Eu e minha irmã Mafalda sempre fomos muito unidas desde pequenas, e a vida fez com que ficássemos ainda mais próximas ao longo dos anos. Ela mudou-se para Lisboa para fazer faculdade e acabou ficando lá depois de se formar, arranjou emprego e alugou um apartamento. Apesar da distância, nunca deixámos de falar uma com a outra. Mafalda vinha cá em todas as férias e conversávamos regularmente pelo telefone. Aos vinte anos, casei-me e tive uma filha. Há um ano, eu e o meu marido decidimos mudar-nos também para Lisboa, e por acaso alugámos um apartamento no mesmo bairro da minha irmã.
Mafalda tem agora vinte e sete anos e esteve sozinha todo este tempo. Isso sempre me surpreendeu, pois ela é uma mulher muito atraente e inteligente. Contudo, há pouco tempo anunciou com entusiasmo que finalmente estava a namorar alguém. Fiquei realmente feliz pela novidade e pedi-lhe imediatamente para conhecer o namorado. Ela sorriu de forma misteriosa e disse que ainda não era o momento certo.
Aquele encontro aconteceu cerca de um mês depois. O namorado, Artur, foi viver com ela, e a minha irmã convidou-me, junto do meu marido, para irmos lá jantar. No instante em que vi Artur, fiquei chocada. Ele parecia bem mais velho que os seus trinta anos, com traços marcados de quem provavelmente já tinha abusado do álcool. O aspeto dele era descuidado, quase como se fosse um sem-abrigo. Eu e o meu marido trocámos olhares surpreendidos. Mais tarde vim a saber que Artur estava desempregado e só tinha terminado o 9º ano de escolaridade.
Passei um bom tempo a tentar compreender porque é que a minha irmã, tão culta, bonita e com tanto potencial, escolheu estar com uma pessoa assim. Tentei conversar com ela sobre as minhas preocupações, mas Mafalda exaltou-se e pediu-me que não me metesse na sua vida. Disse até que tinha vontade de ter um filho com ele, o que me assustou imenso. Só de imaginar que ela poderia ser mãe de uma criança com aquele homem, senti náuseas. Era-me impossível perceber o que lhe passava pela cabeça, mesmo tendo consciência de que cada pessoa tem gostos diferentes. Para mim, simplesmente não fazia sentido.







