Quando me casei com o meu marido, sabia que ele tinha uma filha do casamento anterior. A mãe dela mudou-se para outro país, deixando a menina ao cuidado do pai. Infelizmente, o relacionamento entre eles era distante; os pequenos presentes que a mãe enviava de longe não preenchiam o vazio de sua ausência. Lembro-me que, no início, a menina vivia com a avó paterna, a minha sogra, mas acabou por vir morar connosco.
Alimentei sempre a esperança de construir uma relação próxima com ela, mas apesar de todos os esforços, nunca conseguimos realmente entender-nos. Ela vê-me como alguém de fora e não responde às minhas tentativas de aproximação. Pelo contrário, tenta impor a sua vontade, recorrendo ao apoio da avó e do pai sempre que não consegue o que deseja. Fico frustrada porque esperam que cuide dela e a eduque, mas não tenho autoridade para tal. O meu marido e a minha sogra não a corrigem nem estabelecem limites, deixando-me a mim o peso de lidar com o seu comportamento difícil. Com o tempo, ela tornou-se mimada e descontrolada.
Eu acabava por passar muito tempo com ela, já que o meu marido trabalhava até tarde e a minha sogra vinha apenas de vez em quando. A sensação de estar sobrecarregada era constante e desejava poder tirar um tempo para mim ou dedicar-me ao meu trabalho. Contudo, sou criticada por não ser tão paciente ou carinhosa como esperam que eu seja. Se não exercessem tanta pressão sobre mim, talvez tivesse sido possível criar uma ligação mais harmoniosa entre nós.
Hoje, olhando para trás, lamento ter casado com um homem que já tinha uma filha; fico chocada com o seu comportamento, a preguiça e a desordem. Sei que jamais poderei ocupar o lugar da mãe dela, e sinto que nunca serei vista como uma verdadeira mãe. As coisas ficaram ainda mais complicadas quando engravidei e percebi que não há volta a dar.
Diante desta situação, elaborei um plano para incentivar a menina a escolher viver com a avó pareceu-me a única saída. Espero que esta decisão venha a proporcionar um ambiente mais saudável para ambas.







