Vamos ficar na tua casa por um tempo, porque não temos dinheiro para arrendar um apartamento! – Foi o que o meu amigo me disse.

Olha, vou contar-te uma história que aconteceu comigo e que não vais acreditar! Sabes que sou uma mulher super ativa, mesmo com 65 anos. Não consigo ficar parada, adoro passear por Lisboa ou Porto, encontrar lugares novos, conhecer gente. Sempre me lembro daqueles tempos da juventude, com aquele misto de alegria e saudade. Era tão fácil ir de férias para qualquer lado! Podia-se apanhar um comboio para a costa da Caparica, ir acampar com os amigos no Gerês, fazer uma viagem de barco pelo Douro E era tudo com uns tostões, percebes? Coisas que hoje em dia já não acontecem assim.

Sempre gostei mesmo de conhecer pessoas novas. Encontrava gente interessante na praia, no teatro, e mantive amizade com muitos durante anos a fio.

Uma vez aconteceu uma cena surreal! Estava eu em casa com o meu marido, quando, às quatro da manhã, bateram à porta. Ficámos sem saber o que fazer, imagina! Abri a porta e lá estavam seis pessoas: a Sara (sim, aquele nome que só existe cá), duas adolescentes, uma avó e um senhor. E trouxeram uma montanha de malas, como se viessem viver para cá! Eu e o meu marido só nos olhávamos, sem perceber nada. Deixámos entrar o pessoal, porque, afinal, quem somos nós para deixar alguém na rua a essa hora?

E a Sara, toda despachada, vira-se para mim:
Então, porque não foste embora para nos dar espaço? Mandámos uma mensagem, não era claro? Além disso, táxis custam dinheiro!
Olha, desculpa, mas eu nem sabia quem nos tinha mandado aquilo! disse eu toda atrapalhada.
Tínhamos a tua morada, ora. Aqui estamos! respondeu ela como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Mas pensei que íamos só trocar umas cartas de vez em quando, mais nada

Depois a Sara explicou-me que uma das raparigas tinha acabado o liceu este ano e decidiu entrar na faculdade. O resto da família veio para apoiar.

Vamos ficar contigo! Não temos dinheiro para pagar uma renda e tu vives perto do centro!

Fiquei em choque, acredita. Nem éramos família, nunca pensei ter de acolher tanta gente. Eles trouxeram alguma comida, mas nem sequer cozinhava ninguém. Fui eu a tratar de tudo três refeições por dia!

Passados três dias, já não aguentei. Pedi à Sara e à família dela para procurarem outro sítio. Já nem me importava para onde iam! E aquilo virou um drama pegado. Começaram a gritar, a partir louça, foi uma histeria total.

Fiquei completamente pasmada com o comportamento deles. Acabaram por sair, mas, imagina, conseguiram levar o meu roupão, alguns toalhas, e até uma panela grande cheia de caldo verde! Não faço ideia como conseguiram tirar aquela panela sem ninguém ver. Deve ter desaparecido por magia!

Оцініть статтю
Додати коментар

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

two × 5 =

Vamos ficar na tua casa por um tempo, porque não temos dinheiro para arrendar um apartamento! – Foi o que o meu amigo me disse.
Olá, sou a amante do seu marido. Afastei a revista de design que estava a ler e encarei a loira elegante que apareceu à porta do meu escritório. Ela sorriu com superioridade e anunciou: — Tenho más notícias para si — estou grávida, obviamente do seu marido. Perguntei de forma profissional: — Tem comprovação médica? — Ela sorriu vitoriosa e tirou da sua mala de couro cara um papel com carimbo azul. Estava bem preparada. Examinei o documento atentamente. Era verdadeiro, o que não me surpreendeu. Quando se vai dar uma notícia destas à esposa do amante, falsificações baratas não servem. — Muito bem — concordei. — Parece que está mesmo grávida. Agora só falta fazermos um teste de paternidade para confirmar que é do meu marido e ficará tudo resolvido. A loira começou a vacilar: — Resolvido como? — perguntou hesitante. Expliquei, com toda a calma: — O meu marido assumirá a pensão, eu trato de lhe arranjar um bom médico, reservo uma clínica de topo para o parto — pode ter o bebé descansada, sem preocupações. Ela perturbou-se: — Não está a perceber? O meu filho precisa de um pai! Fui condescendente: — Os nossos três filhos também precisam de um pai e, felizmente, têm-no. Mas não se preocupe, o meu marido vai ver o seu bebé, pode até levá-lo à escola. Pode deixar o seu filho connosco de vez em quando — temos excelentes amas e eu adoro crianças. Assim terá tempo livre para organizar a sua vida. Acredite, ter tempo quando se tem um filho é difícil. A loira levantou-se num gesto brusco, apertando a mala entre as mãos. O rosto bem maquilhado distorceu-se: — A senhora não entende? Eu tenho um caso com o seu marido. Estou grávida dele. Ele já não a ama, agora ama-me a mim! Fiquei séria. Senti pena daquela jovem, mas a vida rápidamente quebra ilusões românticas, mesmo nos que sonham apanhar um marido rico sem esforço. — Querida, é a quarta que me aparece assim. A primeira nem trouxe comprovativo, a segunda e a terceira tinham papéis falsos… Houve até uma em que a paternidade não se confirmou. Nunca negámos apoio a ninguém, mas falsidades nem o meu bondoso marido tolera. A loira estava perdida, mas continuei: — Quanto ao seu caso com o meu marido, ele também dorme comigo e com outras candidatas. Não seria justa se o impedisse destas fraquezas, até porque isso não afecta nem a mim, nem aos nossos filhos… Deixe o seu contacto, amanhã ligo-lhe para marcar o teste de paternidade. Ela saiu a correr, nervosa. Acendi um cigarro. Já esperava este encontro, conhecendo o novo caso do meu marido. Aguentei tal como os anteriores, apesar de não ser fácil. Seria muito mais simples fazer uma cena e deixar o meu marido rico e bem-sucedido fugir para outra. Foi assim que ele deixou a primeira mulher por mim, quando anunciei a gravidez à sua esposa. Ela fez um escândalo, ele odiava gritaria e lágrimas. Casou comigo, afinal eu estava mesmo grávida. E depois tive mais dois filhos. No fundo, sempre soube que quem trai uma vez trairá sempre. Podem surgir novas candidatas a esposa. Mas nunca vou repetir o erro da anterior mulher dele, nem dar oportunidade às próximas. Aguento-me. Eu consigo.