Olívia nunca imaginou sugerir a Sérgio que se mudasse para ela. Namorar é uma coisa, viver juntos é outra completamente. No sábado, Olívia esperava Sérgio para o passeio de sempre. Ela abriu a porta e ficou surpresa ao vê‑lo com duas malas enormes.

Lurdes nunca cogitou sugerir a Sérgio que se mudasse para a sua casa. Namorarse é uma coisa, viver juntos é outra totalmente distinta.
Numa tarde de sábado, Lurdes esperava Sérgio para o passeio de sempre. Abriu a porta do apartamento e, ao enxergar o homem com duas malas enormes, ficou surpresa.

Sérgio, o que aconteceu? perguntou, a voz tremendo.

Lurdes, posso entrar? Preciso explicar. respondeu ele, entrando apressado.

Lurdes conduziuo ao salão. Sérgio largou as malas no corredor e sentouse no sofá.

A senhora da propriedade decidiu vender o flat. Exigiu que eu desocupe em sete dias.

E agora? insistiu Lurdes, o coração acelerado.

Não tenho onde ficar. Não se encontra outro apartamento num piscar de olhos e o dinheiro falta.

Lurdes começou a compreender a situação.

Sérgio, pensei nós temos um relacionamento sério. Já se passaram seis meses desde que nos conhecemos, nos conhecemos bem. Que tal… vivermos juntos?

Juntos? repetiu Lurdes, incrédula.

Sim. O teu apartamento tem três quartos, há espaço de sobra. Não pretendo ser um peso; ainda trabalho, dividirei as despesas de mantimento e tudo mais.

Mas nunca falámos sobre isso.

Por que falar antes? A vida já nos deu as pistas.

A confusão se instalou no olhar de Lurdes. Ela não estava preparada para tal virada.

Preciso pensar.

Pensar? Amamosnos, não é?

Amar e cohabitar são coisas diferentes.

Por que diferentes? Na nossa idade é hora de decidir.

Decidir o quê?

O futuro da relação. Se nos vemos, devemos estar juntos.

Lurdes fitou as malas no corredor. Sérgio parecia ter decidido tudo por ela, trazendo as suas coisas como se fosse uma imposição.

E se eu me opuser?

Opusse ao quê? À felicidade?

Ao fato de alguém chegar com bagagem sem nem pedir licença.

Lurdes, não me irrito contigo. Não foi por mal. As circunstâncias simplesmente assim o fizeram.

As circunstâncias não surgem, são criadas.

O que queres dizer?

Que devias ter conversado comigo antes de trazer as malas.

Sérgio ficou em silêncio, refletindo.

Então, vamos conversar agora. Proponho que vivamos juntos.

Recuso.

Por quê?

Porque gosto de viver sozinha. Gosto da nossa companhia, mas não quero partilhar o dia a dia.

Mas por que? Somos compatíveis.

Compatíveis para encontros, caminhadas, lazer. Não para conviver sob o mesmo teto.

Qual a diferença?

O convívio diário traz hábitos, ordem, concessões.

Então? Poderíamos adaptarnos um ao outro.

É justamente isso que não quero. Estou bem como estou.

Sérgio aparentava estar abatido.

E se eu sugerir casamento?

Por quê?

Para que tudo fique certinho, como se deve.

Sérgio, o casamento não mudaria nada. Não quero morar contigo.

Então, qual o sentido da nossa relação?

O mesmo de antes: encontramonos, conversamos, partilhamos momentos.

E depois?

Continuamos a encontrarnos.

Mas isso não é sério!

Por que não seria? Esse tipo de relação me serve.

Eu quero estabilidade.

Que tipo de estabilidade procuras? indagou Lurdes, sentandose à frente.

Uma vida familiar, acordar ao lado da pessoa amada, fazer planos juntos.

Eu não quero partilhar o pequenoalmoço todos os dias. Não quero adaptarme aos planos de outrem.

Mas estás sozinha!

Não, tenho filhas, amigas, tenste tu. Solidão e viver só são coisas distintas.

Não percebo a diferença.

Agora escolho quando e com quem conversar. Se morarmos juntos, essa escolha desapareceria.

Lurdes, aos sessenta anos já é hora de pensar quem vai estar ao teu lado na velhice.

Eu penso. Mas não tem que ser um homem.

Quem então?

As filhas, uma cuidadora, os serviços sociais. Há opções.

Mas não é isso!

Pode não ser o que esperas, mas para mim está bem.

Sérgio levantouse e caminhou pelo quarto.

Então, proponhas que eu continue a alugar o meu apartamento e nos encontremos só nos finsdesemana?

Fazme viver como quiseres. E encontrarmonos quando ambos desejarmos.

E se eu não puder pagar um novo apartamento?

Esse é o teu problema, não o meu.

Cruel, Lurdes.

É honesto. Não sou responsável pelas tuas questões habitacionais.

Mas ainda nos encontramos!

Sim, mas isso não me obriga a resolver a tua vida.

Sérgio sentouse novamente no sofá, pensativo.

Se eu encontrar um apartamento, continuaremos a conversar?

Claro, se quisermos.

Enquanto procuro, poderia ficar contigo por algum tempo?

Não.

De jeito nenhum?

De jeito nenhum.

Percebendo que Lurdes estava firme, Sérgio pegou as malas e dirigiuse à porta.

Então terei de procurar casa e, ao mesmo tempo, novos relacionamentos.

Talvez.

Lurdes, não te arrependerás?

Não.

Ele saiu, e nunca mais lhe deu sinal de vida. Lurdes voltou ao seu cotidiano tranquilo, sem um companheiro ao lado. Aos sessenta anos, valorizava a paz acima de qualquer romance, e a liberdade mais que qualquer companhia

E tu, como agirias nesta situação? Escreve nos comentários a tua opinião. Curte se gostaste.

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Olívia nunca imaginou sugerir a Sérgio que se mudasse para ela. Namorar é uma coisa, viver juntos é outra completamente. No sábado, Olívia esperava Sérgio para o passeio de sempre. Ela abriu a porta e ficou surpresa ao vê‑lo com duas malas enormes.
Живот на изчакване: Когато мечтите ни остават за утре