O meu marido não gostava do meu corpo cheio e deixou-me por uma mulher magra, mas cinco anos depois voltámos a encontrar-nos.

Depois de ter tido o meu filho, ganhei uns quilos a mais. O peso não subiu muito, mas O meu marido começou logo a reclamar, sempre com observações desagradáveis sobre o meu corpo e tudo à volta disso.

Em vez de me confortar com um Não te preocupes, querida, continuas a ser a melhor e esperar que eu recuperasse, ele decidiu afastar-se. Saiu porta fora com tanta força que, certo dia, não voltou mesmo mais. Fiquei, literalmente, com o bebé nos braços não preciso de vos dizer mais nada, acho que é suficiente.

Cansada de viver nessa tristeza, ganhei coragem para regressar à minha vida. Adotei um cão chamado Bolota e comecei a fazer corrida matinal com ele pelos jardins da cidade. Passei a dedicar-me aos exercícios abdominais. Moralmente, foi bastante duro, mas pelo menos distraía-me dos pensamentos negativos. Fui-me habituando à rotina do desporto e, quando arranjei um trabalho, inscrevi-me finalmente num ginásio.

Diferente dos treinadores do centro municipal onde ensaiava, o instrutor do ginásio era uma pessoa dedicada e paciente. Após alguns anos a treinar regularmente, não só recuperei a minha boa forma física, como consegui até melhorá-la bastante pelo menos uma vez e meia! Voltei a gostar de mim própria, comecei a apreciar o meu corpo.

Num dia qualquer, a regressar a casa com o saco de desporto ao ombro e ainda vestida de fato de treino, reparei que o meu ex-marido estava à porta do meu prédio. Trazia flores e um saco de pastéis de nata Estava a tocar à campainha, mas o nosso filho não lhe abria. Quando percebi que estava mesmo ali, na minha frente, vi que tinha nas mãos a oportunidade que muitos abandonados sonham ter…

Fazer com que ele se arrependesse profundamente. Prendi o cabelo num rabo de cavalo, ajeitei-me rapidamente, estiquei-me e caminhei confiante até ele

E sabem o que foi que me disse? Desculpe, menina, mora aqui? Consegue abrir-me a porta?

Ri-me com ironia, tapei o rosto com as mãos e, sentindo uma sensação de triunfo quase impossível de explicar, afastei-me Disse alguma coisa engraçada? perguntou ele, visivelmente chateado Por que se está a rir? E eu, de cabeça erguida e expressão séria, respondi-lhe: No registo civil, quando prometeste amar e proteger Ainda não tive vontade de rir! Ele fitou-me de cima a baixo. Tens dez segundos para sair deste prédio disse-lhe friamente. Posso ao menos ver o nosso filho? implorou. Sai… vai embora! Fiquei a vê-lo afastar-se, sempre a olhar para trás Mas não adiantou nada. Os sonhos concretizam-se se realmente quiseresSaí do portão, sentindo o sol tocar-me no rosto. O Bolota veio a correr e saltou nas minhas pernas, como se quisesse celebrar comigo aquela liberdade conquistada. Peguei no meu filho ao colo e seguimos juntos para o parque, rindo e conversando sobre as aventuras do dia. No fundo, percebi que há recomeços que não dependem de outros e sim de nós mesmos.

Naquele instante, soube: a felicidade estava bem ali, entre o cheiro da relva cortada, as gargalhadas sinceras e o carinho do meu fiel Bolota. O passado? Deixei-o para trás na calçada, junto das flores amassadas. Porque o amor que me faz falta, aprendi enfim, vive em mim e nas pessoas que caminham ao meu lado. E é esse amor que escolho todos os dias.

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O meu marido não gostava do meu corpo cheio e deixou-me por uma mulher magra, mas cinco anos depois voltámos a encontrar-nos.
- Espere, – disse ele.