Vou levar os meus netos! Vão ver só!

Acontece que eu e a minha irmã temos a mesma sogra.

Toda a gente gostava do meu marido, e ele era um homem de palavras fáceis. Namorava comigo, mas ao mesmo tempo lançava olhares à minha irmã. Quando o António soube que a minha avó tinha deixado o apartamento para mim e não para a Clarisse, pediu-me logo em casamento.

Nessa altura, a minha irmã já estava grávida, porque planeava casar-se com ele, queria obrigá-lo a assumir responsabilidade. Foi então obrigada a mentir ao ex-namorado, dizendo-lhe que o bebé era dele, só para garantir que ficava com um homem.

Eu e o meu marido vivíamos numa casinha pequena, junto dos meus sogros, nos arredores de Setúbal. Quando os vizinhos decidiram vender o terreno ao lado, o António convenceu-me a vender o apartamento e comprar o lote. Concordei, mas tivemos de fazer um empréstimo para construir uma casa.

A minha sogra sempre arranjava maneira de me pôr fora de casa. Apanhava qualquer pretexto, mimava a filha e dava-me ordens. Quando a nossa nova casa ficou pronta, ela deitou abaixo o muro e deixou entrar os cães, bem sabendo que eu tinha medo deles. Fazia questão de mostrar quem mandava. Por mais que eu pedisse ao meu marido para falar com ela, dizia-me sempre que eu estava a exagerar.

Cheguei ao meu limite. Avancei para tribunal para exigir a minha parte da casa e comprar um apartamento à parte. Só que, para minha surpresa, a única proprietária da casa era a minha sogra. A casa nunca esteve em meu nome. Não sei como conseguiram fazer este esquema, mas fiquei sem teto.

Nessa altura, o António descobriu que a minha irmã tinha recebido um apartamento do nosso pai e resolveu agir. Para lixar o casamento dela, foi contar ao marido dela quem era o verdadeiro pai da criança. Acabei por me divorciar dele e ele fez exatamente o mesmo à Clarisse.

Durante todo este tempo raramente falei com a minha irmã, por isso só soube por acaso que estavam juntos. Quando a Clarisse percebeu que foi enganada da mesma forma, sugeriu que nos juntássemos.

Investigámos junto dos vizinhos e chegámos à conclusão de que a sogra e o filho já tinham comprado cinco terrenos, sempre graças a mulheres ingénuas. Primeiro o António levava a mulher para casa, depois divorciava-se e ela ficava sem nada.

Contactámos outras vítimas, e redigimos uma ação judicial conjunta. No entanto, já não havia ninguém a quem processar o meu ex-marido fugiu para o estrangeiro. A sogra ficou cá e agora exige que lhe entreguemos os filhos, porque são os únicos netos.

Tentou tirar-nos os direitos parentais, alegando que não tínhamos casa própria. Cada uma de nós acabou por arranjar um sítio para viver, mas tudo o que aconteceu foi resultado das suas manipulações. Depois do tribunal, fomos obrigadas a deixar as crianças visitar a avó e a não impedir contato.

O pior é que a sogra põe as netas contra nós. No fim, a avó é a boazinha e nós as más. Sabota a nossa felicidade, mete-nos em problemas, ensina as netas a mentir sobre fumar e beber. Já nos deram um ultimato: se não lhes comprarmos um tablet, vão chamar a Segurança Social.

Vou ficar com os meus netos. Vocês vão ver! grita a minha sogra.

E nós? O que podemos fazer? Como enfrentar esta mulher que já tanto mal nos fez e não consegue descansar? O que aprendi é que, por vezes, o maior inimigo pode vir de dentro da própria família, e que precisamos ter coragem para proteger quem amamos, mesmo quando parece que o mundo está contra nós.

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