Uma amiga marcou uma festa de aniversário na nossa casa de campo e convidou pessoas sem sequer pedir a nossa autorização

Há seis anos, eu e o meu marido comprámos uma casa de campo acolhedora perto de Sintra. Renovámos tudo com as nossas próprias mãos, tratámos do jardim e tentávamos ir lá todos os fins de semana, ou pelo menos de quinze em quinze dias.

Optámos por não fazer uma horta muito grande, semeando apenas um pequeno canteiro de pepinos, tomates, ervas aromáticas, cebolas, curgetes e pimentos. Só o essencial, mas em pouca quantidade.

A casa já vinha com alguns arbustos de framboesas, groselhas e várias plantas de morangos. Muitas vezes levava fruta para o trabalho e oferecia aos colegas. Claro que todos adoravam.

Este ano, foi transferida para o nosso departamento uma senhora chamada Benedita. Parecia simpática e educada. Nessa altura levei alguns morangos para o escritório. Ofereci-lhos sem pensar.

Ela provou e ficou encantada, elogiando muito o sabor dos morangos. Depois começou a fazer perguntas sobre a casa e o terreno. Falei-lhe de boa vontade sobre tudo.

Dias depois, Benedita veio ter comigo e pediu-me emprestadas as chaves da nossa casa de campo. A filha queria passar lá umas semanas com os filhos para fugir à confusão de Lisboa. Disse que nós nem íamos lá nesse período e que a filha estava de licença de maternidade, a precisar de paz e ar puro.

Naturalmente, recusei. Benedita ficou desapontada, mas não insistiu.

Passadas duas semanas, uma colega do departamento, a Carolina, aproximou-se e perguntou-me como se chegava à minha casa de campo. Perguntei-lhe porquê.

Disse-me que Benedita tinha convidado ela e mais colegas para uma festa de aniversário que ia organizar na minha casa de campo, mas que cada um teria de tratar do transporte por conta própria.

Fiquei perplexa.

Confrontei Benedita e perguntei-lhe o que se estava a passar.

O que há de mal? respondeu, com o sorriso mais inocente. Não se passa nada se celebrarmos o meu aniversário aí. É só um dia, ninguém vai ficar a dormir. Não te importas, pois não?

De facto, importo-me. Importo-me com o trabalho que tive, com o que possam fazer ao relvado, aos canteiros e à minha casa.

Além do mais, nem sequer me convidou. Nem teve a consideração de pedir autorização.

Recusei novamente e, claro, voltou a fazer-se de ofendida. Mas sinceramente, não me incomoda. Sempre partilhei a fruta com os meus colegas, mas nunca nenhum se atreveu a ser tão abusador.

No final, cada um deve saber respeitar o espaço e os limites do outro. A verdadeira amizade e boa convivência nascem onde existe consideração e respeito e não através do aproveitamento das bondades alheias.

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