«És apenas um trabalhador!» Ela deixou-o por causa da roupa suja, sem imaginar quem ele realmente era
Diz-se que “o hábito não faz o monge”. Mas, por vezes, esta velha expressão transforma-se numa armadilha que pode custar-nos aquilo que há de mais importante. Hoje quero partilhar convosco uma história que mudará a forma como olham para as pessoas à vossa volta.
**CENA 1: Vergonha à porta do edifício envidraçado**
O sol refletia-se nas janelas do moderno edifício de escritórios em Lisboa. À entrada, estava uma mulher elegante, cujas roupas valiam tanto quanto um apartamento pequeno em Cascais. Contudo, a sua expressão era de puro desprezo. Encarava o homem à sua frente ou melhor, olhava para as botas pesadas, ainda marcadas de lama, e para o capacete amarelo que ele segurava.
**MULHER:** «Olha para ti! Cheio de pó! Já te tinha pedido para trocares de roupa antes de vires ao meu trabalho!»
**CENA 2: Serenidade diante da fúria**
O homem nem pareceu incomodado. Sacudiu calmamente o pó do blusão de ganga e fitou-a nos olhos.
**HOMEM:** «Vim direto da obra. Acabámos de finalizar os alicerces.»
**CENA 3: Um fim cruel**
A mulher deu um passo em frente e baixou o tom, espreitando nervosamente à volta não fosse algum colega importante assistir ao que se passava.
**MULHER:** «Não quero saber. És apenas um pedreiro. Não posso ser vista com alguém assim. Esquece o meu número!»
Virou as costas para sair com garbo, mas nesse momento as portas do edifício abriram-se com estrondo.
**CENA 4: Reviravolta**
De dentro, apressado, saiu um homem de fato caro e tablet debaixo do braço. Sem sequer olhar para a mulher, correu diretamente para o operário.
**HOMEM DE FATO:** «Senhor Gouveia! Espere! Os investidores já estão prontos para o passeio de helicóptero ao *seu* novo edifício.»
**CENA 5: Revelação**
A mulher congelou. Virou-se, incrédula e de boca aberta. Senhor Gouveia? O dono do edifício?
O homem sorriu de lado e atirou o capacete para as mãos do assistente.
**FINAL**
A mulher tentou recuar, a voz tremente:
«João eu eu não fazia ideia. Porque nunca disseste que o projeto era teu?»
João Gouveia olhou-a, mas os seus olhos estavam frios, desprovidos do antigo carinho.
**HOMEM:** «Queria saber se me amavas ou só o meu estatuto. Agora já sei.»
Endireitou o blusão, que até há pouco ela achava de lixo, e acrescentou:
**HOMEM:** «Aliás, não te preocupes em apagar o meu número. Sou eu que te vou bloquear. Fica bem.»
Deu meia-volta, caminhando com confiança para o elevador que o levaria ao heliporto, de onde já se ouvia o motor do helicóptero. Ela ficou sozinha no passeio, consciente de que acabara de deitar fora não um pedreiro, mas a hipótese de uma felicidade genuína.
**Lição de vida:** nunca julgues um livro pela capa. Por detrás de roupas sujas pode viver alguém que constrói cidades; atrás de fatos caros, pode não haver nada de valor.







