Zuzana žila omnoho bohatší život než jej kamarátka, a preto sa s ňou často delila o svoj majetok, dávala jej peniaze, keďže dobre zarábala. Ani len netušila, že takto nevedomky buduje veno pre jej manžela!

Navonok sa zdalo, že Zuzana je šťastná žena: bola matkou troch detí, ovládala niekoľko cudzích jazykov, pracovala ako analytička v banke, zarábala slušne, vyzerala dobre a mala vkus. Jej manžel, Peter, však už päť rokov sedel doma a neprejavoval najmenší záujem nájsť si prácu. Po narodení detí sa Zuzana vrátila do zamestnania a jej príjem im umožnil najať si spoľahlivú opatrovateľku. Bývali v byte, ktorý Peter zdedil po svojich starých rodičoch, no Zuzana si navyše vzala úver a kúpila jednoizbový byt, ktorý prenajímali, aby si uľahčila splácanie dlhov.

Zuzana bola od prírody súcitná a snažila sa Petrov údel pochopiť, trpezlivo čakala, kým si prácu nájde. Spoznala jeden manželský pár Rebeku a Dávida. Rýchlo sa s nimi spriatelili, trávili spolu dovolenky a užívali si spoločné chvíle.

Krutá rana prišla, keď Dávid vážne ochorel. Zuzana poskytla rodine finančnú aj duševnú podporu v ťažkých časoch. Nanešťastie, Dávid zomrel, a Zuzana Rebeku naďalej podporovala, posielala jej peniaze, aby jej aspoň trošku uľahčila smútok.

Z ničoho nič jedného dňa Peter Zuzane oznámil, že si našiel inú ženu a odchádza od nej. Zuzana ostala v šoku, nedokázala pochopiť ten náhly zvrat ani to, kto je jeho nová partnerka. Zlomená a zmätená našla útechu v byte svojej najlepšej kamarátky Rebeky. Tam videla aj Petra a všetko jej začalo dávať zmysel pravda o jeho skutkoch bola odhalená.

Vyčerpaná sa vrátila domov, kde ju čakalo telefonické obvinenie od Petrovej mamy. Tá ju vinila, že Petrova nechuť pracovať a jeho odchod sú jej chybou. Vraj uprednostnila kariéru pred rodinou. Tieto výčitky Zuzanu veľmi ranili a donútili ju pochybovať o vlastných rozhodnutiach aj o všetkom, čo pre rodinu doteraz urobila.

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Zuzana žila omnoho bohatší život než jej kamarátka, a preto sa s ňou často delila o svoj majetok, dávala jej peniaze, keďže dobre zarábala. Ani len netušila, že takto nevedomky buduje veno pre jej manžela!
Viúva Negra A bonita e inteligente Lília, prestes a terminar o curso de jornalismo na Universidade de Lisboa, conheceu o Vlad, homem bem mais velho. Naturalmente, foi Vlad que se encantou primeiro por Lília — elegante e delicada — e não hesitou em se aproximar. Vlad Pereira era uma personalidade conhecida em Lisboa: compunha músicas populares e aparecia frequentemente na televisão local, onde era amigo de quase todos. Não demorou para arranjar um emprego na televisão para Lília como apresentadora de um programa próprio. Em pouco tempo, ela estreou o “Conversas de Coração”, recebendo psicólogos e outros convidados para debater questões reais do cotidiano. — Parabéns, Lília! — elogiou Vlad, após assistir ao programa. — Isto merece uma celebração! Vlad, aos quarenta e cinco, já fora casado três vezes. Sua energia incansável, a legião de amigos e o gosto pela boemia faziam dele um péssimo marido. Achava-se praticamente um compositor consagrado, vivia em restaurantes, cafés e saunas. Bebia muito e era querido por toda a gente. Lília tornou-se celebridade em Lisboa, casou-se com Vlad e seu programa era sucesso. Estava sempre impecável, simpática e educada. Por trás dos bastidores, no entanto, o casamento era frustrante. O marido vivia alcoolizado e Lília percebeu que tinha apostado no homem errado. — Vlad, não exageres — alertou o amigo dele, Simão, quando Vlad tentava humilhar Lília estando embriagado. — Esta miúda ainda vai dar-te a volta… Vlad gostava de dizer: — Nunca escolhi mulheres inteligentes para casar. — E beliscava a esposa à mesa do café. Enquanto tentava conquistar Lília, era atencioso, dedicou músicas, ouviu seus sonhos. Mas depois que virou esposa, passou a ignorá-la e tratá-la como mais uma entre os seus animais de estimação. — Que ingénua fui em pensar que com ele seria uma estrela… — lamentava Lília. No Instituto, ela estudava francês, inútil para viajar, e Vlad estava sempre a criticar: — Aprende inglês! Para quê essa ruralice lá fora? Ginásio é perda de tempo, mas inglês, para ti, nunca sobra. Por birra, Lília ignorava o inglês, até que Simão, culto e viajado, afirmou num jantar: — O inglês é tão natural para uma mulher elegante como os saltos altos. No dia seguinte, Lília matriculou-se em cursos de inglês. — Simão, tu influenciaste mesmo a minha mulher. Agora só ouve inglês no carro! — comentava Vlad, divertido. O casal vivia num apartamento elegante, herdado do avô de Vlad, que fora professor de medicina. Tinham uma empregada fiel, Vera, de quarenta e três anos, mulher solitária, invejosa e amarga, mas discreta na presença dos patrões. Vera sabia tudo sobre a vida do casal. Numa manhã, Lília acordou sozinha, Vlad dormira bêbado no escritório. Na cozinha, Vera segurava uma garrafa vazia de bagaço: — A garrafa estava cheia ontem. E agora, como vai ser o pequeno-almoço? — Salmoura. — resmungou Lília, indo para o duche. Depois de sete anos de casamento, Lília nunca teve filhos; Vlad não queria, já tinha um filho do primeiro casamento. Desiludida com a vida a dois, Lília optava pela carreira. Pediu a Vera que acordasse Vlad, que estava desmaiado. Chamaram uma ambulância. Vlad foi direto para os cuidados intensivos. — É complicado, não garantimos nada — avisaram os médicos. À noite, ligaram a Lília: — O seu marido faleceu. — Não acredito, tão jovem ainda… — murmurou, arrasada. O funeral foi digno, Simão discursou, muitos compareceram. — Vlad viveu plenamente, merece agora descanso e liberdade. — Ele teve tudo… — sussurrou Lília, ouvindo o comentário das pessoas. No início, Lília estranhou o silêncio em casa, enquanto Vera aguardava pelo veredito — seria despedida ou não? No trabalho, os colegas diziam: — Lília, não tens com que te preocupar. Ficaste jovem, livre e rica. Vlad deixou contas robustas — divididas entre o filho e ela. Mas Lília também ganhava bem. Procurava companhia, não gostava de ficar sozinha, frequentava cafés de bairro. Um dia, após gravação de programa, parou num café perto de casa. Provava vinho do Alentejo, distraída, quando um homem robusto se aproximou: — Posso sentar? — ela anuiu. — Inocêncio, prazer. Por que tanta tristeza? — Só estou um pouco em baixo. Inocêncio, nos quarenta, moreno, traços fortes. Lília achou-lhe graça, parecia um urso de peluche. — Posso oferecer-lhe algo? Vinho, cocktail, pastel de nata…? — Obrigada, só um pastel. Inocêncio era encantador, cheio de histórias. Lília divertiu-se, combinaram novo encontro. No dia seguinte, dispensou a empregada: — Vera, podes ir, consigo bem tratar da casa. — Lília, depois de tantos anos… vais pôr-me na rua? — Vais encontrar outra família ou trabalho, Vera. A doméstica chorou. Lília reconsiderou: — Está bem, continua connosco. — Vera ficou radiante, abraçou Lília. — Gosto de vocês como família, sofri com a morte do Vlad, não me tires também a casa… Assim seguiram. Inocêncio, carinhosamente Kiko, passou a visitar Lília frequentemente. Apaixonado, pediu-a em casamento após três meses — ela quis cerimónia simples, mas na lua de mel partiram para as Maldivas. Inocêncio era empresário, podia oferecer luxo. Lília achou que seria apenas mais uma viagem medíocre, mas Kiko surpreendeu: primeira classe, barco privado, hotel VIP. Ficaram numa villa lindíssima com praia exclusiva. — Quanto terá o meu urso de peluche gasto nisto tudo? — pensava Lília. Nunca perguntou sobre fortuna, sabia apenas que não faltava dinheiro. Inocêncio era carinhoso, fazia tudo para ela, preparava pequeno-almoço reforçado. — O Vlad humilhava, implicava, pensava só nele. Já o Kiko vive para mim e escuta sempre. Adoro isso — pensava Lília. Vera também adorou o novo chefe e a mansão nos arredores de Lisboa. Um dia, Lília viu o marido usar uma seringa: — O que é isso?! — Só insulina, sou diabético. Mas levo vida normal. Na praia, Lília divagava: — Será que ganhei o prémio da sorte? Adorou o novo padrão de vida, mas sonhava com um marido atlético, não com um marido desajeitado. Sugeriu dieta e ginásio; Inocêncio entristeceu: — Tenho problemas de metabolismo. Nunca serei um Apolo… — Não faz mal, não precisa… — concluiu Lília. De volta ao trabalho, começou a sentir a ausência de paixão. Queria viver um amor intenso; desejava um homem musculado, não um urso de peluche. Os colegas brincavam: — Vives mesmo fiel ao urso? Tens mesmo essa moral toda? Na verdade, Lília não queria magoar o bondoso do marido. Num jantar da empresa, embebedou-se, e o colega Costa chamou o amigo Artur para ajudá-la a chegar a casa. — Podemos levar-te, Lília? — propôs Costa. Artur guiou-a até seu carro topo de gama, pediu-lhe o telefone. À porta de casa, beijou-a ardentemente. Lília gostou; Artur era seu amante ideal: vigoroso, direto, nada de sentimentalismos. Inocêncio estava sempre ocupado com negócios e não suspeitou das escapadelas. Um dia, Lília foi visitar Artur, mas durante os preparativos ouviram o interfone insistente. Era Inocêncio, que entrou e flagrou a esposa. Em choque, Lília tentou explicar: — Kiko… não foi o que parece… Artur calou-se, Inocêncio ficou pálido, desmaiou. Lília procurou a insulina e aplicou-lhe a dose. — Salvo! — pensava. Mas ele não acordou. Chegou a ambulância. O médico confirmou: — Está morto. A dor foi profunda. Artur levou-a a casa, Vera estranhou: — Que aconteceu, Lília? Estás branca! Lília ainda desconfiou que Vera a tivesse delatado, mas não confirmou. Depois do funeral, a filha de Inocêncio, advogada, apareceu e expulsou Lília da mansão, ameaçando-a com tribunal. Deixou-lhe uma mala cheia de dinheiro e três dias para sair. Lília não quis enfrentar litígios, recusou tudo. Com Vera, voltou ao antigo apartamento herdado de Vlad. Com o tempo, Lília recuperou, Artur apoiou-a, mas não pediu-a em casamento. Num dia triste, Costa ligou: — Senta-te… Artur morreu, acidente, instantâneo… Lília ficou a matutar: — Porque morrem todos os meus homens? Sou uma viúva negra… Vão acabar por me chamar isso. Uns meses depois, um jovem chamado Magno participou no programa de Lília. Após a emissão, convidou-a para um café. — Claro, iniciei nova fase — pensou ela. Magno conquistou Lília, viveram um amor arrebatador. — Afinal, é isto a felicidade. Receio só perdê-lo… — dizia. Magno também apaixonou-se, viviam intensamente. Lília procurou informações sobre ele por curiosidade: Magno era um dos mil portugueses mais ricos! — Não acredito! — riu nervosa, mas inquietou-se: — Espero que não lhe aconteça nada… Consolou-se e foi trabalhar. Até que soube no fim da tarde, por telefone, que Magno fora levado ao hospital por problemas cardíacos. — Vai ficar bem, vai viver, podem visitar — disse o médico. Na visita, Magno prometeu casar-se com ela. — Aceito! — Lília respondeu, beijando-o. — Temos uma vida e uma felicidade verdadeiramente genuína pela frente. Obrigada por ler, seguir o canal e apoiar. Felicidades a todos!