“Anjo com um Segredo”

Anjo com segredos

Nuno estava sentado à mesa da cozinha, na casa da mãe, abraçado a uma chávena quente de chá. O olhar dele brilhava com um entusiasmo inusitado, e um sorriso sonhador surgia-lhe nos lábios de vez em quando. Não conseguia parar de falar DELA daquela rapariga que há pouco surgira na sua vida e a tinha virado do avesso.

Ela é mesmo um anjo! exclamou ele, inflamado, olhando a mãe. A admiração vibrava-lhe na voz. Tão meiga, tão boa, tão bonita… Olho para ela e custa a acreditar que esteja do meu lado. O que é que ela viu em mim? Eu sou só um rapaz normal. Não sou ninguém especial.

Mafalda, sentada em frente, ouvia o filho com atenção. O rosto iluminou-se-lhe com um sorriso quente e compreensivo. Há muito que notava uma mudança em Nuno parecia mais leve, mais feliz, como se dentro dele tivesse acendido uma nova faísca. Agora, ali estava a certeza: o filho estava realmente apaixonado.

Oh, meu menino Estás completamente perdido de amores! riu ela, recostando-se na cadeira. Então, quando é que me apresentas essa tua namorada?

Nuno hesitou por um segundo, desviando os olhos. Por dentro, misturavam-se ansiedade e um ligeiro receio. Queria que tudo fosse perfeito, que a mãe compreendesse como aquela rapariga era especial para ele.

Espero que em breve disse, voltando a fitá-la. Ela quer esperar um pouco. Diz que conhecer os pais é um passo muito sério. Primeiro quer ter a certeza de que isto é real.

Mafalda assentiu, sensível à precaução da rapariga. Sabia bem como há coisas na vida que não se podem apressar as relações têm que seguir o seu caminho natural.

Olha que tens de a convencer sugeriu, afagando-lhe com ternura o cabelo, impecavelmente penteado.

Nuno afastou-se, fingindo indignação.

Ó mãe, não faças isso! protestou, endireitando rapidamente o cabelo. Não sou um miúdo!

Mafalda limitou-se a rir, os olhos cheios de calor e carinho.

Venham cá no sábado propôs, mudando de tom para não prolongar as brincadeiras. Faço um bolo. Não tenho clientes marcadas. Vou finalmente tirar um dia de descanso.

Nuno pensou por instantes, a balançar na cabeça todas as possibilidades. Percebia que era a ocasião perfeita para dar à mãe o encontro por que tanto esperava.

Está bem concordou enfim, numa voz decidida. Vou tentar convencê-la. Sábado parece-me um bom dia.

Mafalda trabalhava há anos em casa como manicure. A sua salinha pequena e acolhedora era um mini-salão: mesa organizada, prateleiras cheias de vernizes coloridos, uma cadeira confortável para as clientes. Por ali tinham passado centenas de mulheres, cada uma com a sua história.

Havia as tímidas, que mal ousavam dizer como queriam as unhas. Havia as faladoras, que mal se sentavam já iam a dissertar sobre a vida, sem parar um segundo. E havia as exigentes, que inspecionavam os instrumentos, lançando críticas com sobranceria. Mafalda encontrava sempre a palavra certa firme mas educada, sabia escutar e mudar de tema quando necessário.

Mas uma cliente destacava-se-lhe na memória: Luísa. Aparentava ser uma rapariga perfeitamente comum. Discreta, arrumada, sem nada de extravagante no visual. Falava baixinho, olhava tranquila, sorria de lado. Vinha sempre pontual, preferia tons suaves e romanceados, nunca discutia preços. Mafalda tinha-lhe estima percebia-se ali uma mulher simples, generosa, sem manias.

Porém, num certo dia, enquanto Mafalda desenhava cuidadosamente o motivo escolhido, Luísa quebrou o silêncio, divagando e falando de si. E pouco a pouco, foi erguer-se um retrato surpreendente.

Tenho três filhos disse Luísa, num tom neutro, enquanto observava as unhas.

Mafalda ficou imóvel com a lima na mão, apanhada de surpresa.

A sério? Onde estão eles?

Um ficou com o pai, outro está numa instituição respondeu Luísa, sem emoção e o mais novo está comigo. Mas não por muito tempo.

O silêncio caiu, pesado, na sala. Mafalda tentava digerir o que ouvira, mas Luísa já continuava, como se falasse do tempo.

Sabe, os filhos podem ser uma boa forma de resolver a vida. O segredo é saber escolher bem o homem.

Sem pestanejar, explicou a estratégia que regia a sua vida. Nunca quis casar. Procurava homens financeiramente estáveis, geralmente comprometidos. Começava uma relação, esperava que crescesse o envolvimento e depois engravidava.

Quando eles querem evitar problemas com a esposa, pagam muito melhor dizia, ajeitando uma madeixa de cabelo. Temem que tudo venha ao de cima. Preferem pagar pensão, ajudas, qualquer coisa para me ver longe.

Falava disto como quem partilha uma receita. O filho, depois de nascer, tornava-se um instrumento para resolver a vida cumprida a função, já era só um estorvo.

Foi assim que organizei a minha vida disse, como se respondesse à pergunta muda no olhar de Mafalda. E na voz não havia dúvida ou remorso. Pode-me julgar. Mas com vinte e cinco anos já tenho casa própria em Lisboa, carro novo, e o meu próprio pequeno negócio. E a senhora? O que tem? É o dobro da minha idade. Passa os dias a arranjar as mãos de outras, que tiveram mais sorte! Eu gasto num jantar mais do que a senhora faz numa semana!

As palavras cortaram Mafalda, mas ela esforçou-se por se controlar. Respirou fundo e perguntou baixinho, mas com firmeza:

Mas são os seus filhos, Luísa. O seu sangue. Como é que consegue virá-los costas assim?

A voz quebrou-lhe de tão sincera a perplexidade. Como pode alguém renunciar ao que de mais precioso existe? Àqueles pequenos seres que olham para nós e, desamparados, nos chamam mãe?

Luísa encolheu os ombros, rindo-se:

Dar trabalho, educar crianças, não é para mim. Lá, ao menos, no lar, pode ser que encontrem uma família a sério. Que sejam adotados por uma mulher que queira ser mãe. Porque eu não quero.

Dizia aquilo como se discutisse vernizes. Mafalda estremeceu e Luísa, ao notar-lhe o olhar, reagiu imediatamente:

Não me julgue! Nunca quis ser mãe. Não nasci para isso. Trocar fraldas, ouvir gritos, noites sem dormir Não aguento!

Não havia arrependimento na voz apenas convicção. Sentou-se com pose elegante, ajeitou o pulso do casaco caro, como se tivesse estado a falar de futilidades.

Mafalda pousou os instrumentos lentamente. Por dentro, um turbilhão de emoções raiva, compaixão. Mas que poderia dizer? Haveria palavras que pudessem mudar aquilo?

Tem mesmo a certeza de que está a fazer o certo? arriscou, na esperança de ouvir alguma hesitação.

Luísa limitou-se a rir.

O certo é o que me dá conforto e dinheiro. O resto pouco importa.

Mafalda não conseguia esconder o choque. Fitava-a, como se procurasse decifrar aquele coração de gelo. Custava-lhe aceitar tamanha frieza ante o destino dos próprios filhos.

Como é que chegou a esse ponto? escapou-se-lhe, carregado de desgosto.

Luísa deu de ombros. Naquele dia, apetecia-lhe falar. Não o faria às amigas julgariam-na. E nunca mais pisaria aquela casa. O dinheiro dela abria outras portas. Pena, na verdade: a manicure de Mafalda era insuperável. Mas outros profissionais não lhe faltavam. Engraçado como as mulheres a trabalhar em casa conseguem resultados melhores do que nos salões de luxo.

Nem foi planeado continuou, olhando para as mãos. Tinha dezanove anos e apaixonei-me. Sinceramente. Por um homem casado. Para ele, eu era só passatempo.

Caiu o silêncio, como se Luísa revivesse esses dias. Mafalda não ousou interromper.

Quando percebi, já estava quase no fim da gravidez. Era tarde para voltar atrás. Tive o bebé. Ele comprou-me um apartamento, só para não causar problemas em casa. Levou o filho para lá, não faço ideia como explicou depois tudo à mulher.

Nenhum lamento, nenhum pesar apenas cálculo.

Aí percebi ergueu ligeiramente o queixo que havia oportunidade. Podia garantir o meu futuro assim. Porquê rejeitar tal sorte?

Fez uma pausa breve. Não era fácil confessar. No fundo, havia dentro dela algo vulnerável, doloroso, mas tapava com indiferença.

Hoje sustento-me sozinha rematou, com firmeza . Não preciso de homem nenhum, de ajudas. Talvez até encontre alguém decente, case-me, tenha um ou dois filhos pelos motivos certos. E seja feliz.

Dizia isto sorrindo, pintando um quadro perfeito de futuro. Mas, nos olhos, por um instante, brilhou um lampejo disfarçado qualquer coisa incerta, logo apagada pela máscara de arrogância.

Mafalda demorava-se no trabalho, sem levantar os olhos. Controlava-se para não descarregar em Luísa tudo o que pensava. Só no aperto silencioso dos instrumentos lhe escapava a tensão.

Nunca tens receio que descubram o teu passado? Que descubram a tua crueldade? Porque não lhe posso chamar outra coisa disse por fim, sem raiva, só com amargura.

Luísa sorriu friamente, atirando a cabeça para trás. Os olhos cintilaram, meio troçando, meio desafiando.

Desapareci do mapa respondeu. Mudei-me de cidade e até de região. Ninguém sabe nada. Amigas nem sonham. A minha mãe? Não quero saber dela e ela também não de mim. E quem pode contar? A senhora? perguntou, sarcástica.

Mafalda sentiu uma fisgada interior. Arrumou a lima, ergueu-se com decisão.

Não tenho tempo nem vontade para andar a espiar ninguém! Não faço mexericos! atalhou, ofendida. Essa é a tua vida. Só te deixo um conselho: tudo o que é escondido acaba por vir ao de cima, por mais que se tente apagar o rasto.

Inspirou fundo e retomou o profissionalismo:

Termine-se aqui. Está satisfeita?

Luísa demorou uns segundos a responder. Olhou as unhas, passou o dedo pelo verniz perfeitamente aplicado, procurando um defeito. Não havia.

Satisfeita atirou, fria, sacando do porta-moedas umas notas e pousando-as na mesa. Não volto cá. Hei-de encontrar outra manicure. Adeus. Aliás, até nunca!

A voz era dura, sem remorso. Levantou-se, pôs a mala ao ombro, saiu apressada. Mafalda seguiu-a com o olhar, calada.

A porta fechou-se suavemente, devolvendo à casa o silêncio. Só o tique-taque do relógio preenchia o ar. Mafalda recolheu os utensílios e guardou-os metodicamente. Continuava a pensar em Luísa, nos filhos dela, em como cada pessoa vê a felicidade e a responsabilidade à sua maneira.

Nunca mais a viu. Às vezes lembrava-se daquela conversa, mas prometera a si mesma não ficar presa ao passado cada um escolhe o seu caminho, e com ele carrega o peso das próprias decisões.

*********************

Mafalda andava a magicar como apresentar melhor o filho à possível nora. No apartamento de Lisboa, tudo lhe parecia demasiado apertado, prosaico. Mas na casa do campo aí sim! O cheiro das flores, o churrasco ao ar livre, o barulho do vento nas árvores, a mesa posta na varanda tudo criava um ambiente descontraído, perfeito para o primeiro encontro.

O dia chegou. Desde manhã, Mafalda não parava: limpava, organizava, espalhava flores, preparava entradas. Atirava olhadelas nervosas ao relógio. Não era só uma apresentação era o sinal de que Nuno crescera, que estava apaixonado, talvez a sério, talvez pela pessoa certa.

Nuno também mal parava. Corria pelo jardim, endireitava a cancela, varria o caminho, alinhava cadeiras, sempre a perguntar: Falta alguma coisa? Precisas de ajuda? Mais alguma coisa? Mafalda tranquilizava-o, sorrindo: Está tudo perfeito, filho! Mas por dentro sentia a mesma ansiedade.

Quando chegou a hora, Nuno vestiu a melhor camisa, alisou o cabelo, e anunciou:

Vou buscar a Luísa. Chegamos daqui a meia hora.

Fico à espera respondeu ela, tentando parecer calma.

Ficou a deitar mais uma olhada a tudo: a toalha branca, o cesto de fruta, o ramalhete do campo. Parecia-lhe tudo acolhedor. Respirou fundo, reprimindo o nervosismo. Era a primeira vez que o filho levava tão a sério uma relação. Das outras vezes, mal as raparigas pisavam a casa. Agora agora até comprara um anel. Ela sabia Nuno contara-lhe de véspera, radiante.

Meia hora passou num instante. Mafalda esperava à porta, atenta à estrada. Finalmente viu o carro de Nuno aparecer. Estacionou, abriu a porta e, do lado do pendura, saiu uma rapariga esguia, loura de olhos azuis, de vestido branco. A brisa brincava-lhe no cabelo solto, a roupa leve acompanhava-lhe os passos.

Nuno deu-lhe a mão e caminharam juntos rumo à casa. Mafalda sentiu um aperto no peito, ao ver os dois: o filho, tão feliz, e aquela rapariga, tão leve, quase irreal.

Quando chegaram mais perto, Mafalda quis decifrar-lhe as feições. Havia ali algo familiar, mas os óculos de sol enormes impediam-na de ver bem. É mesmo um anjo, pensou, vendo ali o retrato das palavras felizes do filho.

Mãe, esta é a Luísa apresentou Nuno, encorajando a namorada a dar um passo em frente.

Mafalda sorria-lhe, envolta no aroma das tílias, sob o céu dourado do fim-de-tarde. Ia dizer-lhe como estava bonita, mas de repente, Luísa parou bruscamente.

Os gestos tornaram-se lentos, quase mecânicos. Tira os óculos de sol e, nesse instante, Mafalda reconheceu-lhe os olhos os mesmos que lhe tinham contado aquela história arrepiante, meses antes.

Luísa virou-se para Nuno. Os lábios tremeram-lhe, mas a voz foi firme e implacável:

Temos de terminar.

Nuno empalideceu. Avançou, a mão estendida, como se ainda pudesse detê-la, mas Luísa afastou-o.

Porquê? sussurrou ele, sem acreditar. O que se passa? Estávamos

Não quero explicar cortou ela, fria. Acabou.

Virou-lhe as costas e saiu decidida até à estrada. Mafalda e Nuno ficaram imóveis, atónitos pelo golpe repentino.

Instantes depois, ouviram uma carrinha parar. Luísa entrou, sem olhar para trás, e desapareceu caminho fora.

Nuno sentou-se nos degraus da entrada. Os ombros tombados, o olhar perdido. Mafalda pôs-lhe a mão no ombro, mas ele nem se mexeu.

E Mafalda compreendeu. Ecoaram-lhe na mente as palavras ditas àquela mulher, meses antes: Tudo o que é escondido acaba por vir ao de cima. Agora tinham o peso de uma profecia terrível. Será que, entre tantos homens, Luísa se aproximara mesmo por acaso do filho daquela que sabia o seu segredo? Ou o acaso, caprichoso, tinha destruído o frágil amor de Nuno num segundo?

Mafalda olhou a estrada onde o carro desaparecera, sentindo o coração esmagado pela dor do filho. Era o tempo, não palavras, que ele mais precisava agora muito tempo para aceitar e sarar.

********************

O silêncio da noite, dantes tranquilo, pesava agora como chumbo. Lá ao fundo, ouviu-se ladrar um cão; Nuno estremeceu. Levantou os olhos para a mãe sem conseguir esconder a dor nem a perplexidade como uma criança perdida diante da injustiça do mundo.

O sol punha-se já no horizonte, alongando as sombras no jardim. Nuno continuava ali, sem ver nada, vazio por dentro sem lágrimas nem raiva, só tristeza.

Mafalda sentou-se junto dele, sem forçar conversa, só ali, perto sólida e acolhedora, como nos dias de infância, quando ele vinha magoado pedir colo.

Passaram-se uns bons dez minutos. Finalmente, Nuno balbuciou:

Mãe Porquê? Diz-me tu, porquê isto tudo? Eu fiz tudo por ela.

Mafalda respirou fundo. Era a hora da verdade, por mais amarga que fosse.

Filho começou, procurando as palavras certas eu já conhecia essa rapariga. Foi minha cliente.

Nuno virou-se para ela, intrigado.

Quando?

Há alguns meses. E contou-me a história dela, a verdadeira. Tens de saber: ela tem filhos, Nuno. Três. Um com o pai, um numa instituição, um com ela, mas planeava deixá-lo também. Ela nunca quis ser mãe. Vê nos filhos uma forma de garantir conforto, dinheiro, uma vida fácil. Aproxima-se de homens, engravida, recebe dinheiro e foge.

Cada frase era um murro. Nuno ficara lívido, mas ouvia em silêncio, os punhos tão cerrados que se lhe viam os ossos.

Quando a vi hoje, reconheci-a. Ela também percebeu. Soube que eu sabia o que ela esconde. Foi por isso que fugiu.

O silêncio entre os dois era cortante. Lá fora, o som longínquo de um carro, o ladrar de um cão, não tinham importância.

Mas porquê? murmurou Nuno. Ela era tão doce, tão atenta. Tínhamos planos até comprei o anel

A voz falhou-lhe. Mafalda apertou-lhe a mão, com força.

Eu sei, filho. Dói muito. Mas é melhor saber a verdade agora do que mais tarde.

Nuno tapou o rosto com as mãos. Ficou ali imóvel, até os ombros lhe começarem a tremer. Mafalda abraçou-o, embalando-o como em criança. Falou suavemente:

Chora, se precisares. Não há mal. Um dia esta dor passa. Devagarinho, mas passa.

Ele não chorou só permanecia ali, a cabeça encostada ao ombro da mãe, enquanto ela lhe afagava o cabelo, recordando o filho pequenino das primeiras mágoas.

Porque é que as pessoas sussurrou ele. Porque brincam assim com os sentimentos dos outros?

Nem todas, filho respondeu ela. Mas há quem só pense no próprio interesse. Não conhecem o amor. Procuram facilidades e conforto. Os sentimentos só lhes atrapalham.

Nuno afastou-se, limpou discretamente os olhos. No olhar, ainda havia dor, mas começava a despontar alguma lucidez.

Então ela mentiu-me este tempo todo?

Sim. E não foi culpa tua. Tocas-te numa pessoa incapaz de amar a sério.

O sol já desaparecera e a noite caía sobre o jardim. Mafalda levantou-se, puxou o filho pela mão.

Anda cá dentro. Vamos beber um chá quente. Fala, desabafa. E depois depois virá um novo começo. Prometo-te que tudo há-de ficar bem. Hoje é dia de estar triste, e não há mal nisso.

Nuno acenou. Ainda não sabia como seguir em frente, mas sentia enquanto a mãe ali estivesse ao lado, forças não lhe faltariam para recomeçar.

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