A vingança serve-se fria: Como o enteado rejeitado regressou a Portugal para ajustar contas… 15 anos depois

A vingança serve-se fria: Como um enteado foi expulso, e voltou para ajustar contas 15 anos depois…

A vida é um fado estranho. Ora estás no topo, ditando sortes alheias, ora bate-te à porta o destino com a conta por cobrar. Esta é a história de como a crueldade sempre pede o seu preço.

Parte 1: O limiar gelado

Há quinze anos atrás, Manuel estava diante da porta de sua casa. O funeral da esposa acabara havia poucas horas, mas no seu peito não morava piedade alguma. Ao seu lado estava a pequena Beatriz, filha da falecida de um antigo casamento, agarrada a uma mochila coçada com dois bonecos e uma muda de roupa.

Manuel apontou para o portão do jardim com frieza e sibila:
A tua mãe já cá não está e não te devo nada. Vai procurar o teu caminho.

Beatriz não chorou. Olhou o padrasto com olhos de luar tranquilos e demasiado fundos para uma criança. Depois virou-se e avançou devagar pela névoa do entardecer, desaparecendo sem hesitar.

Parte 2: A queda do império

Quinze anos passaram-se. O brilho de outrora de Manuel era apenas lembrança. O negócio falia, as dívidas cresciam como caracóis com chuva e a saúde começava a vacilar. Sentado em seu gabinete semiobscuro, relia pela centésima vez o Aviso Final de penhora de bens. Não havia euros suficientes nem esperança também.

O telefone tocou entre sombras. Do outro lado, a secretária, voz trémula:
Senhor Manuel Almeida, o novo dono da empresa chegou. Exige que compareça já na sala de reuniões.

Manuel secou a testa suada. Sabia que este momento não tardaria, mas julgava que teria mais tempo.

Parte 3: O acerto de contas

Com mãos trémulas empurrou as pesadas portas de carvalho. Na cadeira da presidência, de costas, alguém com um fato imaculado. O estranho virou-se devagar.

Era Beatriz. Adulta, imponente, com o mesmo olhar grave de outrora. Sorriu de lado mas com um frio de granito.

Esperei por este instante desde aquela noite em que me fechaste à porta, murmurou Beatriz.

A mandíbula de Manuel caiu. Quis balbuciar algo, mas a voz foi-lhe traída pela garganta. Beatriz chegou-se à frente, apoiou as mãos na mesa.

Disseste-me que não me devias nada, lembras-te? pausou, saboreando o choque daquele velho. Enganaste-te. Ficaste-me a dever quinze anos de vida e hoje vim cobrar os juros.

Manuel gaguejou:
Beatriz… filha… eu estava perdido de dor…

Não me chames assim, cortou Beatriz a direito. Tens dez minutos para juntar os teus pertences. Ali, sobre a mesa, está a tua mochila o teu subsídio de despedida, dá para um bilhete só de ida até a pensão mais barata de Lisboa. Irónico, não achas?

Ela levantou-se e foi até à janela, olhando a cidade rendida a seus pés.
Quando expulsaste uma criança de dez anos para a rua, pensaste que desapareceria. Mas só me deste força para ser quem um dia viria comprar o teu mundo e acabá-lo. Agora estamos quites. Vai-te.

Manuel curvou-se ao sair. No corredor, reparou-se no espelho: um homem vencido, irreconhecível, finalmente a entender que por cada adeus atirado ao fraco, a conta chega e será paga com o mais valioso que temos.

Acham que Beatriz agiu com justiça, ou uma vingança assim, depois de tantos anos, é demais? Escrevam a vossa opinião!

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A vingança serve-se fria: Como o enteado rejeitado regressou a Portugal para ajustar contas… 15 anos depois
– „Babička, vy by ste mali ísť do iného oddelenia“ – chichotali sa mladí kolegovia pri pohľade na novú kolegynku. Nemali ani potuchy, že som kúpila ich firmu.