Enquanto Não Chega o Autocarro: Outono nos Subúrbios de Lisboa, Um Cachecol Axadrezado, Telefones Sem Rede e Dois Corações Que Se Encontram numa Paragem – Uma História de Espera, Chocolate Quente, Eclairs, Pontes sobre o Tejo, Janelas Iluminadas e um Pedido de Casamento Numa Noite de Ano Novo Numa Aldeia Portuguesa

Enquanto o autocarro não chegava

O final de outubro em Lisboa sempre teve um encanto singular. O ar tornava-se mais fresco, carregado do aroma das folhas caídas e do prenúncio das primeiras madrugadas frias. Foi nessa espécie de entressafra outonal que Matilde, enroscada num enorme cachecol axadrezado, aguardava impaciente na paragem, perdida no movimento constante dos carros ao longo da Avenida da Liberdade. O telemóvel, mudo na sua mão, insistia em não apanhar rede, e na cabeça martelava o refrão pegajoso da novela da RTP que tinha visto na véspera. Matilde chegara tarde ao autocarro de novo, como sempre.

Junto dela, havia um outro. Um rapaz. Apercebeu-se dele pelo canto do olho: mãos nos bolsos do casaco, postura direita, olhar atento, mas não perdido, antes curioso. Ele não olhava para a estrada, mas sim para um ninho de gralhas quase à tona das folhas nuas de um plátano do outro lado da rua. Instintivamente, Matilde seguiu o seu olhar. As aves agitadas voavam numa pressa de levar raminhos para reforçar o abrigo antes do frio.

Aposto que também têm os seus engarrafamentos disse ele, de repente, numa voz serena, sem se virar para ela. E há sempre uma gralha que está atrasada.

Matilde não conteve um riso súbito, genuíno.

E perde sempre o bico algures no túnel respondeu ela.

Ele virou-se e sorriu-lhe. Um sorriso caloroso, aberto.

Tomás.

Matilde.

O autocarro continuava sem aparecer. Ficaram ali, partilhando um silêncio confortável, agora menos solitário. Quando finalmente chegou o seu número, Matilde dirigiu-se à porta com um ligeiro pesar, sentindo a primeira brisa fria da noite.

Amanhã deve haver geada atirou-lhe ele, como um aceno.

Pois, convém trazer chá no termo aquiesceu ela, entrando na carruagem.

E assim, foi nesse amanhã que voltaram a encontrar-se na mesma paragem, sem combinar. Matilde, dessa vez, trazia nas mãos um termo fumegante de chá verde. Tomás estendeu-lhe um pacotinho com dois eclairs pequenos.

Para prevenir a fome cultural explicou, matreiro.

Desse modo, nasceu a sua espera. Não marcavam encontros. Apenas se cruzavam ali às 18:30, se ambos se atrasassem no trabalho. Por vezes o autocarro era pontual, permitindo somente uma frase apressada. Outras, tardava meia-hora, e então falavam de tudo: de chefes esquisitos, dos sonhos absurdos, do porquê de pizza com ananás ser heresia (nisso estavam de acordo), ou que música encaixava melhor numa noite de outono (aqui discordavam).

Certo dia, Tomás não apareceu. E nem no seguinte. Matilde deu por si a fitar o ninho vazio das gralhas. Sentiu um vazio desigual, inesperadamente solitário.

Foi já em novembro, uma semana depois, que o tornou a ver. Estava pálido, com olheiras fundas.

O meu pai. Hospital, resumiu, seco. Agora está bem, graças a Deus.

Ficaram lado a lado em silêncio. Depois, ela tomou-lhe a mão com delicadeza. Ele estremeceu, mas não a retirou. Os seus dedos estavam gelados. Matilde enlaçou-os na sua mão morna.

Anda murmurou Matilde. Hoje não esperamos autocarro. Vamos beber chocolate quente. Com espuma. E dois eclairs para dividir.

Nesse instante, tudo mudou.

O percurso deles transformou-se. Agora, não ficavam só à espera: caminhavam juntos até à pastelaria acolhedora da esquina, onde cheirava a baunilha e canela.

No início, limitavam-se a saborear o chocolate e conversar do que viesse à cabeça. Mas rapidamente os diálogos ganharam profundidade, como se, ao deixar de esperar autocarro, se autorizassem a querer conhecer-se com mais calma.

Descobriu que, por trás do aparente sossego de Tomás, existia um universo inteiro. Ele não era somente engenheiro civil, a desenhar pontes; falava delas como se fossem seres vivos, cheios de personalidade.

Aquela sobre o Rio Sado, contava ele, desenhando no vidro embaciado da pastelaria, é teimosa e orgulhosa. Detesta camiões. Range sempre. A nova, nos arredores, essa é uma criança, a aprender a suportar peso.

Matilde escutava de olhos brilhantes. Via poesia onde outros só enxergavam betão e cálculos. Perguntava: E aquela ponte em que nos encontrámos? E ele, pensativo, respondia: É romântica. Feita para caminhadas e conversas demoradas.

Matilde, por seu turno, era mais do que a rapariga dos textos para o blogue. Era uma exploradora de ligações invisíveis. Enquanto passeava com Tomás, aventurava-se em pequenas fantasias:

Ouves? É cheiro a sopa de beldroegas da janela do terceiro andar. Ali mora a dona Graça. Faz sopa à terça. E ouvem-se estudar piano lá em cima. Anda a ensaiar o Für Elise mas tropeça sempre no mesmo compasso.

Tomás, habituado a mapas e números, começou a sintonizar-se com o mundo à volta. Descobriu sons, aromas, nuances, cortinas nas janelas. Começou a partilhar-lhe os seus achados.

Começaram a visitar as casas um do outro. Tomás olhava, com fascínio tímido, para a desarrumação criativa do escritório da Matilde pilhas de livros, post-its coloridos, chá já frio, raminhos de hortelã secos. Provou pela primeira vez bolachas de gengibre caseiras, que desfaziam na boca, e entendeu que lar era mesmo um sabor quente e reconfortante.

Já a sua casa, arrumada e luminosa pela janela grande, revelou-se a Matilde quando ela encontrou o álbum antigo de fotografias. Numa delas, o pai do Tomás, jovem, calmo os mesmos olhos concertava um relógio mural enorme, enquanto o pequeno Tomás observava, muito sério, em silêncio.

Ele ensinou-me a maior lição disse Tomás baixinho, fitando a imagem. Tudo o que é complicado, é feito de pequenas peças. Quando algo avaria, não se deve temer só procurar a peça errada e corrigir.

Fala de relógios? sorriu Matilde.

E da vida retorquiu ele, com um sorriso enviesado.

Já não precisavam impressionar-se. Iam, antes, desfiando camadas, como alho francês, encontrando o que era frágil e verdadeiro por baixo. Matilde revelou que não escrevia só para o blogue: também escrevia poesia que nunca mostrava, por ser tão ingénua. Tomás admitiu, corado, ter frequentado um grupo literário na faculdade, antes de crescer e deixar para trás.

No auge do inverno, Matilde adoeceu. Uma constipação, febre, nariz irritado. Tomás apareceu, sem avisar, de saco cheio: limões, mel, infusões de ervas, e o mais recente livro daquela poetisa de que ela certa vez falara.

Não sabia o que era preciso justificou, atrapalhado, à porta. Por isso trouxe tudo o que pudesse consertar a engrenagem.

Matilde, de nariz encarnado, enrolada na manta, riu. E chorou. De gratidão. Por alguém finalmente não apenas ver o seu lado enérgico, mas acolher a sua fadiga. E não a temer.

E assim, passo a passo, deixaram de ser o rapaz da paragem e a rapariga do cachecol. Tornaram-se Tomás, que sabia que Matilde só gostava de chá na caneca azul, e Matilde, que percebia que se Tomás ficava calado a olhar a janela, não era zanga: era apenas a pôr ordem nos pensamentos.

Foram, gradualmente, refúgio seguro um para o outro naquela cidade enorme e tantas vezes desatenta. Um lugar ao qual se pode sempre regressar. Mesmo que para isso se perca o autocarro.

Passou um ano. Ainda recordo: já há um ano e dois meses do dia em que se cruzaram na paragem, Tomás sugeriu à mesa da pastelaria favorita deles:

Matilde, começou, olhando as mãos com nervosismo , tenho um convite. Mas peço que não respondas logo.

Ela, atenta, pousou a colher.

A minha bisavó mora numa aldeia perto de Bragança. Todos os anos espera por mim no Natal. Tem lareira, neve a sério, sossego que faz doer os ouvidos… Pediu-me muito que levasse aquela rapariga de quem tanto falo ao telefone. Ergueu-lhe um olhar ansioso. Não é um spa, o wi-fi só apanha junto à caixa do correio. Faz frio e há gansos ruidosos Podes dizer não, claro.

Matilde observou-o, olhos a brilhar como luzinhas na árvore de Natal.

Gansos? perguntou, séria.

Barulhentos.

E neve verdadeira? Daquela funda?

Pela cintura. E range como um disco velho.

E a lareira, há mesmo?

Centro da casa ele confirmou, agora com esperança.

Então eu vou! afirmou, sorrindo com todas as cores do Natal. Só preciso da lista e de instruções para escapar à fauna local.

A aldeia de inverno superou as promessas. O ar era doce, quase de rebuçado. Dona Conceição, a bisavó pequena e leve como um pardal acolheu Matilde como se fosse neta legítima: alimentou-a a filhós e mel, emprestou-lhe uma samarra de lã gigante, e despachou o casal para o pinhal escolher o pinheiro natalício.

Na noite da consoada, a mesa transbordava de comida honesta e deliciosa. Sob as badaladas finais das doze, ergueram copos de espumante português. Dona Conceição brindou à saúde dos jovens e, piscando o olho, retirou-se para um suposto descanso, deixando-os sós.

O silêncio que se fez, interrompido apenas pelo crepitar da lenha na lareira e o piscar da árvore enfeitada, era repleto como poucas vezes. Lá fora, o mundo era apenas um rumor longínquo por trás da neve. Dentro, na pequena casa morna, havia um universo só deles.

Tomás levantou-se, mexeu no lume, e aproximou-se de Matilde, as mãos em redor do cálice.

Sabes começou, com voz grave de emoção , hoje, quando fomos buscar o pinheiro e tu andavas perdida nos nevões, percebi tudo.

Tudo o quê? sorriu Matilde.

Que aquela imagem: tu, na samarra da minha avó, minúscula, nariz vermelho, sorriso a ecoar na geada isso para mim agora significa felicidade. É mais especial que qualquer cidade, qualquer ponte, qualquer projecto.

Ajoelhou-se diante dela. Tirou do bolso do casaco uma caixinha de veludo. Pegou-lhe na mão, agora morna, mas trémula.

Matilde, a rapariga da paragem que me abriu o mundo. Queres casar comigo? Construir o nosso caminho comum? Com espaço para o teu caos criativo, os meus projectos, as filhós da avó, e tudo o mais?

Ela olhou-o, e as lágrimas correram-lhe livres, iluminadas por um sorriso excessivo. Nos olhos dele havia não só paixão, mas aquela quieta certeza e entrega a mesma de que ele sempre dizia dependerem as pontes.

Sim sussurrou Matilde, palavra leve e solene, libertadora como um voto. Sim, Tomás. Claro que sim.

Ele pôs-lhe o anel encaixou na perfeição, como se sempre lhe tivesse pertencido. Quando ele a envolveu num abraço, lá fora estalou o primeiro fogo de artifício de Ano Novo. Reflexos de cor nas janelas geladas, e nos olhos deles, agora um só horizonte.

Dentro da casa, luzia felicidade. Uma felicidade já firme, sólida, como o anel, como o simples e esperado sim.

O percurso começado naquele outono ventoso em Lisboa levava-os agora à lareira acolhedora de uma aldeia, numa noite de inverno. Sabiam: viriam desafios, pontes a construir, caminhos a cruzar, mas faziam-no já juntos.

O mais importante já os unia pulsava no compasso comum de dois corações que, ao fim de tudo, se encontraram porque, um dia, ambos perderam o autocarro.

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Enquanto Não Chega o Autocarro: Outono nos Subúrbios de Lisboa, Um Cachecol Axadrezado, Telefones Sem Rede e Dois Corações Que Se Encontram numa Paragem – Uma História de Espera, Chocolate Quente, Eclairs, Pontes sobre o Tejo, Janelas Iluminadas e um Pedido de Casamento Numa Noite de Ano Novo Numa Aldeia Portuguesa
Viktor, nehnevaj sa, ale k oltáru ma povedie môj otec. Je to predsa môj vlastný. Otec je otec. A ty… no, ty si len mamin manžel, však to pochopíš. Na fotkách budem krajšie vyzerať s ním – v obleku je naozaj reprezentatívny. Viktor stál pri stole s hrnčekom čaju v ruke. Mal päťdesiatpäť, tvrdé, mozolnaté ruky kamionistu a chorý chrbát. Oproti nemu sedela Alenka. Nevesta. Krásna, dvadsaťdvaročná. Viktor si ju pamätal ako päťročnú, keď prišiel prvýkrát do tohto bytu. Skrývala sa za gauč a kričala: „Odíď, ty si cudzí!“ Neodišiel. Zostal. Naučil ju bicyklovať. Sedával pri jej posteli, keď mala ovčie kiahne a mama, Vierka, už nevládala. Zaplatil jej strojček na zuby (predal kvôli tomu motorku). Zaplatil jej vysokú školu (pracoval na dve smeny a ničil si zdravie). A “vlastný otec”, Igor, chodil raz za tri mesiace. Doviezol plyšového medveďa, zavolal ju na zmrzlinu, hovoril, ako dobýva podnikateľské vrcholy – a znova zmizol. Ani cent výživného. — Jasné, Alenka, — ticho povedal Viktor a položil hrnček na stôl, ten cinkol. — Vlastný je vlastný. Chápem. — Ty si super! — Alenka ho pobozkala na líce. — Inak, na reštauráciu treba ešte doplatiť zálohu. Otec sľúbil poslať, ale má dočasne zablokované účty, nejaká daňová kontrola. Požičiaš mi sto tisíc? Potom ti ich vrátim… Z darovaných peňazí. Viktor mlčky vstal, prešiel k starému sekretáru a vytiahol obálku spod kopy prádla. To boli peniaze na opravu jeho starej „Fábie“. Motor už klopkal, bolo treba ho generálkovať. — Vezmi. Nemusíš vracať. Je to môj dar. Svadba bola nádherná. V country klube, s oblúkom z čerstvých kvetov, s drahým moderátorom. Viktor a Viera sedeli pri stole pre rodičov. Viktor bol vo svojom jedinom slávnostnom obleku, ktorý mu už trochu ťahal rameno. Alenka žiarila. K oltáru ju viedol Igor. Igor bol dokonalý. Vysoký, opálený (práve z Egypta), v saku ako zo žurnálu. Kráčal hrdý, usmieval sa na fotoaparáty, utieral neexistujúcu slzu. Hostia si šepkali: „Aký elegán! A dcéra je celá po ňom!“ Nik nevedel, že sako je z požičovne a peniaze naň dala… sama Alenka, potajme pred mamou. Počas hostiny Igor chytil mikrofón. — Dcérka! — jeho barytón znel ako med. — Spomínam si, keď som ťa prvýkrát držal v náručí. Bola si maličká princezná. Vždy som vedel, že si zaslúžiš to najlepšie. Nech ťa tvoj muž nosí na rukách, tak ako ja! Sála tlieskala. Ženy plakali. Viktor sedel so sklopenou hlavou. Nepamätal si, že by Igor niekedy Alenku nosil na rukách. Pamätal si len to, že Igor po pôrode vôbec neprišiel. Keď bola zábava v najlepšom, Viktor vyšiel na dvor na cigaretu. Srdce ho pobolievalo. Príliš hlučná hudba, dusno. Za roh terasy, do tieňa stromov, doľahli k nemu hlasy. Bol to Igor. Po telefone s kamarátom. — V pohode, Braňo! Paráda. Svadba – luxus. Hlupáci platia, my sa zabávame. Dcéra? Pekná, vyrástla. S jej ženíchom som už dohodol – jeho otec je na magistráte. Naznačil som mu, že by sa patril testovi pomôcť v podnikaní. Asi zaberie. Dám si ešte šampanské a skúsim ho prehovoriť na pár tisíc, že na pôžičku. Alenka? Tá je zamilovaná, otca zbožňuje. Stačili dva komplimenty a má ma omotaného. Jej mama, Vierka, sedí tam s tým svojim šoférom. Strašná, zostarla. Dobre, že som ich kedysi nechal. Viktor stuhol. Pästí sa mu samé zaťali. Mal chuť vybehnúť a rozbiť mu tú jeho drahú fasádu. Ale nešiel. Lebo z druhej strany terasy, v tieni brečtanu, stála Alenka. Vyšla sa nadýchať. A všetko počula. Alenka stála s dlaňou na ústach. Makeup jej stekal po lícach. Pozerala sa na svojho „vlastného otca“, ako sa rehoce do mobilu a volá ju „zdrojem“ a „hlupáňou“. Igor skončil hovor, napravil si motýlika a pobral sa naspäť do sály, žiariac úsmevom. Alenka sa zložila na dlaždice. Viktor k nej potichu podišiel. Nepovedal: „Ja som vedel.“ Nepovedal: „Dobré ti tak.“ Len si zobral sako a prehodil jej ho cez plecia. — Vstaň, dcérka. Prechladneš. Sú studené dlaždice. Alenka zdvihla oči plné hanby a bolesti. A chvením. — Ujo Viktor… — zašepkala. — Oci… Viktor… On… — Viem, — pokojným hlasom povedal Viktor. — Už stačí. Poď. Máš svadbu. Hostia ťa čakajú. — Nedokážem tam ísť! — rozplakala sa, rozmazala si špirálu. — Zradila som ťa! Jeho som pozvala, teba posadila do kúta! Som hlúpa! Preboha, aká ja som hlúpa! — Nie si hlúpa, len si chcela rozprávku, — Viktor jej podal ruku. Bola tvrdá, hrejivá a drsná. — A rozprávky niekedy píšu podvodníci. Poď. Umyješ sa, upravíš si líčka a ideš tancovať. Nedovoľ mu vidieť, že ťa zlomil. Je to tvoj deň, nie jeho šou. Alenka sa vrátila do sály. Bola bledá, ale vzpriamená. Moderátor zahlásil: — A teraz – tradičný tanec nevesty s otcom! Igor, úsmev od ucha k uchu, sa vybral do stredu parketu, s rozpaženými rukami. V sále stíchli. Alenka chytila mikrofón. Ruka jej triasla, ale hlas zvonil. — Chcem narušiť tradíciu, — povedala. — Biologický otec mi dal život. Ďakujem mu za to. Ale tanec otca s dcérou patrí tomu, kto ten život chránil. Kto hojil rozbité kolená. Kto ma učil nevzdávať sa. Kto dal všetko, aby som tu dnes stála v bielych šatách. Obrátila sa k stolu rodičov. — Oci Viktor. Poď si so mnou zatancovať. Igor stuhol v polovici cesty s blbým úsmevom. V sále to zašumelo. Viktor váhavo vstal. Bol celý červený. Vykročil za ňou. Nemotorný, v pritesnom saku. Alenka ho objala okolo krku a položila si nos na jeho plece. — Prepáč mi, oci, — šeptala, kým tancovali. — Prepáč mi, prosím. — Všetko je v poriadku, maličká. Všetko, — hladil jej Viktor chrbát svoju ťažkou dlaňou. Igor chvíľu postával, pochopil, že predstavenie skončilo, a nenápadne sa vytratil k baru, potom zmizol úplne. Prešli tri roky. Viktor leží v nemocnici. Srdce to nevydržalo. Infarkt. Leží pod infúziou, slabý, bledý. Dvere sa otvoria. Vchádza Alenka. Vedie za ruku malého chlapčeka, dvojročného. — Dedo! — zakričí malý a beží k posteli. Alenka si sadne k nemu, bozkáva mu každú mozolnatú dlaň. — Oci, priniesli sme ti pomaranče. A vývar. Lekár povedal, že prognóza je dobrá. Neboj sa, my ťa vytiahneme. Už som ti kúpila pobyt v kúpeľoch. Viktor sa na ňu pozerá a usmieva sa. Nemá milióny. Má staré auto a boľavý chrbát. Ale je najbohatší na svete. Lebo je Otec. Bez prívlastku „nevlastný“. Život všetko poskladal na správne miesto. Lenže za poznanie sa niekedy platí vysoká cena – hanba a výčitky. Ale lepšie neskoro pochopiť, než nikdy: otec nie je ten, koho meno je v rodnom liste, ale ten, kto ťa zdvihne, keď padáš. Ponaučenie: Neháňajte sa za krásnymi pozlátkami. Môžu byť prázdne. Vážte si tých, čo pri vás stojí každý deň, kto bez slova podrží, pomôže a nič nechce späť. Lebo keď skončí oslava a hudba stíchne, ostane pri vás len ten, kto vás naozaj miluje, nie ten, kto miluje ukazovať sa na vašom pozadí. A vy? Mali ste nevlastného otca, ktorý sa stal viac ako vlastný? Alebo si myslíte, že krv je hlavná? 👇👨‍👧