Sempre Havia Visitas Lá em Casa — Todos Bebiam, Não Havia Comida Nem Um Pedaço de Pão, Só Bitucas e Uma Lata Vazia na Mesa. Léo, de Seis Anos, Saiu em Busca de Dinheiro para Uma Simples Broa, Mas Perdeu Tudo. Molhado e Faminto, Dormiu Num Prédio até Ser Encontrado por Dona Lívia, Uma Senhora de Sorriso Bondoso, Que o Acolheu Como Filho. A Felicidade Durou Pouco: Sua Mãe Biológica O Levou Embora. Três Anos Depois, No Lar de Crianças, Léo Continuava a Desenhar Sempre a Mesma Casa Branca Sob Flocos de Neve. Um Dia, Uma Jornalista Chamada Lívia Visita o Lar, Desperta Sua Esperança Com o Nome e Promete Publicar Sua História — E Assim, Graças a Uma Flor Embrulhada em Jornal, Léo e Sua “Mãe de Coração” Se Encontram Novamente, Emocionando a Todos. Anos Depois, Léo é Adulto, Feliz, Formado, Prestes a Casar, E Agradece À Mãe Lívia Por Ter Iluminado e Transformado Sua Vida.

Em casa tinham visitas. Era raro não ter visitas por lá.
Toda a gente bebe, bebe, há garrafas por todo o lado, mas comida não há nada. Nem um pedaço de pão… só há beatas de cigarro na mesa e uma lata vazia de sardinha, Manuel observou mais uma vez atentamente, mas não encontrou nada que matasse a fome.
Pronto, mãe, eu vou sair, disse o rapaz, enquanto calçava devagarinho os seus sapatos velhos e gastos.
Ainda tinha esperança que a mãe o parasse, dissesse,
Onde é que vais, filho, sem comeres nada, além disso está frio lá fora. Fica em casa. Já faço umas papas para ti e mando embora estes convidados.
Manuel esperava sempre uma palavra carinhosa da mãe, mas ela não gostava dessas gentilezas. Cada palavra que dizia parecia uma ortiga, deixando-o retraído e com vontade de desaparecer.
Desta vez, decidiu que sairia para sempre. Tinha seis anos e já se considerava crescido. Queria ganhar algum dinheiro para comprar um pão com chouriço, ou quem sabe dois, porque o estômago exigia comer alguma coisa.
Mas como ganhar dinheiro, ele não sabia. Ao passar junto aos quiosques do bairro, viu uma garrafa vazia meio enterrada na neve e guardou-a. Encontrou um saco velho abandonado e passou o resto do dia a apanhar garrafas.
Já tinha uma boa quantidade, o saco fazia barulho com tanto vidro. Imaginava-se a saborear um pão fofo e cheiroso com sementes de papoila ou até com passas, mas decidiu procurar mais algumas garrafas, talvez não chegasse para uma guloseima com cobertura.
Foi então à estação dos comboios suburbanos, onde os homens bebem cerveja enquanto esperam pelo comboio. Manuel largou o saco ao lado do quiosque e correu atrás de uma garrafa recém-abandonada. Enquanto corria, apareceu um homem sujo e mal-encarado. Ele levou todas as garrafas, olhou para Manuel de maneira tão ameaçadora que o menino não teve outro remédio senão virar costas e ir embora.
O sonho do pão evaporou-se como miragem.
Apanhar garrafas também é um trabalho duro, pensou, enquanto recomeçava o percurso pelas ruas geladas de Lisboa.
A neve molhada colava-se-lhe aos pés já ensopados e frios. Escureceu de repente. Não lembrava como entrou num prédio desconhecido, caiu numa escada junto ao aquecedor do prédio, enroscou-se e caiu num sono quente.
Ao acordar, achou que ainda sonhava, porque estava bem, confortável e sentia o cheiro de comida saborosa.
Nisto, entrou uma senhora com um sorriso gentil.
Ora então, menino, perguntou ela com carinho, já estás mais quentinho? Descansaste? Vem pequeno-almoçar comigo. Ontem à noite ia para casa, vi-te aqui na escada como um cachorrinho, trouxe-te comigo.
Este vai ser o meu lar agora? perguntou Manuel, desconfiado mas esperançoso.
Se não tens casa, será a tua, respondeu ela.
Depois, tudo foi mesmo como nos contos de fadas. A senhora dava-lhe comida, cuidava, levava roupa nova. Pouco a pouco Manuel contou-lhe tudo sobre a vida dura que tinha com a mãe.
Essa senhora chamava-se Beatriz um nome que Manuel nunca tinha ouvido, mas achou digno de uma fada boa.
Queres que eu seja tua mãe? perguntou ela um dia, apertando-o no colo como só uma mãe cheia de amor sabe fazer.
Claro que queria, mas… a felicidade acabou depressa. Passada uma semana apareceu a mãe biológica.
Ela estava quase sóbria, mas gritou com a senhora que o acolhera, Ainda não me tiraram a guarda, tenho todos os direitos sobre o meu filho.
Quando a mãe levou Manuel embora, a neve caía e ele pensava que aquela casa da senhora boa parecia um castelo branco.
A vida ficou ainda mais dura. A mãe bebia, ele fugia de casa, dormia nas estações, apanhava garrafas, comprava pão. Não fazia amizades, não pedia ajuda a ninguém.
Com o tempo, tiraram finalmente a guarda à mãe, Manuel foi para uma casa de acolhimento em Cascais.
O que mais doía era não conseguir encontrar, por mais que tentasse recordar, aquele endereço do castelo branco onde vivia a senhora Beatriz.
Três anos passaram.
Manuel continuava fechado e pouco falador no lar de crianças. O seu refúgio era desenhar, sempre a mesma cena: uma casa branca com neve a cair.
Um dia, uma jornalista veio visitar o lar. A educadora mostrava-lhe as salas e apresentava-lhe as crianças. Chegaram a Manuel.
O Manuel é um menino interessante, mas tem dificuldades em adaptar-se ao grupo. Continua com dificuldades, mesmo já cá estando há três anos. Estamos a tentar encontrar-lhe uma família, explicou a educadora.
Olá, eu sou Beatriz, disse a jornalista, estendendo a mão.
Manuel ergueu-se, animou-se e começou a falar! Contou apaixonadamente sobre a outra senhora Beatriz que o salvara, parecia que a alma dele finalmente descongelava. Os olhos brilhavam, o rosto corava. A educadora ficou espantada com tal mudança.
O nome Beatriz foi como uma chave de ouro para o coração do menino.
A jornalista Beatriz chorou ao ouvir toda a história do pequeno Manuel. Prometeu-lhe publicar uma reportagem no jornal local, talvez assim a senhora boa o visse e soubesse que ele ainda procurava por ela.
Beatriz cumpriu o prometido. E deu-se um milagre.
A senhora Beatriz não lia jornais, mas era o seu aniversário e os colegas ofereceram-lhe flores, embrulhadas, por causa do frio, num jornal. Em casa, ao desfazer o embrulho, reparou no título de uma pequena notícia: Senhora Beatriz, Manuel procura por si. Respondam!
Leu o texto e compreendeu logo era o mesmo menino que acolhera na noite gelada e quis adotar.
Manuel reconheceu-a imediatamente. Correu para ela. Abraçaram-se. Choraram todos: Manuel, Beatriz, os educadores presentes.
Esperei tanto por ti, murmurou o rapaz.
Foi difícil convencê-lo a deixá-la partir para casa. Beatriz não podia levá-lo já, seria preciso iniciar um processo de adoção, mas prometeu visitá-lo todos os dias.
P.S.
Depois, Manuel teve uma vida feliz. Hoje tem 26 anos. Formou-se em Engenharia Química. Vai casar com uma boa rapariga. É um homem alegre, sociável e, acima de tudo, adora a sua mãe Beatriz, a quem deve tudo.
Mais tarde, já adulto, Beatriz contou-lhe que o marido a deixou por não poderem ter filhos. Sentia-se só, triste, inútil. Foi nesse instante que encontrou Manuel na escada e aqueceu-lhe o coração.
Quando a mãe o levou de volta, Beatriz pensou não era para ser.
Mas ficou radiante quando o reencontrou no lar.
Manuel tentou descobrir o destino da mãe biológica. Ficou a saber que alugavam sempre uma casa na cidade. A mãe, anos atrás, partiu sem deixar rasto com um homem que saíra da prisão. Não quis saber mais. Para quê?

Na vida, aprende-se que a verdadeira família é quem cuida, ama e nos faz sentir em casa, mesmo que não exista laço de sangue. O amor, tal como a neve que cobre tudo de branco, é capaz de transformar a dor em esperança e dar sentido à vida.

Оцініть статтю
Додати коментар

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

six − 1 =

Sempre Havia Visitas Lá em Casa — Todos Bebiam, Não Havia Comida Nem Um Pedaço de Pão, Só Bitucas e Uma Lata Vazia na Mesa. Léo, de Seis Anos, Saiu em Busca de Dinheiro para Uma Simples Broa, Mas Perdeu Tudo. Molhado e Faminto, Dormiu Num Prédio até Ser Encontrado por Dona Lívia, Uma Senhora de Sorriso Bondoso, Que o Acolheu Como Filho. A Felicidade Durou Pouco: Sua Mãe Biológica O Levou Embora. Três Anos Depois, No Lar de Crianças, Léo Continuava a Desenhar Sempre a Mesma Casa Branca Sob Flocos de Neve. Um Dia, Uma Jornalista Chamada Lívia Visita o Lar, Desperta Sua Esperança Com o Nome e Promete Publicar Sua História — E Assim, Graças a Uma Flor Embrulhada em Jornal, Léo e Sua “Mãe de Coração” Se Encontram Novamente, Emocionando a Todos. Anos Depois, Léo é Adulto, Feliz, Formado, Prestes a Casar, E Agradece À Mãe Lívia Por Ter Iluminado e Transformado Sua Vida.
Още в седми клас Петя предупреди съученичките си, че Пешо ще бъде нейният мъж – и когато дойде времето, те непременно ще се оженят