a dividir a herança. A sogra e a Mariana convenceram o meu marido a abdicar do apartamento para que ela lá pudesse continuar a viver. Ele concordou mas ainda ninguém tinha lido o testamento.
No dia seguinte, o meu marido fez as malas, disse-me que tinha outra mulher e que só ficara comigo para eu cuidar do avô dele. Foi-se embora e senti um enorme peso a sair-me dos ombros. Assim que os familiares souberam do testamento, começou logo a guerra com ameaças.
Ouve bem, tu nunca vais ficar com aquele apartamento! Não sei como trataste do avô, nem como o enganaste para te deixar a casa, mas não lha vais ficar. Vais ver que te desmascaramos em tribunal!
Sabe uma coisa? Percebi que posso finalmente mandá-los à fava. Por isso, rua daqui!
As palavras deles já nem me magoam. Tenho a certeza de que agora sim vou ter uma vida normal arranjei trabalho, eu e os meus filhos temos a nossa casa, e o melhor de tudo é que já não tenho nada a ver com aquela família.
E tu, o que farias no meu lugar?

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A sogra já não via a hora do avô partir. Sonhava em ficar com a casa.
Muž si bez opýtania priviedol domov kamarátov, tak som sa zbalila a odišla prespať do hotela – samozrejme na jeho kartu