Esposa (41) pediu — me deixa ir ao Marrocos, estou tão cansada. Voltou — radiante. Três dias depois a amiga enviou foto. Eu pedi o divórcio.

Tenho quarenta e seis anos. Casado há dezoito, com Olívia, quarenta e um. Dois filhos: Tomás, quinze, e Benedita, doze. Uma família comum: trabalho, casa, escola, raras idas ao cinema.

Três meses atrás Olívia começou a cansarme:

António, deixame fugir um bocado, estou exausta. Dezoito anos de filhos, trabalho, cozinha. Quero ir ao mar, só uma semana. Com a Inês. Só praia e mar. Inês é a sua amiga, também casada, com dois filhos. Pareciame uma mulher sensata.

Por um mês ela me pediu, todas as noites, com a voz a quase quebrar:

Por favor, António. Estou mesmo cansada.

Eu, já rendido, respondi:

Está bem. Mas nada de discotecas, nada de homens. Só a praia. Ela sorriu, abraçoume e disse:

Obrigada, amor! Volto em uma semana, prometo.

Comprei-lhe a passagem para o Algarve e ela partiu.

Quando regressou, noteia diferente. Passei a semana a cuidar das crianças, a cozinhar, a limpar, a leválas ao ballet. Cansado, mas a dar conta.

Olívia chegou num domingo à noite. Entrou no apartamento e eu quase não a reconheci: bronzeada, radiante, os olhos a brilhar. Sorria, abraçava os miúdos, beijavame.

Como foi a férias? perguntei.

Maravilhosa! Não me sentia assim há anos! Obrigada por me deixares ir! respondeu, mais carinhosa que nunca, a fazer elogios, a rir.

Pensei que o descanso a tinha reanimado.

Mas, dois dias depois, algo ficou estranho. Inês deixou de aparecer na nossa casa. Antes vinha todos os finsdesemana, tomávamos chás, conversávamos. Agora, silêncio.

Perguntei a Olívia:

Onde está a Inês? Vocês eram inseparáveis.

Olívia encolheu os ombros:

Não sei. Deve estar ocupada ou magoada. Não me aprofundarei, são coisas de mulher.

Então, três dias depois do regresso, recebi uma mensagem da Inês. Nunca tinha falado diretamente com ela, mas a mensagem dizia:

António, perdoa a intromissão, mas precisas saber a verdade. Eis como a tua esposa descansou. Tentei impedila, mas nada. Não quero ser cúmplice do engano.

Seguiuse quinze fotografias.

Desci a rolar. A primeira mostrava Olívia na praia abraçada a um homem desconhecido. A segunda, num bar, ele beijavaa no pescoço. A terceira, riamse, ele seguravaa pela cintura. A quarta, dançavam numa discoteca.

Continuei a ver. Cada foto tornavame mais pálido. Na décima, beijavamse; na décimasegunda, estavam de mãos dadas em frente a um hotel.

As mãos tremeram. O telemóvel quase saiu das minhas mãos. Senteime na cozinha, o olhar fixo no ecrã, incrédulo, sem querer acreditar.

Mas era ela. A mulher com quem vivi dezoito anos.

Fui ao quarto, onde Olívia estava a ver uma série. Senteime ao seu lado:

Olívia, quem é esse homem nas fotos?

Ela se encolheu, pálida:

Que homem? Que fotos?

Mostreilhe o telemóvel. O rosto dela ficou branco como papel.

Isso foi a Inês que te enviou? perguntei.

Sim. Quem é ele? chorou.

António, não é o que pensas! Era só um conhecido, bebemos, eu tentou explicar. Mas as fotos eram quinze, num beach bar, num bar, numa discoteca. Não era só um conhecido. Cobriu o rosto com as mãos.

Perdoame. Não sei que se me apoderou. Bebemos, relaxei foi só uma vez! sussurrou.

Só uma vez? respondi, num sorriso amargo. Um dia na praia, outro à noite num bar, outro na discoteca não foi só uma vez. Ela calouse, depois, baixinho:

Fui uma tola. Perdoame. Não queria enganarte.

Mas haviaa enganado. Chorou ainda mais forte. Levanteime e saí do quarto.

Decidime e não mudei de ideia. Naquela noite não dormi. Deitado, a olhar o teto, passei a refletir sobre dezoito anos juntos, dois filhos, uma vida partilhada, e tudo a ruir num só fim de semana.

De manhã fui ao advogado. Expliquei tudo. Ele disse:

Fotos não são prova directa de adultério em tribunal, mas se ela concordar com o divórcio, podemos concluir rapidamente.

Voltei a casa, Olívia ainda em choque, e falei:

Olívia, vamos divorciarnos.

Ela olhoume horrorizada:

António, pensa nisto. Vamos conversar? Eu mudarei!

Não havia mais o que dizer. Confiara nela, liberteia para descansar, e ela traíume. Pergunteilhe sobre os filhos.

Os filhos ficarão comigo. Poderás vêlos nos finsdesemana, mas não viveremos mais juntos.

Ela chorou:

António, não tens de ser assim!

Mas a decisão já estava tomada. Em um mês, o divórcio foi oficial. Os filhos ficaram comigo. Olívia mudouse para a casa dos pais, vendoos apenas nos finsdesemana.

O que aprendi? Não me arrependo de nada. Três meses depois, os miúdos já se habituaram à nova vida. No início foi difícil, mas agora está tudo bem.

Olívia tentou voltar. Mandava mensagens, telefonava, pedia perdão, dizia que fora um erro, que se arrependera. Eu nunca respondi. Percebi que a confiança pode evaporar numa única noite e nunca mais se refaz.

Encontrei Inês na rua alguns dias depois. Ela cumprimentoume timidamente. Eu parei:

Catarina, obrigada por teres revelado a verdade.

Pensei muito se devia dizer ou não. Decidi que tinhas de saber. Desculpa tudo o que aconteceu.

Não te desculpes. Fizeste o que era certo. Despedimonos.

Hoje vivo só, com os filhos. Trabalho, cozinho, limpo. Canso, mas não me arrependo de nada. É melhor estar só e saber a verdade do que viver num casamento com uma traidora.

O homem certo é aquele que, ao receber as fotos da amiga da esposa, não hesita em pedir o divórcio, ou deveria ter tentado perdoar e salvar a família pelos filhos? A amiga que enviou as fotos, era traidora ou alguém honesto? E, se a esposa traíu apenas uma vez nas férias, isso significa que já a traía antes, ou foi realmente um erro isolado?

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Esposa (41) pediu — me deixa ir ao Marrocos, estou tão cansada. Voltou — radiante. Três dias depois a amiga enviou foto. Eu pedi o divórcio.
Tudo acabou entre nós, Ana! Eu quero uma verdadeira família, filhos. Tu não podes dar-me isso. Esperei e aguentei durante muito tempo