O Sabor do Pão CaseiroAo retirar o pão dourado do forno, o perfume envolvente despertou memórias de infância e trouxe sorrisos a todos ao redor da mesa.

Quando Madalena voltou à aldeia, ninguém a reconheceu de imediato.
Passaramse trinta anos. Trinta anos desde que, ainda menina de dezoito, entrou num autocarro com destino a Lisboa e desapareceu. No começo mandava cartas, depois com menos frequência, até que cessaram por completo. Falavam que havia casado e ido viver ao estrangeiro; outros sussurravam que se metera em encrenca.

Agora estava à porta do velho portão, onde antes se erguia uma enorme nogueira. O portão estava escangalhado, a casa coberta de urtigas e a árvore ainda rangia, mas os ramos haviam engrossado, como se esperasse exatamente por ela.

Madalinha? perguntou, hesitante, a vizinha Zefa, ao sair da porta. És mesmo tu, Senhor

Sou eu, tia Zefa sorriu Madalena, a voz tremendo. Voltei.

Não me digas! exclamou Zefa, cruzando os dedos. Ainda estás viva! Já estávamos a pensar

Não chegou a terminar a frase. Aproximouse, abraçoua, e ambas choraram. Não era um choro alto, nem desesperado, mas o tipo de lágrima que escapa de quem tem carregado tanto no peito.

A casa de Madalena ficava na extremidade da aldeia. O pai, outrora padeiro, fazia o pão para todo o povo. Era considerado um mestre. Diziam que o aroma do seu pão cheirava a festa. As gentes iam buscar a barra não só para comer, mas para sentir calor.

Ainda o teu pai fazia aquele pão milagroso, suspirava Zefa, enquanto se sentavam ao entardecer num banco de madeira. Lembras como ele amassava a massa à mão e, depois, chamava a gente toda para cheirar? Dizia: Guardem este cheiro. Ele é a casa.

Lembro, respondeu Madalena baixinho. Esse cheiro é a minha memória mais forte.

Ela ficou em silêncio. Em Lisboa, de fato, casarase com um engenheiro. Teve uma filha, Filomena. Divorciouse, trabalhou em cafés e, finalmente, abriu uma pequena pastelaria. Usava a receita do pai, mas o perfume daquele pão nunca chegava ao mesmo ponto.

O teu pai sabia tudo de coração, não de livros nem de receitas, prosseguiu Zefa. Era sentir.

É isso, concordou Madalena, assentindo. Falta esse sentir.

No dia seguinte foi à oficina de correios, que agora também servia de clube e de administração local, para descobrir quem era o proprietário da casa. Descobriu que ninguém constava como dono; a casa estava declarada abandonada. Uma semana depois regularizou a situação e decidiu ficar.

No início suscitava curiosidade. A cidade, de salto alto e olhos brilhantes. Mas, com o tempo, foram se acostumando. Madalena comprou uma batedeira, trouxe de Lisboa farinha e fermento, limpou o forno e, numa manhã, o aroma que tanto lhe faltava espalhouse sobre a aldeia.

Os velhos saíam para a rua e paravam, como se algo lhes voltasse à memória. As crianças giravam à porta, espreitando pelas janelas. Ao cair da tarde, quando Madalena expôs as primeiras barras, formouse uma fila que chegava até o portão, tal como nos velhos tempos.

Por amor de Deus, Madalena, exclamavam. Está igual ao do teu pai! Uma cópia perfeita!

Ela apenas sorriu, pensando que, embora muito parecesse, ainda havia um toque seu.

Certa noite apareceu à porta um homem de sessenta e poucos anos, cabelos grisalhos, casaco gasto. Ficou ali, hesitante, antes de entrar.

Madalena disse ele, finalmente.

Ela virouse e o coração bateu forte.

Léo?

Ele assentiu. Era o mesmo Léo, vizinho da infância, com quem partilhara aulas, passeios e sonhos. Depois ficou, casouse, perdeu a esposa e criou um filho. Agora, ainda com um ar tímido, balançavase de um pé para o outro como um adolescente.

O teu pão começou ele, tem o mesmo cheiro de antes. Talvez ainda melhor.

Obrigada, respondeu Madalena, sorrindo. Entra, vamos tomar um chá.

E assim começou tudo.

Primeiro foram conversas simples. Depois ajudoua com lenha e consertou o forno. Logo, ele vinha todas as noites. Às vezes ficavam em silêncio; outras, falavam até à madrugada sobre tudo: como viviam, o que perderam, onde encontravam forças para seguir.

Um dia ele disse:

Sabes, nunca te esqueci.

Eu? Depois de trinta anos?

Como poderia esquecer? deu de ombros. Quando o pão cheira, lembrote sempre.

No inverno, a filha Filomena chegou à aldeia. Urbana, cheia de telefone e portátil.

Mãe disse, ao olhar o forno Queres ficar aqui? Sem internet, sem entregas, sem nada?

Filomena, aqui tenho tudo. Pessoas, casa, pão.

Mas porquê? resmungou, batendo a tampa do portátil. Isto é um buraco!

Filomena falou suavemente e tu tens o cheiro da infância?

O quê? não entendeu a filha.

Aquele cheiro que, ao fechar os olhos, traz calor, como se alguém te abraçasse. Tens isso?

Filomena ficou muda. Mais tarde, quando Madalena tirou do forno uma barra ainda fumegante, Filomena aproximouse e abraçoua.

Mãe acho que estou a perceber.

Desde então, vem todo verão, ajuda, tira fotos do pão e publicaas na internet: pão da avó. Os pedidos chegam até da cidade. Mas Madalena continua a fazer o pão à mão, como lhe ensinou o pai.

Na primavera, Léo adoeceu. Primeiro um resfriado, depois o coração. Madalena levavalhe comida, fazia-lhe companhia no hospital, e ele brincava:

Não te preocupes, ainda vou comer o teu pão.

Numa noite, Léo partiu.

Ela não chorou. Sentouse na varanda e observou o sol nascer devagar sobre a aldeia, segurando ainda quente uma barra fresca. O perfume do pão parecia tão forte que a própria vida parecia entrar naquela casa.

Obrigada murmurou ao vazio. Por tudo.

Dois anos se passaram. A padaria A Casa da Madalena era conhecida em todo o concelho. O mais importante era que o pão devolvia às pessoas a memória. Uns diziam: cheira a infância. Outros: cheira a felicidade.

Quando um jornalista lhe perguntou:

Madalena, qual é o segredo do teu pão?

Ela sorriu e respondeu:

Lealdade.
Lealdade à casa, às pessoas, ao que fomos. Quando há lealdade no coração, o pão cresce, e a vida também.

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O Sabor do Pão CaseiroAo retirar o pão dourado do forno, o perfume envolvente despertou memórias de infância e trouxe sorrisos a todos ao redor da mesa.
Nevesta na prenájom – Svadba sa ruší! – šokovala rodičov pri večeri Polina. Mama sa takmer zadusila, keď počula túto správu od dcéry. – Poli, zbláznila si sa? Máš kúpené svadobné šaty, prstienky, objednanú reštauráciu… Tvoj Dimi čaká na túto svadbu ako na spasenie… Polina, povedz, že si len robíš srandu! – začala sa obávať mama. – Nie, mami, nežartujem. S Floydom čoskoro odchádzame do Londýna. Je to vážne, – ukončila rozhovor Polina. – Londýn? Ale veď tam je všetko cudzie a neznáme. Iní ľudia, iná krajina. Stratíš sa tam! Spamätaj sa, dcérka! Ten Floyd ti zamotal hlavu! Určite je ženatý! Možno má kopu detí! Je o dvadsať rokov starší! Tvoj Dimi ťa úprimne miluje! Je nám s otcom ako syn! Nezraňuj skutočnú lásku. Za všetko sa raz platí! – prosila ustarostená mama. – Nič sa neboj, budem niesť následky. Neľakám sa, – bola Polina rozhodná. …Po pár týždňoch Polina a Floyd vycestovali do Anglicka. Polina snívala už odmalička aspoň nachvíľu spoznať, ako žijú ľudia v iných krajinách. Naučila sa plynulo po francúzsky aj anglicky, teraz študovala španielčinu. Pracovala po škole v cestovnej kancelárii ako prekladateľka. A práve tam stretla Floyda. Mala ho sprevádzať na rôznych akciách. Floyd si ju okamžite všimol… Polina bola príjemná, milá, pekná a hlavne – mladá! Mala dvadsaťtri, Floyd štyridsaťšesť. Najprv brala jeho dvorenie s nadhľadom. Ani netušila, že čoskoro jej navrhne sobáš. Dokonca už po týždni známosti! Polina však neprezradila, že ju o pár týždňov čakala svadba s milovaným Dimirom. Nevedela, čo robiť. Veď šanca vydať sa za cudzinča nie je pre každé dievča! Nemohla ju zahodiť! Aj keď k Floydovi nič necítila – očakávala nový život plný radosti, nových zážitkov a dobrodružstva. Samozrejme, bude vďačná svojmu novému mužovi. Dimi určite zabudne, je predsa ešte mladý a svoj osud si nájde. Takto uvažovala Polina pred cestou do neznáma. Dimiho o všetkom informovala cez telefón. Nerozumel zmeneným okolnostiam, ale poprial jej šťastné manželstvo. Potom sa ponoril do dlhého a bolestného smútku… …Floyd a Polina pristáli v Londýne. Dievča žiarilo šťastím. Neverila vlastným očiam – naozaj sa jej splnili sny? Chcela objať celý svet. Ako si však udržať šťastie? …Floyd previedol Polinu do obrovského domu. Privítala ich Floydova rodina – dvaja dospelí synovia, Hale a Evan (neskôr sa Polina stane manželkou Evana a bude v manželstve veľmi šťastná). O chvíľu prišla z izby aj Floydova bývalá žena, Lenora – krásna a udržiavaná dáma. Nahnevane vykríkla: – Zbláznil si sa, Flo? (doma tak volali Floyda). Kto je táto slečna? Odkiaľ si ju sem privliekol? Chce tu s nami bývať?! – zanášala sa krikom. – Áno, bude tu bývať. Je to môj dom a Polina sa čoskoro stane mojou ženou. Prosím ťa, neubližuj jej, Lenora, – Floyd sa ospravedlňoval. Polinu upútala napätá atmosféra. Rodina, hoci rozpadnutá, žila stále spolu v jednom krásnom dome. Lenora mala všetkých pod kontrolou. Polinu však v duši aj v srdci očaril …Evan. To nebol Dimi so svojimi smútkami a ospravedlneniami na kolenách. Bola to skutočná, čistá, večná láska… Mladsí Floydov syn mal dvadsaťštyri. Evan bol celý po mame – krásavec. Okamžite si všimol neznámu dievčinu, ktorú otec doviezol nevedno odkiaľ. Medzi mladými preskočilo niečo nevysvetliteľné a bolestne vzrušujúce. Duše sa rozochveli. Chceli sa spoločne vrhnúť do priepasti nevypovedaných citov. …Floyd povedal Poline, že so svadbou ešte musia počkať. Nevysvetlil prečo. Polina súhlasila bez odporu – nechcela sa vrátiť domov. Dostala vlastnú izbu (dom bol veľký). S Floydom mala priateľské, ničím nezaťažované vzťahy. Lenora ju úplne ignorovala. …Prešli tri mesiace. Medzitým sa Polina zblížila s Evanom. On jej poodhalil rodinné tajomstvá – Floyd miluje bývalú ženu Lenoru a ona jeho. Po rozvode sa však neudobrili. Floyd sa rozhodol Lenoru vyprovokovať a priviedol do domu mladú snúbenicu. Ako „nevesta na prenájom“. A keď sa bývalí zmieria, Polinu vyprevadia domov s darčekmi. Keď to Polina počula, rozosmiala sa cez slzy: – Tak ja som bola len nevesta na prenájom! Sama som pred časom utiekla svojmu ženíchovi. Evan, čo teraz? – Poli, ja bez teba nevydržím! – vyznal sa Evan. – Aj ja! Už som myslela, že sa nikdy neodvážiš priznať! – uľavilo sa Poline. – Ako som sa mohol priznať, keď si bola snúbenica môjho otca? Nevedel som o otcových „hrách“. Hale mi to povedal a ja som sa potešil – dievčina, do ktorej som sa zamiloval, bola zrazu voľná! Polina, vydala by si sa vôbec za môjho otca? – Ach, Vanko (tak nazývala Evana)! Hneď ako som ťa prvýkrát uvidela… všetky plány sa zmenili! Určite by som mu povedala nie! – usmiala sa Polina. Objali sa ako dávni známi. Polina odpustila Floydovi aj Lenore. Čo len človek nevydrží pre lásku… Aj v tejto zamotanej histórii bol šťastný koniec – Polina našla Evana! Boh jej poslal druhú polovičku na druhej strane sveta! Za šťastím človek uteká, a ono leží rovno pri ňom. Evan a Polina sa čoskoro zosobášili. Evan sa bál, aby Polina neutiekla späť na Slovensko. Preto nečakali ani s rodinou. Polina mu porodila syna. O dva roky dcéru. Evan zalieval Polinu láskou a starostlivosťou. V ich dome bývalo šťastie. Mimochodom, aj Floyd s Lenorou si už vyriešili svoje. Odteraz boli opatrnejší a nežnejší – viac už nechceli podobné „hry.“ S radosťou sa starali o vnúčatá. …Jedného dňa Polina dostala od mamy starostlivý list – prosila dcéru, aby prišla na návštevu. Polina sa začala pripravovať na dlhú cestu. Deti nechala doma – boli ešte malé. Opustila ich u babky Lenory. Ponáhľala sa domov k mame. Cítila, že niečo nie je v poriadku. Mama ju vítala v slzách a hneď od dverí spustila: – Och, Polina! Ten tvoj Dimi zahynul! A svoju ženu zobral so sebou! Na motorke sa zabili. Zanechali po sebe sirotu. Dievčatko má len tri roky. Smola! Vieš, Polinka, Dimi na teba nikdy nezabudol. Stále ťa miloval. Len čo si odišla, našiel si náhradu. Nechcel trpieť. Priviezol si z tichej dediny takú chuderu. Bola akoby si tiahla smolu za sebou. Ale Dimiho poslúchala, možno ho aj mala rada. Hneď mu porodila dievča. Volali ju Polina. Je veľmi šikovná! V koho – neviem. Škoda malého dievčatka. Teraz detský domov alebo ústav. Kamže inam? A, čo je najhoršie, pred smrťou ešte Dimi prišiel a povedal mi: „Chcem dať Polinke darček, aby na mňa nikdy nezabudla!“ A smrť mu už stála za chrbtom… Pomáhal nám v domácnosti, keď nebol napitý. Zdalo sa, že život mu uniká pomedzi prsty. Ty si si v tej Anglii žila svoj život… Nestihol ten darček… – mama si zotierala slzy do zástery. Polina si všetko pozorne vypočula, potom pevne povedala: – Stihol, mamka. My s manželom jeho Polinku adoptujeme. Takýto darček od Dimiho si vezmeme domov… Evan ma určite podporí. Za všetko v živote musíme niesť zodpovednosť, vieš to… A teraz mi prosím priprav niečo pod zub! Som unavená a hladná z cesty. Najradšej by som si dala kyslé jabĺčko alebo zaváranú uhorku. Veď vieš, budúce maminy musia jesť za dvoch! – záhadne žmurkla Polina na mamu…