Há um certo tipo de pessoa com quem simplesmente não consigo conviver. São poucos aqueles que conseguem aguentar as chamadas pessoas tóxicas. Vou partilhar uma história que tem como base o que aconteceu a um amigo meu, segundo aquilo que ele próprio me contou e sentiu.
Tenho uma relação bastante próxima com uma familiar minha. Falamos sempre com sinceridade e costumamos visitar-nos mutuamente. Por isso mesmo, desta vez fui tomar um chá à casa da Teresa. Comprei um bolo de pastelaria e fui a caminho.
A verdade é que não escolhi a melhor altura, porque Teresa já tinha uma visita. Acontece que era a Lourdes que lá estava. A vizinha. Uma senhora de idade que bebe mais do que devia. Gosta de gastar a reforma quase toda em vinho. E como não aprecia beber sozinha, anda pelo prédio à procura de companhia para mais um copo. De resto, é mesmo muito inconveniente.
Procuro sempre evitar a Lourdes. Não suporto a maneira dela de ser. Fala sem pensar no que diz, não tem filtro algum e acaba por se tornar insuportável. Por isso, trato-a sempre de forma fria e distante. Ia já de saída, mas a Teresa insistiu para que ficasse. Não fiz grande caso, até porque não pretendia demorar-me muito. Enquanto o bule fervia no fogão, a Lourdes começou a tagarelar.
Nem toda a gente aguenta uma pessoa destas. Ora me deixa irritado, ora acabo às gargalhadas com tamanhas parvoíces. A Teresa tem gostos peculiares, pois se estivesse no lugar dela nunca deixaria entrar tal vizinha aborrecida em minha casa.
Decidi sair rapidamente dali. Estava farto de ouvir disparates. Mais tarde, a Teresa contou-me o que aconteceu depois da minha partida. Outra amiga foi visitá-la. Ao início tudo esteve calmo, até que Lourdes começou a armar confusão.
Acabou por haver discussão entre a Teresa e sua amiga.
Nem imaginas, o ambiente ficou tão mau por causa dela, que quase discutimos a sério. Foi a primeira vez que nos aconteceu uma situação destas…
Foi então que percebi verdadeiramente o que significa toxicidade. A Lourdes encaixa na perfeição. Com ela, uma briga aparece do nada. Toda a vizinhança se apercebia disso, ninguém mais queria lidar com ela. Só a Teresa tinha paciência para as manias dela.
Agora, a Teresa também começou a perceber o caso. Explicou-me:
Vê bem, eu e a Helena somos amigas chegadas há tantos anos! Já passámos por coisa e louvado. E agora a Lourdes, como se fosse profissional, consegue virar-nos uma contra a outra… Estávamos a discutir por coisas sem sentido. Até perguntei à Helena como se sentia e ela disse que parecia ter estado em transe. Achas que é possível?
A Teresa percebeu finalmente como as coisas são. Não vale a pena tentar agradar a toda a gente. Mais vale manter distância de mulheres destas. E eu, cheguei à conclusão de que sou feliz onde moro. No meu prédio, todos os vizinhos se dão bem.
Depois, Teresa contou-me que a Lourdes tinha-se mudado. O apartamento está à venda e agora ela vive com a filha. O motivo foram problemas familiares. No prédio voltou a reinar a paz. É impressionante Uma só pessoa tem realmente o poder de perturbar várias vidas ao mesmo tempo.
Ter boas pessoas à nossa volta faz toda a diferença. Desejo a todos uma família tranquila e vizinhos normais. Ninguém tem paciência de sobra para tanta excentricidade.







