E logo a Aninhas tinha de decidir ter o bebé em plena tempestade de neve! Pelo calendário, ainda faltavam três semanas – quem sabe até lá o tempo melhorava, o frio apertava menos e dava para ir descansada para a maternidade. Mas não, foi agora que lhe deu a pressa!

E tinha logo a Leonor de escolher o pior dia para parir: bem no meio de uma tempestade de neve em Trás-os-Montes! Ainda faltavam três semanas para o prazo, e, quem sabe, talvez o mau tempo até já tivesse passado, viriam as geadas, e aí sim, dava para ir para o hospital de Bragança com algum sossego. Mas não, teve de ser agora!

Mas falando a verdade, a pressa não era da Leonor, era mesmo daquele pequenino que lhe crescia dentro do ventre. O miúdo não quer saber se lá fora está uma ventania doida há quase uma semana, se a estrada está coberta de neve grossa. Nem o trator do vizinho se atreve a sair hoje, tal é a quantidade de neve pela cintura. Olhando pela janela, só vejo tudo branco, neve e mais neve a cair em espiral, como se alguém lá em cima tivesse entornado um saco de farinha. Se me atrevo a sair ao quintal, o vento frio fere-me logo a cara, custa abrir os olhos, a neve arranha.

Foi nesta tempestade serrana que o meu bebé resolveu nascer. Desde manhã que estava desconfortável: ora dava-me uma dor nas costas, ora um peso no fundo do corpo que me fazia querer deitar, mas depois não encontrava posição, levantava-me, voltava a andar para trás e para a frente. A sogra reparou logo nas minhas inquietações.

Leonor, estás com cara de quem vai parir. O que te anda a afligir?

Não sei, mãe, sinto-me tão estranha

Deixa cá ver essa barriga

A minha sogra, de partos pouco percebia, dantes era tudo na mão das parteiras, hoje vai-se ao hospital e pronto. Em tempos havia várias parteiras na aldeia, agora só resta a Dona Emília, já velhota, que até vinha gente das aldeias ao lado ter com ela.

Está mais baixa a barriga, Leonor. O bebé está mesmo para nascer.

Mas, mãe Não é cedo?

Olha filha, essas coisas Deus é que decide. Quando calha, calha.

Fiquei com os olhos molhados, assustada. Primeira vez, não sei o que me espera, nem tenho quem me explique muito. A sogra só teve o meu Zé há mais de vinte anos, já se esqueceu quase de tudo.

Leonor, vou chamar a Dona Emília. Ponho a chaleira ao lume, se ferver, apagas. Se tiveres força, procura as toalhas limpas, lençóis, sabes onde estão. Prepara as coisas. Mas não te canses, só fazes se conseguires. Quando tive o Zé, a Dona Emília mandou-me andar pela casa e respirar fundo dizia ela, apertando o xaile. Também chamo logo a tua mãe, a Maria de Fátima, que te venha ajudar. Força, menina, a Dona Emília é de confiança. No meu tempo vinha gente de fora querer os partos com ela. Vai correr tudo bem.

Com aquelas palavras, a sogra vestiu-se, pegou num pau para se apoiar pela neve acima, e lá saiu para a ventania.

Fiquei sozinha, com o medo a aumentar. E se começasse mesmo a parir agora? E se a sogra não consegue chegar à casa da Dona Emília? E se a minha mãe não vem? Ai E o que faço? Só percebi que tenho é de andar e respirar. Mas como se respira quando as dores me cortam o fôlego?

O Zé nem pode chegar, ficou retido em Vila Real por causa da tempestade. Nenhum autocarro nem estrada aberta, nem imagina que está prestes a ser pai. A minha lombar parece que vai partir-se ao meio

À tarde, cheia de neve, entra minha mãe casa adentro.

Filha! Leonor! A Carminha contou-me, estás pronta a dar à luz?

Acho que sim, mãe

Vou já fazer-te um chá de frutos silvestres, bebes para ter força. Ponho a água ao lume

Passou mais uma hora e a sogra regressou, trazendo consigo a Dona Emília. A parteira, uma velhota enérgica, examinou-me e decretou:

De manhã nasce, menina.

Mas Nem almocei ainda, e já me dói desde ontem!

Isso eram sinais, agora é mesmo o começo. Não te preocupes, amanhã estás com o teu filho nos braços. Vou para casa daqui a bocado, por ora podes dormir.

Por favor, fique connosco, Dona Emília pedi-lhe eu, quase a chorar só a senhora sabe disto, sinto-me mais segura.

A velha senhora, que já ajudou a nascer meia aldeia e arredores, fez-me a vontade.

Está bem, fico por cá. Quando a mãe está calma, o bebé também vem melhor.

Mal sabia eu que estes “avisos” do corpo eram só as campainhas e que ia custar mesmo muito. A dor começou como se tudo em mim fosse arrebentando, não conseguia respirar, nem andar, só sentir aquela coisa terrível. A sogra e a mãe andavam às voltas, não sabiam bem como ajudar, suspiravam por mim, mas a Dona Emília mandou-as passar a ferro para não estorvarem.

À noite, a tempestade parecia ainda pior. A parteira, ao fazer nova avaliação, disse: “Já vais com quatro dedos, devagarinho, que é o primeiro filho, ainda falta um bocado.” Fiquei exausta, só queria dormir. Aproveitei o intervalo das dores para comer qualquer coisa e adormecer um pouco, aconselhada pela Dona Emília.

Quatro da manhã acordei sobressaltada. Olhei para as imagens dos santos na parede e sussurrei: “Senhor, ajuda-me Que o bebé nasça depressa!”

Mal vi a Dona Emília, soube: soluções não há, é mesmo aguentar. “Agora são cinco dedos,” disse ela, animando-me. Muito, muito tempo passou. Quando a aurora despontava sobre as serras brancas, eu já estava de rastos, grudada na camisa, cabelo suado no rosto.

Já falta muito pouco disse a parteira está quase, querida.

Avózinha, ajuda-me! gritei eu, mal conseguia ouvir a mãe perguntar porque chamava por quem não estava ali. Sempre chamou à bisavó, Dona Zilda, de “Avózinha”, porque em criança não sabia dizer Avózinha e assim ficou. Dona Zilda só teve filhos homens, adorava netas.

Leonor, estou a ver a cabecinha, aguenta só mais um bocadinho, faz força! Assim mesmo puf puf puf, fazia a Dona Emília, respirando comigo.

Gritei com todas as minhas forças, fiz mais uma força, respirei fundo e o meu menino nasceu, nas mãos enrugadas da parteira.

“Se calhar é o último que ajudo a nascer,” pensou, sorrindo, a Dona Emília, deitando-o com cuidado sobre o meu peito.

É um rapaz, Leonor. Olha para esse teu filho tão bonito, já nasceu um líder, tantos pulmões!

Chorei de felicidade, beijei-lhe aqueles dedinhos pequenos. Como é que cabe tanto amor cá dentro? Pena o Zé não estar aqui para ver o nosso filho, o mais lindo do mundo.

É o meu Tomás, o meu Tomásinho murmurei.

Como Tomás? exclamou a sogra Disseste que ia ser Jorge!

Não podia ser de outra forma. Ele nasceu com cara de Tomás, Tomás José.

A Dona Emília recolheu as coisas, arrumou-se, e lá foi para casa descansar, tentando atravessar ainda a última neve. Eu e o meu Tomás adormecemos num cansaço bom, e a mãe também, afinal já não estava em casa há quase dois dias. Enrolada no xaile, despediu-se baixinho da sogra e saiu.

A tempestade acalmava finalmente, caía só um pozinho leve, amanhã ou depois o Zé já podia voltar. A mãe, ao chegar a casa, pensou: “Deixa-me ir dar um salto à Avózinha, vai gostar de ouvir as novidades. Talvez precise de pão, embora lhe tenha levado antes de ontem, ela come pouco.”

A bisavó, Dona Zilda, mora duas portas mais à frente, há-de fazer noventa e três anos no verão, e recusa mudar-se, mesmo sozinha, cuida da casa, faz as lidas, e nós sempre por perto a ajudar.

A muito custo, a mãe abriu o portão, viu que o marido passara por lá ontem, a pá ainda estava encostada à vedação. Limpou o caminho e entrou em casa.

Dona Zilda! Dona Zilda! gritou, batendo os pés, sacudindo neve, alto, para ela ouvir. Dona Zilda, sou eu, a Maria de Fátima, vim ver como está.

Mas ninguém respondeu. Entrou, e encontrou a Avózinha deitada na cama, serena, mãos juntas ao peito, com tudo limpinho vestido, o lenço branco novo na cabeça. A mãe reparou logo, nunca vira esse vestido nela. Aproximou-se, limpou as lágrimas, fechou-lhe os olhos.

No criado-mudo, estava a fotografia da Leonor, ao lado do santinho de Santo António e a ponta de uma vela.

Obrigada, Avózinha. Ajudaste a Leonor. Já nasceu o rapazinho, chamou-lhe Tomás. Mas tu já sabes, não é, minha querida? beijou-lhe a face enrugada. ObrigadaQuando a mãe voltou à rua, o céu clareava, um azul tímido a romper entre as nuvens, como se tudo tivesse acordado de um longo sono. Respirou fundo, enchendo o peito de ar gelado e novo, e pensou em tudo o que se acabava e recomeçava naquele pedaço de terra, entre paredes velhas e vidas que se cruzam como fios de lã, enrolando-se, desenrolando-se, sem nunca perderem o calor das mãos que lhes deram forma.

Na casa de Leonor, o choro do Tomás misturava-se à luz suave da manhã, cheirava a leite e promessas. A sogra sorria, a mãe apenas quis sentar-se um pouco, sentindo aquela paz cansada. Lá fora, a neve derretia devagar, formando riachos súbitos junto ao degrau. E enquanto a aldeia acordava para mais um dia, Leonor, com o filho junto ao peito, sentiu pela primeira vez desde sempre que tudo na vida tinha agora um lugar certo.

No silêncio quente do quarto, ouviu baixinho, quase como se viesse do vento ou do passado, a voz débil da Avózinha: “Vês, menina? Quando calha, calha. Já cá tens o teu Tomás nu ao mundo, e é bonito assim.” Fechou os olhos, sorriu, e não soube se era lembrança, sonho ou bênção.

Lá longe, pelo caminho branco, alguém abria pegadas novas na neve caminho de regresso, de recomeço, de vida.

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E logo a Aninhas tinha de decidir ter o bebé em plena tempestade de neve! Pelo calendário, ainda faltavam três semanas – quem sabe até lá o tempo melhorava, o frio apertava menos e dava para ir descansada para a maternidade. Mas não, foi agora que lhe deu a pressa!
Kľúč č. 13 Ráno mi zavolal, hlas mal akoby šlo o samozrejmosť: – Zastavíš sa? Treba mi zdvihnúť bicykel, sám sa mi do toho nechce. Slová „zastavíš sa“ a „nechce sa mi“ zneli tak netypicky. Otec zvyčajne hovoril „treba“ a „urobím si sám“. Dospelý syn, už so šedinami nad ušami, sa pristihol pri myšlienke, že aj v tejto prosbe hľadá zákernosť, ako za starých čias. Žiadna tam však nebola, len krátka prosba a práve preto to bolo zvláštne. Prišiel okolo obeda, vyšiel na tretie poschodie, na chodbe krátko postál, kým sa kľúč v zámku pretočil. Dvere sa otvorili okamžite, akoby otec čakal za nimi. – Poď dnu, vyzuj sa, – povedal a ustúpil nabok. V chodbe bolo všetko na svojom mieste: rohožka, skrinka, úhľadne zložené noviny. Otec vyzeral rovnako, len ramená akoby sa zúžili a ruky sa mu pri upravovaní rukáva trochu triasli. – Bicykel je kde? – opýtal sa syn, len aby nemusel klásť inú otázku. – Na balkóne. Dal som ho tam, aby neprekážal. Myslel som, že to zvládnem sám, ale… – mávol rukou a šiel popredu. Balkón bol zasklený, chladný, plný škatúľ a pohárov. Bicykel stál pri múre, prikrytý starou plachtou. Otec ju sňal, akoby niečo dôležité odkrýval, a opatrne prešiel rukou po ráme. – Je tvoj, – povedal. – Spomínaš si? Kúpili sme ti ho na narodeniny. Syn si spomenul. Spomenul si na jazdy po dvore, na pády, ako ho otec mlčky dvíhal, odklepával piesok z kolien a kontroloval reťaz. Otec vtedy takmer nechválil, ale na veci sa pozeral, akoby boli živé a niesol za ne zodpovednosť. – Gumám spadlo, – zhodnotil syn. – To je nič. Ale aj náboj chrastí a zadná brzda nezaberá. Včera som to skúšal, až mi srdce podskočilo, – otec sa uškrnul, ale úsmev bol kratučký. Preniesli bicykel do izby, kde si otec urobil „dielňu“ – nie oddelenú, len kútik v malej izbe: stôl pri okne, podložka, lampa, krabica s náradím. Na stene viseli kliešte, skrutkovače, kľúče, všetko zoradené. Syn to zaregistroval automaticky, vždy si všímal, ako otec drží poriadok tam, kde môže. – Nájdeš kľúč na trinástku? – spýtal sa otec. Syn otvoril krabicu. Kľúče boli zoradené, ale trinástka nikde. – Je tu dvanástka, štrnástka… Trinástka nie. Otec nadvihol obočie. – Ako že nie? Veď predsa… – odmlčal sa, akoby „vždy“ nebolo vhodné vysloviť. Syn prehrabával náradie, vysunul zásuvku stola. Boli tam staré matice, podložky, izolačka, kus šmirgľa. Kľúč sa našiel pod balíkom gumených rukavíc. – Tu je, – povedal syn. Otec vzal kľúč a podržal v dlani, akoby skúmal jeho váhu. – Tak ja som ho tam založil. Tá pamäť, – postavil sa k tomu zo žartu. – No poďme teda na ten bicykel. Syn položil bicykel na bok, pod pedál vreckovku. Otec si prisadol pomaly, opatrne, akoby kolená mohli zradiť. Syn si všimol, ale predstieral, že si nevšimol. – Najprv zložíme koleso, – navrhol otec. – Ty drž, ja uvoľním matice. Zobral do ruky kľúč, otočil ním. Matica nechcela povoliť, otec sa zamračil, pery stisol. Syn mu priskočil pomôcť a matica podľahla. – Ja by som to zvládol, – zabručal otec. – Len som… – Viem. Drž to, nech nespadne. Pracovali mlčky, len stručné pokyny: „drž“, „to nenapínaj“, „sem“, „pozor na podložku“. Syn zistil, že mu to tak vyhovuje. Keď slová určuje práca, netreba hádať, čo sa za nimi skrýva. Koleso dali dolu, položili na zem. Otec vybral pumpu, skontroloval hadicu. Bolo to staré, opotrebované čerpadlo. – Duša bude asi dobrá, len vyschnutá, – povedal otec. Syn sa chcel opýtať, odkiaľ má tú istotu, ale mlčal. Otec vždy hovoril rozhodne, i keď si nie bol istý. Kým otec pumpoval, syn kontroloval brzdy. Gumy opotrebované, lanko hrdzavé. – Toto treba vymeniť, – povedal nakoniec. – Lanko… – otec sa zastavil, utrel si dlaň o nohavice. – Niektoré by malo byť v zásobe. Pretŕčal do skrinky pod stolom, vyťahoval jednu škatuľu za druhou. Každá obsahovala súčiastky, na papierikoch jasne popísané. Syn sledoval, ako ich preberá, a videl v tom viac než len poriadok – snahu udržať čas v rukách. Kým je všetko pomenované a uložené, nič sa nerozuteká. – Nevidím, – povedal a podráždene pleskol vekom. – Možno v komore? – navrhol syn. – V komore mám chaos, – povedal otec tónom, ako keď sa priznáva k priestupku. Syn sa pousmial. – Ty a chaos? To je novinka. Otec naňho pozrel spod obočia, no v očiach sa mihla vďačnosť za žart. – Choď pozrieť. Tu ešte dofrčím s pumpou. Komora bola maličká, preplnená krabicami. Syn rozsvietil, prehrabával tašky. Na hornej poličke našiel klbeko lanka zabalené do novín. – Mám ho, – zavolal. – No vidíš, – ozval sa otec. – Hovoril som. Syn mu lanko podal, otec ho poobracal, skontroloval konce. – V pohode. Treba len koncovku nájsť. Opäť sa pohrabal v krabičke, našiel malé kovové čiapočky. – Pustíme sa do bŕzd, – povedal otec. Syn držal rám, otec povoľoval skrutku. Otcove prsty boli suché, s prasklinami, nechty krátke. Syn si spomenul, ako mu v detstve tie ruky prišli silné a nezraniteľné. Teraz v nich bola iná sila – trpezlivosť. – Prečo tak pozeráš? – spýtal sa otec, oči zdola. – Len tak. Premýšľam, ako si všetko pamätáš. Otec odfrkol. – Pamätám. Ale kde mám kľúče, nie vždy. Vtipné, čo? Chcel povedať, že to nie je vtipné, ale pochopil, že otec nehovorí o žarte. Ale o strachu. – V pohode, – povedal syn. – Aj mne sa to stáva. Otec krátko prikývol, akoby prijal právo nebyť dokonalým. Pri rozoberaní brzdy zistili, že chýba pružinka. Otec sa dlho díval na voľné miesto, potom dvihol oči. – Včera som sa vtom vŕtal, mohol som ju stratiť. Na zemi som nehľadal, nenašiel som. – Pozrime ešte raz, – navrhol syn. Kľakli si, prehmatali podlahu, hľadali pod stolom. Syn objavil pružinku pri lište, pri nohe stoličky. – Tu je. Otec ju zobral, priložil k oku. – Chvalabohu. Už som… – nedopovedal. Syn pochopil: už myslel na najhoršie. Ale nevyslovil to. – Dáš si čaj? – preťal otec tú pauzu prudko. – Dám. V kuchyni otec postavil rýchlovarnú, vybral dve šálky. Syn sadol za stôl, sledoval, ako sa otec pohybuje – rovnako ako vždy, len trochu pomalšie. Nalial čaj, položil sucháre. – Najedz sa. Schudol si. Syn chcel namietnuť, že neschudol, len bunda je objemná, ale mlčal. V tej vete bolo všetko, čo otec vedel o starostlivosti. – Ako v práci? – opýtal sa otec. – Dobre. Projekt skončil, nový začne. – Hm. Hlavne nech platia načas. Syn sa usmial. – Ty vždy len o peniazoch. – A o čom mám? O citoch? Synovi až vo vnútri myklo. Nečakal, že otcovi to slovo prejde cez pery. – Neviem, – povedal úprimne. Otec mlčal, potom chytil šálku oboma rukami. – Vieš… – začal, v polovici sa zarazil, akoby bolo toho priveľa. – Niekedy mi príde, že sem chodíš zo slušnosti. Prídeš si odškrtnúť a ideš. Syn položil šálku. Čaj pálil, ale ruku neodtiahol. – A myslíš, že mne je ľahké chodiť sem? – spýtal sa. – Tu je všetko… ako keby som bol zasa malý. Ty vieš vždy všetko lepšie. Otec sa usmial, bez hnevu. – Veď aj naozaj viem lepšie. Zvyk. – A ty… – syn vydýchol. – Nikdy si sa neopýtal, ako sa mám. Skutočne. Otec pozeral do šálky, akoby tam bola odpoveď. – Bál som sa opýtať. Ak sa opýtaš, musíš počúvať. A ja… – dvihol pohľad. – Nie vždy to viem. Syn cítil, ako mu odľahlo. Otec nepovedal „prepáč“, ani nič nevysvetľoval. Len priznal, že to nevie. A to bolo úprimnejšie než všetky krásne slová. – Ani ja to neviem. Otec prikývol. – Tak sa budeme učiť. S bicyklom, – dodal s úškrnom, akoby ani sám neveril tomu, čo povedal. Dopili čaj a vrátili sa do izby. Bicykel ležal ako predtým, koleso vedľa, lanko na stole. Otec sa zaťal a pustil sa znovu do práce. – Takto. Ty prevleč lanko, ja nastavím gumičky. Syn poslušne prevliekol lanko cez bovden, upevnil. Jeho prsty boli menej zručné než otcove a hneval sa preto na seba. Otec si to všimol. – Nespěchaj. Tu treba viac trpezlivosti než sily. Syn zdvihol pohľad. – To mi hovoríš o lanku? – O všetkom, – odpovedal otec a odvrátil sa, akoby povedal priveľa. Nastavili gumičky, dotiahli matice. Otec niekoľkokrát stlačil brzdovú páku, skontroloval chod. – Už je to lepšie. Syn napumpoval koleso na doraz, skontroloval únik. Duša držala. Nasadili koleso späť, dotiahli matice. Otec si vypýtal kľúč na trinástku a syn mu ho bez slov podal. Kľúč zapadol do otcovej dlane, akoby tam patril odjakživa. – Hotovo, – zhodnotil otec. – Skúsime. Vyniesli bicykel dolu na dvor. Otec ho držal, syn kráčal vedľa. Dvor bol prázdny, iba pri vchode stála suseda s taškou a kývla im. – Sadni, vyskúšaj, – povedal otec. – Ja? – Kto iný? Ja už nie som ten akrobat. Syn si sadol. Sedlo bolo nízko, ako v detstve, kolená vysoko. Dal si dve kolá v okolí kvetinového záhonu, zabrzdil. Bicykel poslúchol. – Ide to, – povedal, keď zosadol. Otec si vyskúšal bicykel aj sám, opatrne, pomaly. Zastavil, pristúpil na zem. – No vidíš. Nezavadzali sme zbytočne. Syn sa pozrel na otca a pochopil, že to nie je o bicykli. Ale o tom, že nevolal nadarmo. – Zober si tie náradia domov, – prekvapil ho otec. – Tento… ten set. – Kývol na náradie, ktoré mali v rukách. – Mne stačí, tebe sa zíde. Všetko robíš sám. Syn chcel namietnuť, ale vedel, že je to otcova reč. Nie „mám ťa rád“, ale „vezmi si, nech sa ti ľahšie robí“. – Tak dobre. Ale trinástku tu necháš. Tá je tvoja hlavná. Otec sa uškrnul. – Už si ju dám na miesto. Vrátili sa hore. V predsieni si syn vzal bundu. Otec stál vedľa, nenáhlil sa. – Prídeš aj budúci týždeň? – opýtal sa akoby len tak. – Tam ešte… dvierka na horných skrinkách pískajú. Ja by som to premazal, ale ruky… už to nie je ono. Hovoril to pokojne, bez ospravedlňovania sa. Syn v tom počul nie sťažovanie, ale pozvanie. – Prídem. Zavolaj dopredu, aby som nebežal na poslednú chvíľu. Otec prikývol a v momente, keď už zatváral dvere, tiško doplnil: – Ďakujem, že si prišiel. Syn schádzal po schodoch, v ruke niesol pár otcových kľúčov a skrutkovačov zabalených v handre. Boli ťažké, ale netlačili. Vonku sa ešte raz otočil smerom na okná tretieho poschodia. Záclona sa pohla, akoby tam otec stál a díval sa. Nemával mu. Len šiel k autu s vedomím, že teraz možno prichádzať nielen „kvôli veciam“, ale práve kvôli tomu, na čo si obaja konečne dovolili dávať dôraz.