Levámos a cunhada e o filho connosco de férias. Arrependemo-nos mil vezes. E o mais insultuoso é que não foi a criança a causar problemas, mas sim a própria cunhada.

Eu e o meu marido estamos a ir de férias para a praia. Já há alguns anos que costumamos passar uns dias no litoral, sempre com alguns amigos nossos, cada um com o seu carro. Nós gostamos de acampar à moda antiga. Escolhemos um trecho sossegado da costa e montamos as tendas. Durante o dia, aproveitamos o mar, apanhamos sol e tratamos das tarefas do acampamento. Quando anoitece, juntamo-nos todos à volta da fogueira, tocamos guitarra e cantamos, enquanto saboreamos um copo de vinho verde.

Este ano, a minha cunhada Matilde juntou-se a nós, trazendo o seu filho de dois anos e meio. Ficaram os dois, juntamente com a minha sogra, no nosso carro aceitas ou deixas.

Infelizmente, acabámos por aceitar. Antecipando já o desfecho, digo-vos: o problema não foi o miúdo, mas sim a Matilde. As complicações começaram logo na viagem. A Matilde estava sempre a pedir para pararmos de hora a hora: sentia-se cansada e precisava de esticar as pernas. Por isso só chegámos quando os nossos amigos já tinham tudo montado e até já tinham dado uns mergulhos.

Mal chegámos, começou a segunda parte do drama. A minha cunhada desatou a reclamar: Não fico a dormir aqui!.

Porquê? Avisámos-te que íamos acampar à moda antiga!
Pensei que selvagem queria dizer que íamos tratar nós próprios do alojamento, não que íamos alugar um quarto em hotel por fora.
Então para que achas tu que trouxemos sacos-cama e tendas?, resmungou o meu marido.
Pensei que era só por tradição…

Acabámos por ter de lhe arranjar um quarto para alugar. Depois, o meu irmão teve de a ir buscar e trazer à praia todos os dias, e levá-la de volta à noite. Mas não ficou por aqui: ainda tinha de levá-la aos cafés, ao mercado, e tomar conta do filho, enquanto a Matilde descansava do seu grande esforço.

Aliás, todos nós cuidávamos do rapaz. E a verdade é que ele não dava trabalho nenhum: era obediente, brincava, mergulhava no mar, comia tudo o que lhe dávamos e dormia bem na tenda durante a sesta. Bem diferente da mãe, que estava sempre insatisfeita.

No próximo verão, já sabemos: a Matilde não vem connosco, de certeza. Mas se os pais dele pedirem, talvez venhamos a trazer o nosso sobrinho connosco ele sim, é mesmo especial.

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Levámos a cunhada e o filho connosco de férias. Arrependemo-nos mil vezes. E o mais insultuoso é que não foi a criança a causar problemas, mas sim a própria cunhada.
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