Cavalheiro empresário foi a um restaurante comigo sem carteira para testar se eu era interesseira. Não me deixei abalar… Veja o que fiz…

O restaurante para onde o Alexandre me convidou para o segundo encontro parecia flutuar num lusco-fusco dourado, quase enevoado: os empregados moviam-se como sombras entre mesas ladeadas de veludo verde, o tilintar de copos distante e o murmúrio abafado das conversas era como música de fundo de um filme antigo. Ele, de fato escuro impecável e relógio ostentoso, parecia o protagonista solitário dessa cena estranha sorriso esquisito, como quem se admira ao espelho e gosta do que vê.

Escolhe o que te apetecer disse ele, sem olhar para a ementa, enquanto ajeitava o cabelo. Odeio mulheres que se contêm por vergonha.

A frase era como o início de uma fábula urbana lisboeta, mas em mim germinou uma inquietação. Talvez por aquela forma quase gabarolas com que falava das ex-namoradas segundo ele, todas só o adoravam pelo dinheiro.

Pedi uma salada de pato e um copo de Alvarinho. Alexandre foi direto ao fausto: bife maturado, tártaro e uma garrafa de vinho do Douro das mais caras. Enquanto filosofava sobre negócios, moral e a superficialidade do mundo, eu sentia-me num cenário estranho não num encontro, mas numa espécie de exame oral, à espera de uma pergunta tramada que não conseguiria evitar.

Teatro só dele

O momento da conta chegou: o empregado depositou, quase por feitiço, a pasta preta com o total. Alexandre, sempre eloquente, meteu as mãos nos bolsos do blazer, depois revistou os das calças, olhando para o tecto como se buscasse inspiração divina. O rosto dele esvaziou-se da habitual confiança restava-lhe uma teatralidade estudada.

Bolas murmurou, fixando em mim uns olhos tão redondos como moedas de euro. Deixei a carteira, ou no escritório ou no carro da minha mãe.

Espalhou as mãos, desenhando no ar a imagem da impotência, embora fosse tudo menos desamparado. Não pediu para ligar a alguém, nem tentou resolver a situação pelo MB Way. Só me fitava.

Que situação absurda, realmente suspirou, reclinado, como quem repousa no divã de um psiquiatra. Dás-me uma ajuda? Pagas tu e depois faço-te uma transferência. Ou pago tudo do próximo jantar. Com juros.

Ficou óbvio: tudo estava encenado. Um teste barato, igual àqueles de que já lera nas revistas ou vira nas telenovelas portuguesas das tardes chuvosas.

O raciocínio dele era tão básico que quase me deu pena: se pagasse sem pestanejar boa rapariga, prestável, pronta para ser salva e para salvar; se recusasse interesseira, caçadora de fortunas. Já não via diante de mim o empresário de sucesso, mas um adulto inseguro a testar as marés da própria vaidade.

Para ele, sair dali vitorioso era questão de minutos. Imaginava que eu, espantada por ter sido escolhida pelo melhor, apressadamente tiraria o cartão da mala.

Frieza e cálculo

Abri a carteira devagar, desenhando calma na superfície da mesa. Ele relaxou, com ar triunfal, já saboreando a vitória invisível.

Claro, não tem problema nenhum disse docemente, chamando o empregado.

Por favor, pode dividir a conta? articulei bem cada sílaba. Pago a minha parte. O senhor de fato paga o bife, o tinto e o petit gâteau.

A pose dele esfarelou-se como rabanada seca.

Como assim? chiou ele, inclinando-se por cima da mesa. Eu não tenho dinheiro comigo!

Compreendo, confirmei, encostando o telemóvel ao terminal multibanco. Mas ainda mal nos conhecemos. Pagar o meu é razoável. Agora, pagar o jantar de quem me trouxe a um restaurante caro e pediu o mais caro desculpa, não é problema meu. És crescido e de certeza vais arranjar solução.

O empregado hesitou, trocando olhares aflitos entre nós. Alexandre ficou purpúreo, a camada de charme ruiu e sobrou apenas a secura das palavras.

Estás a falar a sério? sibilou. É só por uns euros? Eu devolvo tudo. Queria só testar-te.

E testaste, levantei-me, recolhendo o casaco. Sou uma mulher que já não deixa alguém brincar com a sua dignidade.

Caminhei para a saída, mas algo me puxava de volta. Ele ficou ali, colado à cadeira, frente a um talão de contas por pagar, sem carteira, sem máscara.

Aproximando-me outra vez, tirei da carteira umas notas amarrotadas e deixei também umas moedas de cêntimos junto ao copo do Douro.

Ah, olha acrescentei leve. Se a carteira está noutro carro, também não tens para o táxi, pois não?

Deixei o dinheiro ao lado do copo caro.

Isto chega-te para o metro. Vai descansado; é a minha contribuição para a tua grande investigação da alma feminina.

Alguns clientes das mesas vizinhas olharam de esguelha. Alexandre parecia ter levado um sopapo de vento gelado.

Saí então para a noite de Lisboa.

O serão custou-me só uma salada e um copo de vinho bem pouco para ter percebido quem ele era e não perder anos da minha vida. Espero que ele tenha aprendido. Duvido: há pessoas que nunca saem dos seus testes.

E você, tivesse estado no meu lugar, teria salvo o esquecido ou imposto um limite honesto, por mais duro que fosse?

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Cavalheiro empresário foi a um restaurante comigo sem carteira para testar se eu era interesseira. Não me deixei abalar… Veja o que fiz…
Nevychovávaš z neho chlapa, ale slaboch! – Prečo si ho dala do hudobnej školy? Ludmila Petrovna prešla okolo nevesty, cestou si sťahovala rukavice. – Dobrý deň, pani Ludmila, nech sa páči ďalej. Aj ja vás rada vidím. Sarkazmus ju minul. Svokra hodila rukavice na stolík a otočila sa k Márii. – Kosto mi volal! Celý žiari, vraj bude hrať na klavíri! To snáď nie? Veď to nie je chlapčenské! Čo z neho chceš mať? Mária pomaly zavrela vchodové dvere. Dýchala zhlboka, len aby nevybuchla. – Znamená to, že váš vnuk sa bude učiť hudbe. Páči sa mu to. – Páči sa mu! – Ludmila Petrovna odfrkla, akoby Mária povedala najväčšiu hlúposť na svete. – Má šesť, ani nevie, čo chce! Ty musíš rozhodovať! Chlapec, náš rodinný pokračovateľ – a ty z neho čo robíš? Svokra zamierila do kuchyne, spustila rýchlovarnú kanvicu. Mária ju nasledovala, zuby zaťaté na prasknutie. – Ja z neho vychovávam šťastné dieťa. – Vychovávaš z neho len citlivku! – Ludmila Petrovna si dala ruky vbok. – Mal si ho dať na futbal! Na bojové športy! Nech vyrastie ako chlap, nie nejaký pianista! Mária sa oprela o zárubňu. Počítala do piatich. Nepomohlo. – Kosto to naozaj chcel. Sám. Miluje hudbu. – Miluje, jasné! – mávla rukou svokra. – Sergej bol v jeho veku ten najaktívnejší – futbal, hokej, vonku s chalanmi! A tvoj syn? Bude drnkať nejaké gamy? Hanba! Niečo v Márii prasklo. Odtlačila sa od zárubne a šla k svokre. – Už ste skončili? – Ešte nie! Už dávno som ti to chcela povedať… – A ja vám už dávno chcem povedať, – Mária zašepkala, – Kosto je môj syn. Môj. Ja rozhodnem, ako ho vychovávať budem. A vy ste do toho nemali čo zasahovať. Ludmila Petrovna sa rozčervenala. – Ako sa to so mnou rozprávaš?! – Odíďte. – Čože?! Mária prešla do chodby, strhla svokre kabát z vešiaka a podala jej ho do rúk. – Opustite môj dom. – Vyháňaš ma?! Mňa?! Mária otvorila vchodové dvere, chytila svokru za lakeť a prakticky ju vytlačila von. Ludmila sa bránila, ale Mária bola rázna. – Dosiahnem svoje! – Ludmila Petrovna sa otočila na schodišti, tvár prekrivená hnevom. – Nedovolím ti pokaziť môjho jediného vnuka! – Dovidenia, pani Ludmila. – Sergej sa dozvie všetko! Všetko mu poviem! Mária zabuchla dvere, oprela sa o ne a dýchala. Dlho, pomaly, až kým sa neupokojila. Za dverami ešte chvíľu zneli tlmené výkriky, potom sa ozvali kroky na schodoch. Ticho nastalo až po chvíli. Svokra ju dorazila nadobro. Tie nepretržité pripomienky, rady, poučovania – čo jesť, čo nosiť, ako vychovávať… Sergej problém nevidel. “Mama chce len tvoje dobro”, “Je skúsená”, “Aspoň si ju vypočuj”. Matku uctieval – každé jej slovo bola svätá pravda. Mária musela znášať… deň za dňom, návšteva za návštevou. Ale dnes nie. Sergej prišiel domov po ôsmej. Mária hneď vedela, že svokra volala. Podľa toho, ako muž hodil kľúče na stolík. Ako ťažko šiel do kuchyne, ani sa nepozrel do izby, kde Kosto pozeral rozprávky. – Kosto, poklad, zostaň tu, – Mária mu nasadila veľké slúchadlá, pustila obľúbený seriál o robotoch. – S tatinom sa musíme porozprávať. Kosto prikývol, zahľadel sa na tablet. Mária privrela dvere detskej izby a šla do kuchyne. Sergej stál pri okne, ruky prekrížené. Ani sa neotočil. – Vyhodila si moju matku. Nie otázka. Konštatovanie. – Požiadala som ju, aby odišla. – Vystrčila si ju! – Sergej sa otočil, čeľuste mu napäto hýbali. – Plakala mi do telefónu dve hodiny! Dve hodiny, Maša! Mária si sadla za stôl. Nohy mala od práce unavené, teraz aj psychiku. – Netrapí ťa, že urazila mňa? Sergej sa na chvíľu zasekol. Potom mávol rukou. – Ona sa len bojí o vnuka. Čo je na tom zlé? – Nazvala môjho syna citlivkou a slabochom. Nášho syna, Sergej. Šesťročné dieťa. – Trochu to prehnala. Ale má v niečom pravdu. Chlapec potrebuje šport, kolektív, disciplínu… Mária sa na manžela dlho dívala, kým neodklonil pohľad. – Mňa nútili chodiť na gymnastiku. Mama rozhodla – budeš gymnastka. Bodka. Päť rokov som plakala pred každým tréningom, trpela bolesťami, chudla, prosila, aby ma vzali preč. Sergej mlčal. – Dodnes nemôžem ani vojsť do telocvične. Dodnes. A svojmu synovi to nikdy neurobím. Ak bude chcieť futbal – nech ide. Ale len ak sám bude chcieť. Proti vôli – nikdy. – Mama chce len najlepšie… – Tak nech si porodí ešte jedného, ktorého bude vychovávať po svojom, – Mária vstala od stola. – Do Kostoho výchovy už zasahovať nebude. Ani ty, ak budeš na jej strane. Sergej sa akoby chcel ozvať, ale Mária už odišla. Zvyšok večera neprehovorili. Mária uložila Kosta, dlho sedela v detskej izbe, počúvala jeho spokojné dýchanie. Dva dni prešlo v tichu. Potom dal Sergej pri večeri nejaký vtip, Mária sa usmiala – napätie pomaly mizlo. V piatok už rozprávali normálne, ale svokru obaja neadresovali. V sobotu ráno sa Mária prebudila nečakane skoro. Osem hodín – skoro na víkend. Sergej spal, Kosto isto tiež. Čo ju zobudilo? Zrazu tichý kovový zvuk v chodbe. Zámok. Mária vybehla, srdce až v hrdle. Zlodeji? Cez deň? Chytila telefón, vyšla do chodby. Dvere sa rozleteli. Na prahu stála Ludmila Petrovna, v ruke zväzok kľúčov, na tvári víťazný úsmev. – Dobré ráno, nevestička. Mária stála bosá na studenej dlažbe, v vytiahnutom tričku a pyžamových nohaviciach, a svokra ju premeriava, akoby mala právo vtrhnúť do cudzieho bytu o ôsmej v sobotu. – Odkiaľ máte kľúče? Ludmila zamávala zväzkom pred Máriiným nosom. – Sergej mi ich dal. Predvčerom príšiel, prosil: mama, odpusť jej, nechcela uraziť. Takto sa za tvoje správanie ospravedlnil. Mária dvakrát žmurkla. Snažila sa v hlave upratať počuté. – Prečo ste tu tak skoro? – Idem za vnukom, – svokra už vešala kabát. – Kosto, priprav sa! Babka ťa zapísala na futbal, dnes máš prvý tréning! Hnev ju zaplavil okamžite, horúci, dusný, až sa roztriasla. Otočila sa do spálne. Sergej ležal otočený k stene. Tváril sa, že spí – ramená napnuté. – Vstávaj! – Maši, nechaj to… Mária mu strhla perinu, chytila ho za ruku a ťahala do obývačky. Sergej sa bránil, šúchal nohy, ale Mária ho pustila až v strede miestnosti. Ludmila už sedela na gauči, listovala časopis. – Dal si jej kľúče – od môjho bytu. Sergej mlčal, presúval sa z nohy na nohu. – Toto je môj byt, Sergej. Môj. Kúpila som ho ešte pred svadbou. Za svoje peniaze. Ako si mohol dať tvojej mame kľúče od môjho domu? – Ó, aká sebecká! – Ludmila hodila časopis. – Moje, tvoje… Stále myslíš len na seba! Sergej myslel na syna, preto dal kľúče. Aby som mohla byť s vnukom, keď ty ma vyháňaš. – Prestaňte vykrikovať! Ludmila sa zadychčala hnevom, ale Mária sa dívala len na manžela. – Kosto na futbal nechodí, kým nebude chcieť sám. – To nie je na tebe! – svokra vyskočila z gauča. – Si nikto! Len dočasná v živote môjho syna! Myslíš si, že si nenahraditeľná? Sergej ťa znáša len kvôli dieťaťu! Ticho. Mária sa pomaly otočila k mužovi. Len mlčal, hlavu sklonenú. – Sergej? Nič. Ani slovo na jej obranu. – Dobre, – prikývla. Studený pokoj ju zaplavil. – Dočasná. Táto kapitola končí práve teraz. Zoberte si svojho vnuka, pani Ludmila. Viac mi už nie ste manželom. – To nemôžeš! Nemáš právo len tak odísť! – Sergej, – Mária hľadela mužovi do očí. – Máš pol hodiny. Zbaľ sa a odíď. Alebo ťa vyhodím aj v pyžame. – Maši, počkaj… – Už sme si povedali dosť. Otočila sa k svokre a usmiala sa. – Kľúče si nechajte. Dnes mením zámky. …Rozvod trval štyri mesiace. Sergej sa skúšal vrátiť, volal, písal, nosil kvety. Ludmila Petrovna sa vyhrážala súdom, sociálkou, známosťami. Mária si našla dobrého právnika a prestala odpovedať. Dva roky ubehli rýchlo… …Slávnostná sieň ZUŠ bzučala hlasmi. Mária sedela v treťom rade, v rukách držala program: „Konstantín Voron, 8 rokov — Beethoven, Óda na radosť.“ Kosto vyšiel na pódium – vážny, sústredený, v bielej košeli a čiernych nohaviciach. Sadol za klavír, položil ruky na klávesy. Prvé tóny zaplnili sálu a Mária prestala dýchať. Jej chlapec hrá Beethovena. Jej osemročný syn, ktorý sám poprosil o hudobnú, sám trávil hodiny za nástrojom, sám si vybral túto skladbu. Keď zaznel posledný akord, sálu zaplavil potlesk. Kosto sa postavil, uklonil, našiel v publiku mamu a usmial sa – široko, šťastne. Mária tlieskala spolu so všetkými, slzy sa jej kotúľali po tvári. Všetko urobila správne. Syn bol na prvom mieste – nad názory druhých, nad manželstvo, nad vlastný strach zo samoty. Tak má konať matka…