No fim de semana passado, eu e minha esposa fomos à casa dos pais dela, em Lisboa, para um jantar de família. Foi aí que tudo se complicou.
O início foi como de costume: sentámo-nos à mesa e conversámos sobre vários assuntos. Mas, de repente, apareceu a conversa sobre o meu trabalho, puxada pela minha esposa.
O tema não era completamente fora de contexto. O fato é que andávamos a falar, há meses, sobre construir uma piscina junto à casa dos meus pais, ali em Sintra. Era um sonho antigo nosso, e este ano a minha esposa decidiu que não valia mais a pena adiar.
Além disso, tínhamos pensado em trocar de carro antes do inverno começar. E no verão queríamos finalmente viajar para o Algarve, porque há três anos que não íamos à praia. Só que lá em casa era apenas eu quem trabalhava.
Sempre fui tranquilo com a minha situação profissional, não tenho nenhuma razão de queixa. Só que, ultimamente, a empresa onde trabalho anda com problemas, despediram alguns colegas e os salários dos restantes foram cortados, sem prazo para voltar ao normal.
Por isso, disse aos presentes que temos alguns euros guardados, mas só seriam suficientes para uma viagem modesta à praia e, se o preço não aumentar, para comprar o carro mais barato que estávamos a considerar.
A minha esposa, porém, deixou claro que queria dar prioridade à piscina dos pais dela, esquecendo as nossas próprias vontades. Eu não concordei, e ela acabou por me acusar de falta de vontade e de não procurar outra profissão para garantir dinheiro para tudo.
Na mesa, repetiu-se a mesma discussão. Perdi a calma e disse de rompante que os pais dela já recebem uma ajuda mensal considerável da nossa parte. Revoltado, acabei por mencionar que, provavelmente, todo o jantar era quase pago por mim.
Não deveria ter dito aquilo, mas foi irreversível. Na altura, tinha um prato de caldo verde à minha frente e foi com isso que a minha esposa começou um discurso emocionado. Ficou tão magoada que ouvi muitas coisas desagradáveis sobre mim. Não aguentei por muito tempo, levantei-me em silêncio e fui direto para casa.
Quando cheguei, arrumei as coisas dela e levei para a casa dos pais, em Cascais. Acho que com esse tipo de atitude a minha esposa não deveria conversar assim nem comportar-se daquele jeito; para mim, isso não é aceitável. Agora estou sozinho em casa, com a cabeça vazia, sem saber o que fazer daqui para frente…







