Gatinho gelado com carinha invulgar apareceu à porta de um supermercado português a pedir ajuda

Num fim de tarde chuvoso, um pequenino gato apareceu junto à porta do supermercado local numa vila perto de Aveiro, como se tivesse vindo sozinho ou então fosse deixado ali por alguém. O pobre animal, todo encolhido, com o pêlo todo eriçado e fininho por causa do frio, mal conseguia aquecer-se encostado às paredes, e tremia tanto que até parecia chorar. O seu miado, um débil “miau”, ecoava pela rua, mas ninguém ali parecia notar ou, talvez, o evitassem: a sua carinha estava cheia de crostas, tinha os olhos semicerrados e parte do pêlo no pescoço e nas orelhas tinha desaparecido, deixando-lhe um aspeto ainda mais desgrenhado.

Dentro do supermercado, as funcionárias, movidas por compaixão, deixavam a gatinha entrar para se aquecer um pouco e até lhe aplicaram umas gotas na pele para combater parasitas mas o problema parecia persistir. Porém, todos os dias, pontualmente, a criatura voltava à entrada da loja, miando e esfregando-se nas pernas dos clientes, como se pedisse, de um modo desesperado, apenas um bocadinho de carinho ou, pelo menos, abrigo.

O inverno aproximava-se, e a gatinha que mal aguentava já os cinco graus negativos das noites frias de janeiro não teria resistência para sobreviver quando o termómetro baixasse para temperaturas ainda mais severas. Uma das funcionárias, recordando-se de como em agosto tinham recolhido outro gato abandonado naquela mesma loja, decidiu telefonar-nos, pedindo-nos que fôssemos depressa.

Assim que chegámos, a gata, quase a adivinhar que estávamos lá por ela, começou a rodear-nos, passando o focinho pelas nossas mãos e roçando o seu frágil corpo nas pernas, numa tentativa de conquistar, de algum modo, o nosso afeto. Pela expressão no seu olhar, podia ver-se que era, ali, o seu último apelo.

À primeira vista, percebemos que aquela menina sofria de sarna, mas, felizmente, a doença não estava avançada e cedo começou a melhorar com as gotas certas um tratamento comum, daqueles que se compra numa farmácia veterinária de bairro, chamado “Stronghold” ou “Bravecto”.

A partir do momento em que se viu ao calor e com comida na barriga, a pequena soltou o primeiro ronronar, tão intenso que parecia o motor de uma motorizada, e começou a enroscar-se nos nossos braços vezes sem conta. Passou os primeiros dias a alternar entre dormir profundamente e comer com gana, como se finalmente sentisse alívio.

O nome não poderia ter surgido de forma mais natural: Batatinha. O seu corpinho arredondado, meio desajeitado, fazia lembrar, de facto, um pequeno tubérculo de batata novo, daqueles que vêm ainda com a pele rugosa. Mas, por trás daquela estranheza, escondia-se uma ternura desarmante. Em poucas semanas e apenas duas aplicações do tratamento a velha gata doente deu lugar a uma jovenzinha cheia de vida e olhos brilhantes.

O pêlo nas patas e nas orelhas ainda estava a crescer, era uma questão de tempo, mas o mais importante estava conseguido. Batatinha já tem consulta marcada para esterilização e vai, pouco a pouco, tornando-se numa gata saudável, bem tratada, extremamente dócil e adorável, conquistando quem quer que a conheça, mesmo à moda portuguesa.

Оцініть статтю
Додати коментар

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

5 × 1 =

Gatinho gelado com carinha invulgar apareceu à porta de um supermercado português a pedir ajuda
Булка по български: Съпругата и семейството – предизвикателства, традиции и обичаи