“Anna ainda é jovem, pode ter outro filho!” – garantiu ela. No fim, ninguém quis saber da criança. Anna e Rui (Robert) cresceram numa pequena cidade do interior e estudaram juntos desde crianças. Depois da escola, entraram juntos na universidade, mudaram-se para Lisboa à procura de emprego, alugaram um pequeno apartamento, arranjaram trabalho e viveram juntos sem casar. Quando Anna engravidou, Rui abandonou-a, sem querer saber de um filho. Desorientada, regressou à terra natal para criar o bebé com a mãe. A mãe de Rui, uma figura importante da cidade, espalhou que Anna teria engravidado de outro homem, que aquela criança nada tinha a ver com a família deles. Para piorar, as famílias viviam na mesma zona — e toda a gente soube da história. Muitos amigos conheciam o relato completo. Anna deu à luz uma linda menina, nunca se queixando da família do ex-namorado, só querendo criar a filha em paz. Mas a mãe de Rui nunca cessou as insinuações de que a neta não seria do filho. “Olhem para ela!” dizia a mulher. “A menina é loura, nós somos todos morenos. O nariz não é igual ao nosso! Nós somos todos bonitos, a menina não é nada. Quer meter-se na nossa família. Gente de má índole!” Anna, farta, propôs um teste de paternidade para acalmar a sogra. O resultado foi claro e, de imediato, a avó foi conhecer a neta, enchendo-a de prendas caras. Anna, sustentada apenas pela mãe reformada, ficou aliviada. Depois de um tempo, a avó pediu para ficar uns dias com a menina. Anna, dizendo que a filha tinha apenas um ano, recusou. A avó ficou furiosa. Avisou Anna que a processaria para obter o direito de estar com a neta, alegando que a filha viveria melhor com ela – tinha casa própria, condições, apresentaria comprovativos, ao contrário de Anna, jovem e desempregada. “Anna é nova e um dia poderá ter outro filho,” afirmou. Disse-lhe para ceder a filha de livre vontade. Com tantos conhecimentos entre juízes da cidade, previu um desfecho fácil a seu favor. Anna recusou abdicar dos direitos de mãe, e durante anos travaram uma batalha judicial. A menina que antes nem queriam tornou-se no centro do mundo da família influente. Trouxeram testemunhas, seguiram Anna, tiraram fotografias, fizeram queixas. Anna teve de mudar-se, esconder-se, viver sufocada. Depois, tudo acalmou. Rui casou-se, teve um filho. A avó fixou-se no novo bebé. A filha de Anna entrou para a escola primária. Anna mudou-se para Lisboa. E conheceu outro homem. A mãe incentivou-a a refazer a vida e prometeu cuidar da neta. Anna planeou trazer a filha quando tudo estivesse estável. Casou-se, arranjou casa, estava grávida outra vez. Mas hesitava em trazer a filha. O novo marido não queria saber de filha alheia, a menina estava bem com a avó — tinha amigos, escola. E Anna precisava de ajuda para cuidar do novo bebé. Com a saúde da avó a piorar, a menina acabou aos cuidados de vizinhos idosos. A antiga avó influente já não se interessa pelo destino da neta. Ao deparar-se com a mãe de Anna, resume tudo num sorriso: “Deviam ter-me ouvido! Se me tivessem dado a menina, teria feito dela alguém. Agora podia estar na escola internacional, falar línguas, tocar piano. A verdade é que a mãe a abandonou. O que irá ser dela? Agora cuido do meu neto, ele sim vai ter tudo do bom e do melhor!” O pai nunca se interessou. E a menina, por quem tanto lutaram nos tribunais, acabou por não fazer falta a ninguém. O futuro dela é hoje uma incógnita.

Maria ainda é jovem, há de ter outros filhos! garantiu ela. No fim, ninguém precisou daquela criança.

Maria e Ricardo cresceram numa pequena vila do interior e estudaram juntos desde a escola primária. Depois, seguiram juntos para a universidade, e mais tarde foram tentar a sorte a Lisboa. Alugaram um pequeno apartamento, arranjaram trabalho, mas viviam juntos sem casar. Quando Maria engravidou, Ricardo abandonou-a. Não estava pronto para assumir um filho.

A rapariga ficou perturbada e resolveu voltar para casa para criar a filha. A mãe de Ricardo tinha um cargo importante na vila e não perdeu tempo a espalhar que o bebé de Maria era de outro homem, que aquela criança nada tinha a ver com a família deles. Para agravar, ambas as famílias moravam na mesma zona. Intrigas velhas de famílias…

Muitos amigos sabiam da realidade. Maria teve uma linda menina. Ela nunca se queixou da família de Ricardo, só queria criar a filha tranquila. Mas a mãe dele continuava a dizer a todos que aquela criança não era do filho.

Olhem bem para elas! explicava a mulher. Esta menina é loira, quando todos nós temos cabelo preto. E o nariz? Não é nada parecido com o nosso! Somos todos bonitos, aquela criança é feia. Só quer é meter-se debaixo do nosso teto. Gente má!

Maria, farta de tanto falatório, sugeriu fazer um teste de paternidade para sossegar a mãe de Ricardo. Para quê tudo aquilo? O resultado saiu logo: a mulher convidou de imediato Maria a ir a sua casa para conhecer a neta. A menina recebeu imensas roupas e até brinquedos caros. Maria, que vivia apenas da pensão da mãe, agradeceu imenso.

Passado algum tempo, a recém-descoberta avó quis levar a neta a passar uns dias com ela. Maria recusou, dizendo que a menina só tinha um ano, era muito cedo para ficar longe da mãe vários dias. A avó ficou enfurecida.

A senhora então avisou Maria que ia avançar com um processo judicial para garantir o direito de convívio com a neta. Mais, dizia que a menina teria muito mais condições com a avó, que tinha recursos e tempo para cuidar e educar uma criança. O tribunal, dizia ela, iria considerar que o pai tinha casa própria, pagava a pensão (comprovava por documentos), e que a mãe era desempregada e sozinha. Segundo aquela mulher, Maria era ainda muito nova, tinha tempo para ter outros filhos. Aconselhou-a a entregar a menina de livre vontade, pois todos os juízes da vila a conheciam bem não seria difícil adivinhar quem ganharia. Maria decidiu lutar pelo direito a criar a própria filha. Foram anos de tribunal.

A criança, que antes tanto desprezavam, tornou-se subitamente a mais amada e disputada. Os familiares influentes trouxeram testemunhas, seguiram Maria, faziam queixas, até tiraram fotografias para uso em tribunal. Maria viu-se obrigada a esconder-se. Foram tempos difíceis. Mas, passado algum tempo, as águas acalmaram. Ricardo casou-se outra vez e teve um filho. A sogra já só queria saber do novo neto. A filha de Maria entrou no primeiro ano da escola. Maria foi viver para Lisboa, mas voltava regularmente para visitar a mãe e a filha. Numa dessas visitas, conheceu um jovem. A mãe incentivou-a a refazer a sua vida e prometeu que tomaria conta da neta. Maria ficou de levar a menina quando se sentisse preparada.

Empreendedoras de moda

Maria casou-se novamente. Alugaram um apartamento e estavam à espera de um filho juntos. Tudo estava bem. Mas Maria não tinha pressa de trazer a filha para junto de si. Não tinha condições, nem espaço, e o novo marido não fazia questão de cuidar da filha de outro homem. Maria achou melhor a menina permanecer com a avó tinha amigas, escola, estabilidade. Quando nascesse o bebé, não ia ter ninguém para ajudar com a filha mais velha. Assim, a mãe não ficava sozinha e a menina era bem tratada. Mas começaram os problemas de saúde da avó. Foram várias chamadas para a emergência, internamentos, tratamentos. Nesses períodos, a menina ficava com vizinhos já reformados. Agora, a avó influente nem perguntava pela neta. Quando se cruzava com a mãe de Maria na rua, só sorria:

Deviam ter-me ouvido! Se me tivesses dado a menina logo, hoje era uma senhora, tinha aulas de línguas, tocava piano… E agora? A mãe abandonou-a! O que há de ser dela? Agora tomo conta do meu neto, ele vai ter tudo! A melhor escola, as melhores atividades!

O pai nunca se interessou pela filha, nem sequer uma vez. No fim, aquela criança pelo qual se lutou tanto acabou por não servir a ninguém. E ninguém sabe que futuro terá aquela rapariga.

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“Anna ainda é jovem, pode ter outro filho!” – garantiu ela. No fim, ninguém quis saber da criança. Anna e Rui (Robert) cresceram numa pequena cidade do interior e estudaram juntos desde crianças. Depois da escola, entraram juntos na universidade, mudaram-se para Lisboa à procura de emprego, alugaram um pequeno apartamento, arranjaram trabalho e viveram juntos sem casar. Quando Anna engravidou, Rui abandonou-a, sem querer saber de um filho. Desorientada, regressou à terra natal para criar o bebé com a mãe. A mãe de Rui, uma figura importante da cidade, espalhou que Anna teria engravidado de outro homem, que aquela criança nada tinha a ver com a família deles. Para piorar, as famílias viviam na mesma zona — e toda a gente soube da história. Muitos amigos conheciam o relato completo. Anna deu à luz uma linda menina, nunca se queixando da família do ex-namorado, só querendo criar a filha em paz. Mas a mãe de Rui nunca cessou as insinuações de que a neta não seria do filho. “Olhem para ela!” dizia a mulher. “A menina é loura, nós somos todos morenos. O nariz não é igual ao nosso! Nós somos todos bonitos, a menina não é nada. Quer meter-se na nossa família. Gente de má índole!” Anna, farta, propôs um teste de paternidade para acalmar a sogra. O resultado foi claro e, de imediato, a avó foi conhecer a neta, enchendo-a de prendas caras. Anna, sustentada apenas pela mãe reformada, ficou aliviada. Depois de um tempo, a avó pediu para ficar uns dias com a menina. Anna, dizendo que a filha tinha apenas um ano, recusou. A avó ficou furiosa. Avisou Anna que a processaria para obter o direito de estar com a neta, alegando que a filha viveria melhor com ela – tinha casa própria, condições, apresentaria comprovativos, ao contrário de Anna, jovem e desempregada. “Anna é nova e um dia poderá ter outro filho,” afirmou. Disse-lhe para ceder a filha de livre vontade. Com tantos conhecimentos entre juízes da cidade, previu um desfecho fácil a seu favor. Anna recusou abdicar dos direitos de mãe, e durante anos travaram uma batalha judicial. A menina que antes nem queriam tornou-se no centro do mundo da família influente. Trouxeram testemunhas, seguiram Anna, tiraram fotografias, fizeram queixas. Anna teve de mudar-se, esconder-se, viver sufocada. Depois, tudo acalmou. Rui casou-se, teve um filho. A avó fixou-se no novo bebé. A filha de Anna entrou para a escola primária. Anna mudou-se para Lisboa. E conheceu outro homem. A mãe incentivou-a a refazer a vida e prometeu cuidar da neta. Anna planeou trazer a filha quando tudo estivesse estável. Casou-se, arranjou casa, estava grávida outra vez. Mas hesitava em trazer a filha. O novo marido não queria saber de filha alheia, a menina estava bem com a avó — tinha amigos, escola. E Anna precisava de ajuda para cuidar do novo bebé. Com a saúde da avó a piorar, a menina acabou aos cuidados de vizinhos idosos. A antiga avó influente já não se interessa pelo destino da neta. Ao deparar-se com a mãe de Anna, resume tudo num sorriso: “Deviam ter-me ouvido! Se me tivessem dado a menina, teria feito dela alguém. Agora podia estar na escola internacional, falar línguas, tocar piano. A verdade é que a mãe a abandonou. O que irá ser dela? Agora cuido do meu neto, ele sim vai ter tudo do bom e do melhor!” O pai nunca se interessou. E a menina, por quem tanto lutaram nos tribunais, acabou por não fazer falta a ninguém. O futuro dela é hoje uma incógnita.
Priviedla Ľuba do dediny svojho ženícha, no on jej dal podmienku…