Porquê levar a tua própria comida?
A irmã e o irmão do meu marido, juntamente com as suas famílias, têm celebrado todos os Natais connosco há já cinco anos. Fui sempre eu a cozinhar tudo, a pôr a mesa, a cuidar de cada detalhe e, no fim, a limpar tudo sozinha depois da festa. Eles apenas vinham, comiam, riam e festejavam.
No entanto, no ano passado, cheguei ao limite da minha paciência. Senti-me exausta, tanto física como mentalmente. E, para ser muito honesta, também senti o peso nos meus bolsos, já que tudo custava cada vez mais caro.
Foi então que decidi mudar as coisas. No último Natal, sugeri que dividíssemos as responsabilidades entre todos.
Agora, há poucos dias, a minha sogra telefonou-me, a voz já cansada pela idade, a pedir para nos reunirmos outra vez em minha casa neste Natal. Disse que já não tem forças como antes, que os tempos são duros, e queria reunir a família toda para matar saudades.
Liguei então para o Tomás e para a Mariana o irmão e a irmã do meu marido e contei que a mãe queria muito celebrar connosco outra vez. No início, ficaram emocionados, diziam que claro, a mãe é quem manda e que tínhamos mesmo de o fazer.
Mas depois expliquei o plano: todos iriam trazer e preparar alguma coisa. Eu faço questão de cozinhar dois pratos principais e preparar um bolo. Eles teriam só de trazer duas saladas, peixe, carne, queijos, fruta e algumas bebidas cada um traria o que pudesse.
Assim que ouviram a lista, o entusiasmo desfez-se no tempo. Começaram logo a inventar desculpas. A Mariana disse que trabalha até tarde e que não tem tempo para ir às compras, quanto mais cozinhar alguma coisa. O Tomás, por sua vez, disse que não fazia sentido cada um levar comida, que preferia celebrar em casa dele, mais simples.
Mas e a mãe?, perguntei-lhes. Não vinha ela connosco? Ao que eles responderam, com uma leveza que magoou: Ligamos-lhe no dia, desejamos um Bom Natal e pronto
No fundo, não querem repartir tarefas, nem ir ao supermercado, nem nada. Ainda não tive coragem de contar isto à minha sogra. Mal consigo imaginar como ela vai ficar desiludida.
O que devo eu fazer agora? Voltar a fazer tudo sozinha, aguentando o cansaço e o silêncio vazio depois? Talvez, no fim de contas, seja a única solução para não magoar nenhuma mãe neste Natal.







