Traidor! O Casamento Está Cancelado – A História de Amor, Mentiras e Herança de Uma Jovem Portuguesa Entre Um Homem Ambicioso, Uma Amiga Interesseira e o Sogro Apaixonado

Ó meu amor, mas o que é que estás para aí a inventar? O namorado mal lançou um olhar à fotografia. Eu só gosto de ti, não quero nem preciso de mais ninguém. Isso é um montagem, de certeza.

Ai sim? Mas quem é que ganhava alguma coisa com isso? O tom de desdém do Nuno deixou Leonor a ferver. Aquilo tocou-lhe fundo, o homem parecia que se justificava como quem faz um frete.

O salão de beleza, herança da avó, nunca mexeu muito com Leonor. Ela gostava era de ensinar miúdos a pintar na escola artística. Dizer que recusou a herança seria mentira, claro dinheiro nunca fez mal a ninguém.

O salão até dava um belo rendimento, gerido com mão de ferro por Dona Inês, funcionária de confiança.

Assim, Leonor dedicava-se ao seu talento e nunca lhe faltava nada. Ou melhor, faltava: uma família.

Depois da morte da avó, aos 27 anos, Leonor sentia-se mais sozinha do que a última sardinha no prato. Até conhecer Nuno numa exposição de pintura um quarentão giro, sorriso envergonhado, cheio de gentileza e mimos.

Dois meses de namoro e ei-los a caminho da casa do padrasto, o Sr. António Duarte.

O meu pai morreu quando eu era pequenito contou Nuno. A mãe casou outra vez dez anos depois. Ao padrasto, chamei sempre António ou então Sr. Duarte nunca chegou a ser pai, mas damos-nos bem. Quando a mãe morreu há dois anos, continuei a viver com ele.

Leonor gostou do António Duarte. Homem elegante, olhar vivo, verbo afiado parecia mais novo do que os seus 56 anos. Ela também não lhe era indiferente.

Que sorte tem o nosso artista frustrado exclamou o Sr. Duarte, beijando-lhe a mão ao jeito antigo.

Artista frustrado não, ó padrasto! fingiu-se ofendido o Nuno.

Isso digo eu! Homem, homem, não é gestor de loja de hobbies riu-se o António. Mas olha, tens sorte na noiva, pelo menos!

Ao início, Leonor ficou envergonhada, mas no fim da noite fartou-se de rir com as piadas do Sr. Duarte. O Nuno até começou a ficar com ciúmes.

Passado meio ano, Nuno pediu-a em casamento e Leonor foi ao sétimo céu. Só que num destes dias, no meio das nuvens do amor, recebe uma mensagem com umas fotos que a fazem cair direitinha ao rés-do-chão.

Nas fotografias, Nuno beija e abraça outra rapariga, todo ele sorrisos dos tímidos. E a data? De há duas semanas, nem mais.

Ó meu amor, mas o que é que estás para aí a inventar? diz ele, mal olhando para as provas. Só gosto de ti, não preciso de mais ninguém. Isto é um photoshop, de certeza.

Sim? E alguém anda com tempo para te montar estas novelas? O alheamento do Nuno irritava-a. E ainda por cima justificava-se com aquela calma de quem nem se ata nem desata.

Olha, não sei. Neste mundo há muita gente maluca responde ele no maior relax.

Leonor teve um ataque naquele instante. Um homem, a sério, punha-se a jurar amor, a prometer mundos e fundos, a caçar o culpado! O Nuno, pelos vistos, nem sim nem sopas. E a culpa ainda morria solteira.

És um traidor! Não vai haver casamento nenhum! e Leonor, em lágrimas, saiu disparada do apartamento dele sem olhar para trás.

Passou três dias a chorar em casa, uma semana sem ir trabalhar arranjou uma baixa médica choruda. Pensou, repensou, fez filmes e telenovelas na cabeça. Durante todo esse tempo, nem um piu do Nuno. Lá ganhou coragem, tomou um banho de ânimo e começou a ponderar: e se as fotos fossem mesmo falsas? Hoje em dia, com inteligências artificiais e tudo, fabricam-se provas em minutos…

Qual não foi o espanto dela ao descobrir, internet fora, que a mulher da foto existia mesmo! Bastou uma busca rápida. Chamava-se Sofia, e percebeu logo aquilo que se passava.

Isso são fotos antigas riu-se a Sofia. Já lá vai mais de um ano desde que andei com o Nuno. Nem dois meses durámosNão nos dávamos lá muito bem. Agora estou quase a casar, já vês.

A sério? Então porque é que aparece esta data nas fotos?

Oh pá, essa é fácil de falsificar. Quem precisa de fazer filme arranja maneira de trocar as datas. Mas olha, eu não fui! A bem da verdade, nunca mais quis saber do Nuno e breve também caso.

Estranho, não mencionas no teu Facebook Leonor torceu o nariz, desconfiada.

Felicidade gosta de silêncio encolheu os ombros Sofia. Quando for a boda, logo publico as fotos a rebentar a escala.

Resumo da ópera: alguém andava a meter-se na vida dela, e ela caiu que nem patinha. Precisava de remediar a asneira.

Mandou mensagens, ligou ao ex-noivo, silêncio absoluto. Esperou uns dias, depois vestiu-se, ganhou coragem e foi até casa do Nuno.

Chegou à noitinha, de certeza apanhava-o, mas quem vê ela a sair do BMW da Kátia! A tal amiga de infância e depois rival, mulher de garra e boca afiada, sempre com um salto alto e as unhas vermelhas. Já a tentara convencer mais do que uma vez a vender-lhe o salão, para montar lá mais uns health clubs, como lhes chamava. Leonor sempre recusara, já sabia o que se dizia dos negócios da Kátia e não estava para isso.

E agora? A Kátia a sair do carro do Nuno com despedidas ternurentas? Havia ali traição pensou.

Nem teve tempo de digerir a cena, quando sentiu o Sr. Duarte sempre ele a pôr-lhe a mão no ombro, docemente.

Está a ver, menina Leonor? Eu bem disse que o Nuno não era homem para si comentou ele, todo paternal.

Olhe, Sr. Duarte, desculpe mas agora não posso murmurou ela, ainda mais confusa, e desatou a andar para longe.

Foi fácil encontrar a Kátia quando Leonor chegou a casa, a rival também estava a estacionar.

Querias ficar com o meu noivo? E arranjaste as fotos, achavas que eu não descobria? Leonor lançou-lhe o olhar mais cortante possível.

Mas que raio de fotos, Leonor? Estás boa da cabeça? Não fui eu a mandar-te coisa nenhuma. Se queres saber, foi ele que andou atrás de mim apanhou-me à saída do ginásio e tudo, há uma semana. Eu pensava que tinham acabado!

Leonor ficou a olhar para ela, a tentar perceber se era mentira, mas a sinceridade era tal que mais valia acreditar.

A Kátia ainda gritou, já de longe: Bem me parecia que querias vender-me o salão! Mas Leonor já ia na sua vida.

Chegada a casa, ainda sem recuperar, tentou de novo ligar ao Nuno. Para seu espanto, atendeu.

Podes vir cá se quiseres respondeu do outro lado, rouco Estou meio engripado, mas vá.

Leonor nem esperou convite em duplicado.

Nuno, desculpa! Fui burra, a sério. Só te amo, fiquei tão magoada Parecia tudo tão real quase suplicou.

Pronto, está bem ele respondeu, sem sal. Tanto faz.

És um homem maravilhoso! Gosto tanto de ti! E foi para o abraçar.

Mas Nuno afastou-a com suavidade.

Vamos ser amigos.

O quê? Nós vamos casar-nos!

Leonor, gosto da Kátia. Vou casar com ela.

Não pode ser! Estavas sempre a dizer-me que me amavas O casamento

Por favor, nada de dramas. Foi a tua emoção, sempre aos gritos, que me fez mudar de ideias.Também a Kátia tem mais negócios e ganha mais. Tenho de pensar no meu futuro.

Ela ficou sem palavras. Literalmente. Nuno trocou-a como se se muda de camisa.

Saiu disparada do apartamento, desceu o prédio a correr e instalou-se de qualquer maneira no banco do jardim, pernas a tremer.

Cinco minutos depois, sentou-se ao lado dela o Sr. Duarte.

Minha querida, não chores. Mais vale saber estas coisas agora do que depois do casamento.

Mas, afinal, quem é que armou esta confusão toda?! Leonor rebentou em pranto.

Eu murmurou o Sr. Duarte.

O senhor? Porquê?

Apaixonei-me por ti logo naquela primeira noite. Decidi casar contigo, mas tu nem olhavas para mim, sempre com a cabeça no Nuno.

Mas o senhor é tão mais velho e eu gostava do Nuno

Pois, mas um homem quando gosta Bem tentei meter-me no caminho dele, mas um belo dia ouvi-o a vangloriar-se com um amigo, todo contente por ter arranjado uma noiva rica. Aquilo caiu-me mal. Percebi que não te ia largar. Por isso decidi outra estratégia. Não interessa.

O senhor percebeu que me destruiu a vida?!

Salvei-a, antes. Mais tarde ou mais cedo ias sofrer muito mais. Casa comigo, Leonor?

O senhor está maluco! Ela levantou-se, direita como um fuso, e zarapastou-se dali para fora.

Foi embora da cidade, mas o Sr. Duarte acabou por dar-lhe com o endereço e continuar a tentar convencê-la. Com o tempo, passaram a falar só como amigos.

Um ano depois, o Sr. Duarte morreu e deixou tudo a Leonor. Não se pode dizer que tenha ficado feliz, mas também já se tinha habituado ao padrasto do ex-noivo.

O Nuno, esse, ficou possesso por ter perdido o apartamento azar o dele. E a Leonor, pois, essa já tinha outros quadros para pintar.

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Цялото царство за любимия внук