Tenho vizinhos que são um casal de idade avançada. A filha deles, Mariana, vive com eles juntamente com as suas três filhas. Diz-se que ela ficou órfã de pai tudo porque tem três filhas, cada uma de um pai diferente. Sobre Mariana, contam que casou pela primeira vez com apenas dezoito anos. O rapaz da altura parecia completamente apaixonado por ela, e os pais dela não se opuseram, aceitaram a união. E, de facto, que pai não quer ver a filha feliz?
Viveram juntos cerca de cinco anos, mas, por alguma razão, não tiveram filhos. Logo as pessoas à volta começaram a comentar e a teorizar sobre o motivo. Como tantas vezes acontece, a culpa recaiu sobre Mariana. Diziam que, por ter tido uma juventude rebelde, talvez já não pudesse ter filhos.
Mariana não teve sorte com a sogra mulher das beiras, sempre lhe dizia ao filho que merecia uma esposa diferente, que toda a função de uma mulher era dar-lhe descendência. O filho acabou por dar ouvidos à mãe e deixou Mariana. Chegou a altura do divórcio, mas ela preferiu não tratar da burocracia para mudar o nome disse que deixava como estava, para evitar ainda mais contratempos e correrias.
Mais tarde, Mariana conheceu outro homem e, de repente, engravidou. Percebeu-se então que o problema não era dela, mas sim do primeiro marido. Contudo, de pouco importava isso agora. O bebé nasceu, mas o pai não aguentou a responsabilidade e abandonou-a de imediato. Sem alternativas, Mariana registou a filha com o apelido do primeiro marido.
A mãe de Mariana aceitou a neta sem reservas, adorava crianças e sempre desejou ser avó. O tempo foi passando, e, novamente, Mariana anunciou aos pais que esperava outro filho. Desta vez, ao menos tinha-se recasado. Infelizmente, o novo marido não queria ser pai tão cedo. Mais um azar. A bebé nasceu com alguns problemas de saúde; o pai, assustado, fugiu, nem sequer se deu ao trabalho de pedir o divórcio.
Passado algum tempo, Mariana envolveu-se com outro homem e resolveu ter mais uma filha, apesar da preocupação dos pais, que mal conseguiam alimentar tantas bocas. Mas ela não quis saber das opiniões e teve a criança. O pai, mais uma vez, não assumiu nenhuma responsabilidade. A filha ficou com outro apelido diferente.
Valeu-lhe que conseguiu comprar um apartamento, ajuda dos pais incluída. Depois de uma discussão acesa com eles, Mariana percebeu que tinha mesmo de arranjar forma de sustentar as filhas. Decidiu pedir pensão de alimentos. O que pensa que aconteceu? Nenhum dos pais se dispôs a reconhecer as meninas. Alguns escaparam, outros ameaçaram.
E assim ficou Mariana. Tem filhos, mas de que vale, se se vê constantemente numa situação ingrata? No fundo, esta história ensina-nos que a vida pode ser feita de escolhas difíceis e que, por vezes, a procura de felicidade sem ponderação pode trazer mais desafios do que alegrias. O apoio da família e a responsabilidade das decisões são essenciais para conseguirmos construir um futuro digno para nós e para quem depende de nós.






