A minha sogra ficou completamente pasmada quando veio visitar o nosso quintal e percebeu que não havia lá nem tomate, nem alface, nem sequer um triste limoeiro.
Os pais do meu marido sempre tiveram um pequeno terreno na zona de Torres Vedras. Como já não têm paciência nem força nas costas para mexer na enxada, resolveram passar-nos o terreno. A avó Rosa, que Deus a tenha sempre em movimento, adorava mexer na terra. Criava pepinos, tomates, maçãs, tudo coisa boa que depois punha em frascos e distribuía alegremente pelos vizinhos para mostrar que não era só conversa fiada. Agora, a logística caiu-me toda em braços. Que sorte, não é?
Bem, hoje em dia temos é um jardim jeitoso: espaço para fazermos petiscos ao fim de semana e gozar a brisa atlântica sem pensar em regar batatas ou apanhar feijão. A condição é que eu não estava para aí virada e o meu marido então decidiu transformar aquilo numa espécie de jardim botânico mas só com flores e relva. Felizmente, ganhamos bem o suficiente para trazer legumes fresquinhos do mercado municipal ou do Continente. O quintal de legumes ficou na história. Mato cá umas ervas aromáticas, mas estão ali só para fazer número mesmo.
Portanto, imaginem a cara da minha sogra ao ver que do velho pomar do neto só restam uns cravos-túnicos e uma relva impecável. Largou logo, Oh Leonor, não prestas para dona de casa! Desperdiças tudo, estragas até um cacho de uvas! Nem queiras lavar cenouras, que virava logo cenoura amarela! Mal recuperou da surpresa, apareceu-lhe lá em casa um senhor a perguntar pelas famosas conservas. A minha sogra, toda indignada, sacou de um frasco de flores secas e disse Olhe, Doutor Francisco, é o que ainda tenho da minha colheita! Leve-o para casa, dê à sua Maria e aos seus netos. A minha nora agora só cultiva relva e margaridas O resto já não aguento eu sozinha!
Fiquei de boca aberta se não fosse estranho, diria até que quase lhe atirei um vaso. Mas a senhora não ficou por aí e lançou outro desafio: Se calhar ainda vou arranjar outro canteiro para poder plantar uns grelos, umas cebolas, ver se ainda sei! E agora cá estou feita Maria-vai-com-as-outras Eu só queria um jardim zen e uma piscininha inflável para as crianças e quase que me calha uma horta à moda antiga.
Enfim, estas familias portuguesas primeiro passam-nos a enxada, depois querem-na de volta, e no fim fica tudo à espera de uma sopa minestrone!







