Enquanto os filhos e netos vivem apertados num T2, os pais do meu genro desfrutam da vida num apartamento espaçoso – uma história real de sacrifício, expectativas familiares e a indiferença dos avós portugueses

Enquanto os filhos e netos vivem apertados num T2, os pais do meu genro desfrutam da vida num T4 espaçoso com vista para o Tejo

A minha filha casou-se, infelizmente não tivemos sorte nem com o genro, nem com os sogros. Nós fazemos tudo pelos nossos filhos, mas eles… bem, deles não vem nadinha. Já lá vão oito anos desde o casamento, e continuamos nesta novela com a família do rapaz.

Quando apareceu o problema da casa, lá vieram eles de peito feito: “Não temos nada a ver com isso, isso é convosco”. Fomos obrigados a vender o nosso próprio apartamento que era um mimo, quentinho, paredes de tijolo! Mas enfim… o mais importante era os miúdos terem o seu ninho. Renovámos, comprámos mobília nova, tudo sem um cêntimo de ajuda daqueles sogros.

Ainda por cima, dou uma mão com os netos. A minha filha está de licença de maternidade com o pequenito e o mais velho já anda no primeiro ano, então eu sou a Uber oficial levo o miúdo à escola todos os dias. Ela sozinha? Nem pensar! É impossível: acordar o pequeno, vestir o outro, preparar tudo e sair porta fora em menos de uma hora? Ave Maria! Por isso eu, ou o avô, fazemos de taxistas à vez antes isso do que ficarem todos malucos.

Os pais do genro, como sempre, lavam as mãos como Pilatos. Fingem que o problema não é com eles. E eu olho e penso: mas como é possível serem tão frios e indiferentes aos netos?

Isto já vem de trás. Imaginem só: não deram um tostão para o casamento do filho! Antes da boda ainda tentei ser diplomática. “Olhem, os meninos vão casar, se calhar devíamos reunir e conversar…” E levei logo com isto:

E se se divorciam daqui a um mês? Olhe que 70% dos casais hoje em dia dão o berro nos primeiros seis meses! disseram, armados em INE ambulante.

No fim, eu e o meu marido é que fizemos a festa toda, e ainda demos um apartamento aos miúdos. Eles apareceram ao casamento como convidados de segunda, e trouxeram… nem 100 euros! Um envelope com 50 euros, imagine-se.

Apesar disto, o genro continua cheio de exigências.

Já lá vão oito anos desde que lhes oferecemos aquele T0 na Amadora. Suficiente para dois, claro… agora, com dois filhos, parece uma sardinha em lata.

Eu cá acho que o meu genro devia era mexer-se mais. Digo-lhe: “Ó rapaz, se não consegues ganhar mais algum, pede ajuda aos teus pais!”

Mas ele: “Nem pensar, nunca lhes podia pedir isso!”.

Respondo-lhe: “Olha que se quiseres, eu própria trato do pedido!”. E ele logo a cortar-me as vazas: proibiu-me de tocar nesse assunto sequer.

Fiquei passada. Então, é escusado pedir aos pais dele, mas aos meus anda sempre de mão estendida? Oito anos a sacar-nos dinheiro. Porque é que não se mexe? Não percebo como é que tanta gente consegue comprar apartamento e este não! Digo-lhe: “És novo, rapaz, arranja trabalho extra, vai para o estrangeiro se for preciso!”.

E como tratou a minha filha! Ela já me liga a queixar-se que eu me meto demais. Ele só diz que os sogros são como são, não se mudam, ponto.

Deixa-me cá irritada: eles a passear em termas pelo Gerês e nós a aturarmos tudo. O genro, pelos vistos, proíbe que sequer se fale. Um filho muito carinhoso com os pais… mas connosco, que nos leve o vento.

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