— Ó Dona Alva! — exclamou Mateus. — Quem lhe deu permissão para manter um lobo na aldeia?

Ó Dona Alda! gritou Martim. Quem lhe deu permissão para manter um lobo aqui na aldeia?

Ainda me lembro de quando Alda Esteves chorou amargamente ao avistar a cerca destruída. Quantas vezes já a tinha sustentado com tábuas e remendado com estacas antigas, sempre esperando que resistisse até conseguir juntar um pouco mais de dinheiro da sua pensão minúscula. Mas o destino não ajudou: a cerca veio abaixo.

Há já dez anos, Dona Alda cuidava sozinha da sua casa, desde que o seu amado marido, Pedro Andrade, partiu para o céu. Tinha mãos de ouro, o Pedro. Enquanto ele vivia, Alda nem conhecia a inquietação. Era mestre em tudo: carpinteiro, artesão, um verdadeiro faz-tudo.

Era raro precisar de chamar profissionais à aldeia, pois Pedro resolvia tudo com dedicação e gentileza, características que lhe valiam respeito dos conterrâneos. Juntos, Alda e Pedro viveram quarenta anos felizes, por um dia não chegaram ao aniversário redondo. Casa arrumada, horta generosa, animais bem tratados frutos do trabalho comum do casal.

Tiveram um único filho, o Egídio: orgulho e alegria dos pais. Desde pequeno, Egídio aprendeu a ser responsável, ajudava sem ser chamado. Quando a mãe voltava exausta da vindima, já ele tinha arranjado lenha, trazido água, acendido o fogão e tratado dos animais.

Pedro, ao voltar do trabalho, lavava-se e sentava-se à porta para fumar enquanto Alda preparava o jantar. À noite, reuniam-se todos à mesa, contando as peripécias do dia. Eram felizes sem saber.

O tempo passou depressa, deixando só recordações. Egídio cresceu, partiu para Lisboa, estudou, casou-se com uma rapariga da cidade chamada Beatriz. Fixaram-se na capital. Ao princípio, Egídio ainda vinha à terra de férias, mas depois Beatriz convenceu-o a viajar para o estrangeiro todos os anos. Pedro Andrade não compreendia.

Mas onde se cansou tanto o nosso Egidinho? Só pode ter sido a Beatriz a meter-lhe essas ideias de viagens na cabeça!

O pai esteve magoado, a mãe suspirava. Restou-lhes viver na esperança de uma carta do filho. Um dia, Pedro caiu doente. Recusava a comida, fraquejava. Os médicos prescreveram remédios, mas, afinal, só puderam recomendar que regressasse a casa para esperar o fim. Na primavera, quando o campo acorda e os rouxinóis cantam, Pedro partiu.

Egídio veio ao funeral, chorou arrependido por não ter conseguido ver o pai em vida. Ficou uma semana, depois voltou à capital. Nos últimos dez anos, só três cartas escreveu à mãe. Alda permaneceu só. Vendeu a vaca e as ovelhas aos vizinhos.

Para que queria ela bichos agora? A vaca ficou tempo junto ao portão, escutando os lamentos de Alda, que ia para o quarto mais distante calar-se e chorar.

Sem mãos de homem, a casa foi caindo: o telhado pingava, as tábuas do pórtico apodreciam, a água invadia o porão. Dona Alda fazia o possível, guardando pouco da pensão para pagar a alguém. Por vezes fazia ela própria, sabia da vida do povo.

Assim se foi aguentando, mal dava para sobreviver. Quando veio novo desgosto: a sua visão piorou bruscamente. Nunca tinha tido tais problemas. Foi à loja da aldeia e mal conseguia ler os preços. Uns meses depois já não via sequer a tabuleta do mercado.

A enfermeira veio vê-la, insistiu que fosse ao hospital.

Dona Alda, quer ficar cega? Fazem-lhe a operação, recupera a vista!

Mas a velhota tinha medo de cirurgia e não quis ir. Ao fim de um ano, quase não via mesmo. Mas não se preocupava muito.

Para que serve a luz? Televisão vejo só ouvindo as notícias, entendo tudo. Em casa faço tudo de memória.

Apesar disso, e por vezes, ficava inquieta. A aldeia acolhia cada vez mais gente desonesta. Roubavam casas abandonadas, levavam tudo. Alda receava não ter um animal forte para afastar intrusos indesejados.

Perguntou ao caçador Simão:

Não sabes se o guarda-florestal tem cachorros? Nem que seja pequeno, cuido dele

Simão olhou-a curioso:

Ó Dona Alda, para que cachorros de caça? São bichos de mato. Posso arranjar-lhe um cão pastor de raça da cidade.

Pastor deve ser caro

Não mais caro que dinheiro, Dona Alda.

Então traga.

Dona Alda calculou as poupanças, achou que dava para comprar um bom cão. Mas Simão, sempre de promessas, adiava tudo. A velhota ralhava-lhe, mas no fundo sentia pena. Era homem infeliz, sem família nem filhos. Só a forte era companheira fiel.

Simão, do tempo do Egídio, nunca foi para fora, ficou na aldeia. Lisboa era-lhe estranha. Só a caça o entusiasmava. Podia andar perdido nos matos por dias.

Quando fechava a época da caça, Simão fazia trabalhos pelas quintas: abria hortas, carpintava, consertava máquinas. O que ganhava das senhoras idosas tratava logo de gastar em bebida.

Após dias de folia, ia ao mato, inchado, doente, envergonhado. Passados dias, voltava com cogumelos, bagas, peixes, pinhões. Vendia barato, gastava depressa. Era bêbado, mas sempre ajudava Dona Alda, por pagamento. Agora, com a cerca caída, teve de recorrer a ele.

Parece que o cão vai ficar para depois suspirou Alda Esteves. Primeiro, tenho de pagar-te a cerca, e há pouco dinheiro.

Simão apareceu com a mochila. Além das ferramentas, via-se algo a mexer lá dentro. Sorrindo, chamou Dona Alda.

Veja quem lhe trago. Abriu a mochila.

A velhota aproximou-se e tateou uma cabeça peluda pequenina.

Simão, trouxeste-me mesmo um cachorro? admirou-se.

O melhor dos melhores. Pastor puro.

O cachorrinho guinchou, querendo sair. Alda apavorou-se:

Não tenho dinheiro suficiente! Só para a cerca!

Não vou levar de volta, Dona Alda! Sabes quanto paguei por este animal?

Teve que correr à loja e pedir cinco garrafas fiado à senhora da loja, que anotou o nome no caderno das dívidas.

No fim do dia, Simão terminou a cerca. Dona Alda serviu-lhe almoço e um copo. Alegre de bebida, foi aconselhando, apontando para o cachorro enrolado à lareira.

Tem de comer duas vezes ao dia. E arranje corrente forte para crescer robusto. Percebo de cães.

Nasceu na casa de Alda um novo companheiro Tó. A senhora afeiçoou-se, e ele retribuía com carinho. Sempre que Alda saía, Tó pulava e lambia-lhe o rosto. Só uma coisa preocupava o cão cresceu tanto como um bezerro, mas nunca latiu. Isso deixava Alda triste.

Ó Simão! Ó maroto! Vendeste-me cão inútil!

Mas fazer o quê? Não podia largar aquela criatura boa. Nem precisava ladrar. Os cães dos vizinhos nem ousavam aproximar-se de Tó, que em três meses já chegava à cintura da dona.

Num dia de inverno, Martim, caçador local, veio à aldeia com compras para a época de caça nos montes. Passando em frente à casa de Alda, ficou parado ao ver Tó.

Dona Alda! gritou Martim. Quem lhe deu permissão para criar um lobo aqui?

Alda assustou-se e apertou as mãos ao peito.

Ai, meu Deus! Como fui tola! O Simão enganou-me, dizia ser pastor puro…

Martim aconselhou com seriedade:

Tem de soltar o animal na serra. Acaba por haver problemas.

As lágrimas encheram os olhos da velhota. Dava-lhe pena separar-se do Tó: um bicho tão meigo e bom, ainda que lobo. Nos últimos tempos mostrava-se agitado, puxava a corrente, queria liberdade. As pessoas olhavam com receio. Não havia alternativa.

Martim levou Tó para o mato. O cão abanou a cauda e sumiu entre os pinheiros. Nunca mais se soube dele.

Alda ficou triste pelo amigo e maldizia Simão. Este também lamentou, pois tinha agido por bondade. Certo dia, vagando pelos matos, encontrou rastos de urso. Ouviu um choro: estava pronto a fugir, pois onde há crias, há urso. Mas o som era diferente.

Ao afastar matos, encontrou uma toca. Perto jazia uma loba morta e várias crias destroçadas. Evidente ataque de urso. Só um sobrevivente se escondera.

Simão ficou com pena, levou o pequeno, pensando que Alda poderia cuidar dele. Imaginava que o lobo, crescendo, fugiria para o mato, e até lá procuraria um cão verdadeiro para ela. Mas então Martim estragou tudo.

Simão andou dias a rodear a casa, sem coragem de entrar. O inverno rugia lá fora. Alda mantinha o fogo aceso para não gelar.

Bateram à porta. Apresada, Alda abriu. Lá estava um homem.

Boa noite, avó. Deixe-me entrar, estou perdido. Ia para a aldeia ao lado e perdi-me.

E o teu nome, meu filho? Vejo pouco.

Bento.

Alda franziu o sobrolho.

Não conheço nenhum Bento por cá…

Comprei a casa agora, avó. Queria ver, mas o carro ficou preso. Tive de vir a pé, em plena tormenta.

Compraste a casa do antigo Daniel?

Ele acenou com a cabeça.

Mesmo essa.

Alda recebeu o estranho, pôs o bule no lume. Não notou como ele olhava de lado ao velho aparador, onde as pessoas guardam moedas e joias.

Enquanto Alda acendia o fogão, o homem mexia no aparador. Alda ouviu ranger portas.

O que estás a fazer aí, Bento?

Houve reforma monetária! Quero ajudar a livrar-se das notas velhas.

Alda franziu o cenho.

Mentira. Não houve reforma nenhuma! Quem és tu?

O homem puxou uma faca e encostou ao pescoço dela.

Cala-te, velha! Mostra-me o dinheiro, ouro, comida!

Alda tremia de medo. Um criminoso em fuga. Parecia o fim.

De súbito, a porta arrombou-se. O lobo entrou a correr, saltou ao ladrão. Ele gritou, mas o cachecol grosso protegeu-o das dentadas. Sacou da faca e feriu Tó, que fugiu para um canto. O ladrão aproveitou e correu.

Simão vinha chegando, cheio de remorsos. Viu um homem a fugir com faca, praguejando. Correu à casa, onde Tó jazia ferido e sangrando. Simão percebeu logo e foi ao guarda.

O criminoso foi apanhado pela polícia. Fizeram-lhe nova condenação.

Tó tornou-se herói da aldeia. Recebia comida, cumprimentos. Não se prendeu mais, era livre. Mas sempre voltava a casa, vinha com Simão após as caçadas.

Um dia, viram um todo-terreno preto junto à porta. Alguém cortava lenha: era Egídio, o filho de Alda. Ao ver o velho amigo, abraçou-o com alegria.

Ao jantar, todos juntos à mesa, Alda brilhava contente. Egídio convenceu-a a ir à cidade para fazer a operação aos olhos.

Se tem de ser… suspirou a velhota. No verão o neto vem, quero vê-lo. Simão, toma conta da casa e do Tó, sim?

Simão aquiesceu. Tó deitou-se à lareira, sereno e feliz. O seu lugar era ali, junto dos seus amigos.

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— Ó Dona Alva! — exclamou Mateus. — Quem lhe deu permissão para manter um lobo na aldeia?
Сираче заложи необикновенен пръстен в заложна къща, за да спаси улично куче. Постъпката на бижутера обърка всички. Преди пет години светът на Леонид Петров рухна — и се възроди от пепелта с нова, ослепителна сила. Тогава шестгодишната му дъщеря Марта, светъл ангел в човешки образ, започна да губи сили. Усмивката ѝ, която някога озаряваше най-тъмните стаи, ставаше все по-рядка. Лекарите, първоначално сдържани, после — ледени, поставиха диагноза: неизлечима болест. Тумор на мозъка. Думата, която не можеш да произнесеш на глас, без да потрепериш. Но за Марта това не беше присъда — това беше предизвикателство, което тя прие с достойнство, достойно за кралица. Леонид и Галина, хора с разбити сърца още преди да осъзнаят, че могат да бъдат разбити, направиха всичко възможно, за да дадат шанс на дъщеря си за нормален живот. Мечтаеха Марта да тръгне на училище, да научи буквите, да се научи да брои, да прочете приказка преди сън. Мечтаеха за неща, които за мнозина са обикновени. За тях — това беше подвиг. Наеха учителка — Дария Викторовна, жена с топли ръце и мъдро сърце. Още след две седмици тя забеляза тревожен симптом: след всяко получасово занимание Марта получаваше силно главоболие. Момичето стискаше слепоочията си, пребледняваше, но упорито искаше да продължи. „Искам да уча — казваше тя. — Трябва да успея.“ Дария Викторовна, неспособна да мълчи, меко, но настойчиво посъветва родителите да се обърнат към лекар: — Това може да не е просто умора. Трябва да се провери. Сериозно. Много сериозно. Галина, жена с майчина интуиция, усети: нещо не е наред. Записа дъщеря си за преглед още същия ден. На следващата сутрин цялото семейство — баща, майка и крехката като пролетно цвете Марта — отиде в болницата. Леонид, силен, уверен бизнесмен, се убеждаваше: „Това са възрастови промени. Растящ организъм. Всичко ще мине.“ Не можеше, просто физически не можеше да допусне мисълта, че дъщеря му е болна. Марта беше чудо — дългоочаквана дъщеря, родена на 37 години, когато всички мислеха, че няма да имат деца. Всяка сутрин шепнеха: „Благодаря ти, Господи, за нея.“ А сега Бог, сякаш, си я взимаше обратно. Три часа — цяла вечност — прекараха в стените на клиниката. Лекарят беше студен като зимен вятър. На следващата сутрин, оставяйки Марта с бавачка, родителите се върнаха за резултатите. В кабинета ги посрещна мълчание и тежък поглед. — Детето ви има тумор на мозъка — каза лекарят. — Прогнозата е неблагоприятна. Галина се разклати като покосена. Лицето на Леонид се вкаменяваше. Стоеше като в мъгла, невярващ, неприемащ, нежелаещ. Това не можеше да е истина. Това беше грешка. Грешка на Вселената. Тичаха в друга клиника, после — в трета, в четвърта. Навсякъде — една и съща диагноза. Един и същ присъда. Започна битка. Битка за всеки ден, за всяко вдишване. Леонид и Галина продадоха бизнеса, дома, колата. Летяха до Америка, Германия, Израел. Плащаха за експериментални методи, за най-добрите клиники, за светли надежди. Но медицината безсилно вдигна ръце. Марта угасваше. Бавно, неумолимо. И все пак — с усмивка. Една вечер, когато слънцето залязваше и оцветяваше стаята в злато, Марта тихо каза на баща си: — Тате… обеща ми кученце за рождения ден. Помниш ли? Много искам да си играя с него… Ще успея ли? Сърцето на Леонид се разкъса. Стисна малката ѝ ръка, гледаше в очите, пълни със светлина, и прошепна: — Разбира се, малка моя. Разбира се, ще ти подарим. И непременно ще си играеш с него. Обещавам. Галина плака цяла нощ. Леонид стоеше на прозореца, гледаше в тъмнината и шепнеше в празнотата: — Защо я взимаш? Тя е толкова добра, толкова светла… Вземи мен! Вземи мен вместо нея! Аз не съм нужен на този свят, но тя — тя е нужна на всички! На следващата сутрин тихо влезе в стаята на Марта, притискайки към гърдите си малко кученце — златист ретривър с очи, пълни с доброта. Внезапно кученцето се измъкна, затича се по килима като светкавица и скочи на леглото. Марта отвори очи — и за първи път отдавна се засмя. — Тате! Колко е красив! — възкликна тя, притискайки кученцето към себе си. — Ще го кръстя Зевс! От този ден не се разделяха. Зевс стана нейна сянка, неин защитник, неин глас, когато думите вече не идваха. Лекарите даваха на Марта половин година. Тя живя осем месеца. Може би именно любовта към Зевс ѝ даде сили да се бори. А може би това беше дар свише — дар, който ще живее нататък. Когато Марта вече не можеше да става, тихо говореше на кучето: — Скоро ще си тръгна, Зевс. Завинаги. Може би ще ме забравиш… Но искам да помниш. Ето, вземи пръстена ми. Свали малкия златен пръстен от пръста си и внимателно го закачи на нашийника. Сълзи се стичаха по бузите ѝ. — Сега със сигурност ще ме помниш. Обещай. След няколко дни Марта си отиде. Тихо, в прегръдките на родителите си, със Зевс до нея. Галина загуби разсъдъка си от мъка. Леонид стана чужд на себе си. А Зевс — отказваше да яде, седеше на леглото, гледаше в празнотата и чакаше. След седмица изчезна. Леонид и Галина го търсиха навсякъде: в паркове, по улици, в мазета. Чувстваха вина — това не беше просто куче, това беше последният дар на Марта, нейната душа, живяла в ласка и вярност. Мина година. Леонид отвори заложна къща и бижутерска работилница. Кръсти ги — „Зевс“. Във всяко украшение — частица от спомена, във всеки звън на касата — отзвук от нейния смях. Една сутрин Вера, вярната му помощничка, каза: — Леонид Петрович, дойде момиче. Цялата е в сълзи. Моля, излезте. Излезе във фоайето — и замръзна. Пред него стоеше момиче на около девет години, в износени дрехи, с уплашени очи… и очи, идентични на Марта. Същите тъмни, дълбоки като нощта, пълни с болка и надежда. — Какво се е случило, малка моя? — меко попита той. — Казвам се Уляна — прошепна тя. — Имам куче… Мухтар. Един ден го намерих — целият мръсен, гладен. Спасих го. Хранех го с каквото можех… дори крадях храна. Заради това леля ме биеше. С Мухтар живеехме в мазето. Той беше моят защитник… Гласът ѝ трепереше. — Днес го отровиха момчета. Умира. Нямам пари за ветеринар. Вземете този пръстен. Беше на нашийника му. Моля ви, помогнете… Леонид погледна дланта на момичето. И почувства, че земята се разтваря под краката му. На дланта ѝ лежеше същият пръстен. Златен. Малък. С драскотина от детски пръст. Падна на колене. Очите му се напълниха със сълзи. Всичко си дойде на мястото. Светът се обърна — и отново стана ясен. — Сложи го — прошепна той, треперещи ръце връщайки пръстена на пръста на Уляна. — Неговата стопанка… много би се радвала, че го обичаш така, както тя обичаше Зевс. — Зевс? — учуди се Уляна. — Сега ще ти разкажа всичко. А сега — тръгваме. Ще вземем твоя Мухтар. И ще го спасим. Отидоха до аварийния дом. Мазето беше тъмно, влажно. Там, на стар матрак, лежеше кучето. Слабо, дишаше трудно. Но когато Леонид влезе, кучето отвори очи. И близна ръката му. — Зевс… — прошепна Леонид. — Мой скъпи, намери се. Във ветеринарната клиника лекарите се бореха за живота на кучето. Уляна се молеше. Галина, пристигнала в последния момент, прегърна момичето: — Вече ще идваш при нас. Ще играеш със Зевс. Той те чакаше. След час Зевс беше в безопасност. А Уляна — в нов живот. Тя идваше всеки ден. Галина я обличаше като принцеса: рокли, панделки, фиби. Но един ден Уляна не дойде. Зевс се тревожеше, тичаше из къщата, душеше въздуха. — Нещо се е случило — каза Галина. — Тръгваме — отвърна Леонид. — Зевс знае пътя. Отидоха до дома. Входът миришеше на плесен и отчаяние. На втория етаж им отвори жена — пияна, зла. Но Зевс се втурна покрай нея и влезе в стаята. На леглото лежеше Уляна. В синини. В кръв. — Какво направихте с нея?! — извика Галина. — Сама си е виновна! Крадe! — крещеше лелята. — Вие сте престъпница — каза Леонид с леден глас. — Ще ви потърсят. А сега — взимаме момичето. В болницата лекуваха Уляна. А Леонид и Галина, използвайки всички връзки, постигнаха лишаване от настойничество. Уляна стана тяхна дъщеря. Не по документи — по сърце. А Зевс? Всяка вечер лежеше до краката ѝ. На нашийника — пръстенът. И всеки път, когато Уляна го галеше, шепнеше: — Помниш я, нали? Помниш Марта? И Зевс я гледаше. И ближеше ръката ѝ. Като че казваше: „Да. Помня. Винаги ще помня. Любовта не умира. Тя само променя формата си.“ Така, от болка, загуби и сълзи, се роди чудо. Чудо на име — надежда.