Cavaleiro—empresário foi ao restaurante sem carteira para testar se eu era interesseira. Não me perdi… Veja o que fiz…

O restaurante onde Ernesto me convidou para o nosso segundo encontro era um cenário tão luxuoso que até o ar parecia feito de veludo: a luz dourada, os garçons deslizando entre as mesas como sombras fluídas, e ele, perfeitamente integrado, vestindo um fato elegante, um relógio reluzente, e aquele meio sorriso presunçoso de quem acha que comanda qualquer universo.

Escolhe o que quiseres disse ele, largando a frase com indiferença, sem sequer olhar para o menu. Detesto quando uma mulher se restringe.

Parecia uma cena de conto com príncipe generoso, mas algo em mim ficou inquieto. Talvez pelo seu olhar avaliatório, talvez pela maneira entusiástica com que falava das ex-namoradas que só viam nele uma carteira.

Escolhi uma salada de pato e um copo de Alvarinho. Ernesto foi mais ousado: pediu bife, tartar, uma garrafa de tinto requintado. Discursava sobre negócios, criticava a superficialidade do mundo, filosofava sobre valores e conexão espiritual. Eu ouvia, assentia, mas sentia-me como numa prova, onde a qualquer instante poderia surgir uma pergunta traiçoeira.

Um palco, um ator só

Quando o empregado pousou a conta numa carteira de couro preta, Ernesto continuou a falar sobre a decadência da moral. Com lentidão estudada, procurou no bolso do casaco, depois noutro, e até bateu nas calças. Sua expressão mudou: da confiança para uma perplexidade artificial.

Raios… murmurou, olhando-me nos olhos. Deve ter ficado a carteira no escritório ou no carro.

Abriu os braços, teatralmente aflito, mas não se via verdadeiro nervosismo. Não pediu ao empregado para esperar, nem pegou no telemóvel para resolver com um MBWay. Apenas olhou para mim.

Que situação absurda, disse, recostando-se. Será que me salvas? Pagas e eu logo te devolvo. Ou no próximo jantar, com juros.

Naquele momento, ficou claro: não era acaso nem esquecimento. Era um teste, como ele próprio delirava há minutos.

Já tinha lido histórias assim em fóruns, visto em novelas baratas, mas nunca pensei experimentar na pele, vinda de um homem adulto e aparentemente bem-sucedido.

A lógica era elementar: se a mulher paga sem questionar, é boa, conveniente, pronta a salvar e suportar. Se recusa, é interesseira, caça dinheiro. Ali à minha frente, o empresário revelava-se manipulador a brincar de examinador.

Na sua visão, o prémio de o ter como par deveria fazer com que eu sacasse o cartão sem hesitar.

Frieza sob medida

Abri a bolsa calmamente, sem pressa. Ernesto relaxou, achando que o plano estava a funcionar.

Claro, sem stress, disse suavemente, acenando ao empregado.

Divida a conta, por favor pedi clara e firme. Pago o que consumi. Quanto ao bife feito, tartar e o vinho, que fique a cargo do cavalheiro.

O sorriso evaporou-se do rosto dele.

Como assim? sibilou, aproximando-se. Não tenho carteira contigo.

Percebo confirmei, aproximando o telemóvel ao terminal. Mas mal nos conhecemos. Pago por mim, é o normal. Um homem que me convida a um restaurante caro e pede os pratos mais dispendiosos desculpa, mas não é a minha responsabilidade. És adulto, tenho a certeza que resolves.

O empregado hesitou, trocando olhares. Ernesto começou a corar, a postura vigorosa a desmanchar-se em nervosismo.

Estás mesmo a fazer isto? murmurou. Só por dinheiro? Eu devolvia tudo depois. Era só para te testar.

E já testaste, respondi, levantando da mesa. Sou alguém que não permite ser manipulada.

Saí em direção à rua, mas senti que faltava um toque final. Ele continuava sentado com a conta por pagar, irritado e perdido, sem carteira.

Voltei à mesa, tirei umas notas amassadas e moedas soltas que andavam na mala.

Pois, acrescentei. Se a carteira ficou no carro, também não deves ter dinheiro para o táxi?

Coloquei as moedas ao lado do copo do vinho caro.

É para o metro. Não te preocupes, chegas lá. Considera uma contribuição ao teu estudo do espírito feminino.

Alguns clientes olharam. Ernesto parecia ter levado uma bofetada.

Sai para o exterior.

Aquele jantar custou-me só uma salada e um copo de vinho preço pequeno para desvendar quem estava ao meu lado e poupar anos da vida. Espero que tenha aprendido, mas certos tipos raramente mudam.

E tu, o que farias? Salvavas o esquecido ou manterias uma posição dura mas justa?

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Cavaleiro—empresário foi ao restaurante sem carteira para testar se eu era interesseira. Não me perdi… Veja o que fiz…
O meu irmão olhou-me nos olhos, à frente de toda a família, e disse: “Já não tens lugar nesta casa”, como se eu não tivesse crescido nestas mesmas divisões.