O que Nunca Esperei do Meu Marido: Quando a Família Precisa de Ajuda e Vêm Surpresas – Um Relato de Duas Irmãs Portuguesas a Decidir o Futuro da Mãe Idosa, Entre Sacrifícios, Antigas Mágoas e a Decisão Inesperada do Meu Companheiro

Joana, precisamos mesmo de pensar numa solução… suspirou Maria ao telefone.

O que se passa? perguntou Rita, a irmã mais nova, num tom já meio preocupado.

A chamada da irmã mais velha já deixou Rita em alerta. Costumavam só trocar mensagens rápidas pelo WhatsApp, mas Maria insistiu em falar ao telefone dessa vez.

A mãe já não pode continuar sozinha em casa.

Se falasses mais com ela, já sabias, disse Maria, com aquele tom de quem está a ralhar.

Vá, não comeces! Diz lá de uma vez ao que vens. O que é que eu não sei?

Maria voltou a suspirar era mesmo típico da Rita armar-se, sempre quis mostrar ser muito independente, qualquer sugestão era logo motivo para discutir.

Olha, lembra-te que a mãe já tem 73 anos. Tem sempre a tensão alta, sente-se fraca quase todos os dias.

Já lhe custa fazer o comer, e manter a casa arrumada então, só mesmo à força de vontade. explicou a mais velha com aquela paciência esticada. Nem ao café da esquina ela consegue ir sozinha às vezes…

Vale à vizinha, a Dona Odete, que lhe leva sempre alguma coisa.

Queres então dizer que a mãe anda a passar fome? Rita já mais atenta.

Não, claro que não! Eu vou lá de quinze em quinze dias, levo tudo o que precisa. Mas não é disso que eu falo, é que a mãe sozinha não se desenrasca mais.

E se ela cair? Ou se se aleijar? Com o peso dela, depois quem é que a consegue cuidar?

As irmãs ficaram caladas uns segundos.

A Dona Helena sempre foi bem composta, e os anos só trouxeram mais uns quilinhos.

Apesar da saúde, a mulher sempre gostou de comidas de conforto, e ficava logo sentida quando as filhas falavam de dietas.

E ela sente-se muito sozinha, sabes? Fica quase a chorar cada vez que me vou embora.

Diz que está abandonada por todos… foi dizendo Maria. Isto assim está mesmo de mais.

Então propões o quê, afinal?

A mais velha hesitou cada ano que passava ficava mais difícil ter conversas destas com Rita.

Acho que devias mudar-te para a casa da mãe.

Ah, pois! Então e tu, não podes ir tu?

Já sei: tens o Dioguinho, o marido de ouro e o enteado pequenino, só 25 aninhos, que precisa da tua mão

Não é?

Rita, para quê essas conversas?

Porque tens sempre essa mania de decidir tudo! E eu é que tenho que te safar! Rita já dizia meio a gritar.

Maria também se irritou:

E quando a mãe andava de um lado para o outro, a cuidar do pai doente, de ti e da Mariana? Ia à terra trazer-lhe comida, ficava com a Mariana para tu trabalhares ou descansares? Nessa altura não te queixavas, pois não?

Rita calou-se. Era verdade. Assim foi quando ela se separou do pai da Mariana, e a sogra, Dona Rosalina uma santa deixou ficar a ex-nora e a neta no T1 até a Mariana fazer 18 anos.

A própria Dona Rosalina nem era de grandes festas, e o ex-marido dava-lhe só uns tostões de pensão. Rita lá se safava como podia para dar conta do recado e sustentar a filha. E nessa altura a ajuda dos pais foi mesmo um anjo de asa.

Mas agora? Irão de lhe esfregar isso na cara até ao fim da vida?

A ex-sogra cumpriu. Nunca as chateou até a neta ser maior, e depois pediu com jeitinho para ambas saírem dali.

Nessa altura, Mariana já estava no Politécnico em Lisboa, tinha namorado, e Rita achou que podia finalmente viver outra vida. Foi trabalhar para Lisboa.

Já lá iam anos, numa casa arrendada na margem sul, a ganhar o que podia depois dos 40 não é fácil arranjar trabalho decente!

Só que ela estava satisfeita com a vida. Voltar para a terra? Nem pensar!

Pois, porque tu não sabes o que é criar uma filha sozinha! disse ela, sabendo que era golpe baixo. Viveste bem, agora vens tu exigir coisas!

Agora foi Maria quem ficou calada.

A vida dela até corria direitinha ao início. Ficou a trabalhar como contabilista no escritório da Câmara, no centro distrital, pronta para casar bem.

Só que os namorados eram todos ao lado ou um bêbado, ou um mamão, ou um preguiçoso.

Só conheceu o António aos 39 anos viúvo, três anos mais velho, com um filho, o Joãozinho, então com 10 anos.

Ele era eletricista na junta, fazia tudo em casa, e ainda ganhava uns trocos a arranjar coisas para os vizinhos.

Não bebia, era de poucas palavras e muito certinho, até de mais.

Mas Maria apaixonou-se mesmo. E nos 14 anos juntos (casaram passado um ano), sempre fez tudo por agradar ao marido.

Só depois de muito esforço conquistou o enteado tratava-os como se fossem tudo na vida dela.

Queria ter tido um filho, nunca conseguiu. António e João ficaram a ser o seu mundo.

E não queria perder isso, de maneira nenhuma.

Eu até queria trazer a mãe para nossa casa, confessou Maria, a voz meio presa de emoção mas ela nem quer ouvir falar nisso.

O quê? E o teu António, não se importava de dividir o T2 com a sogra? Rita sorriu com despeito. Ou será que nem o avisaste, já contavas que a mãe ia recusar?

Rita! Por favor, fala a sério! Isto não tem graça.

Pronto, já chega. rosnou Rita e desligou.

Pois, já chega.

Maria ficou a olhar para o telefone, perdida nos pensamentos. A solução ideal era mesmo Rita mudar-se.

Maria podia aparecer para ajudar, contribuir com dinheiro e compras. Até havia internet no sítio, Rita podia procurar trabalho remoto.

Mas Rita fazer-lhe a vida mais fácil? Era como esperar que chova em agosto.

Mandar? Obrigar? Já não dava.

“Falei com a mãe. Diz que está tudo bem e não quer ajuda nenhuma. Pára com o drama!” foi a mensagem de Rita, no dia seguinte.

Maria nem respondeu.

Que ia explicar agora? Rita fala com a mãe uma vez por mês, manda uns WhatsApps.

A mãe nem lhe conta os problemas, só para não a chatear. A Rita, se se aborrecesse, era certo que cortava o contacto de vez.

Maria não guardava rancor, nem sequer se queixava. Ouve tudo o que a mãe tem para lamentar, pelo menos uma vez por semana. Depois perde noites de sono a pensar nisso tudo.

Até António, normalmente nem repara nas inquietações dela, já lhe perguntou se se passava alguma coisa.

Maria nunca lhe quis dar este peso. Que culpa tem ele? Ele também já teve a cota parte de problemas

Arranjar uma cuidadora? Era dinheiro a mais. Não havia orçamento que chegasse.

Olha, basta! António pousou o copo de chá na mesa. Já lá vão três meses que andas noutro mundo. Conta mas é, o que se passa?

Maria não aguentou, as lágrimas caíram-lhe, mas logo tentou recompor-se (os homens não gostam de dramas) e resumiu-lhe tudo.

Porque não me disseste que a Dona Helena andava mal? olhou-a de frente.

Não queria preocupar-te… murmurou, desviando o olhar.

Se calhar nunca devia ter contado. Isso não era justo para ele…

Percebi. António levantou-se. Obrigado pelo jantar. Vou deitar-me.

Nem foi ver as notícias como gostava. E agora?

Maria ficou a enrolar-se na cama, insónias e ansiedade. Nem ouviu o despertador.

Era sábado, não precisava de ir trabalhar mas fazia sempre o pequeno-almoço à mesma hora para António. Pronto, mais uma falha…

Mas o marido estava tranquilo na cozinha, a beber o chá e entretido no telemóvel.

Já acordaste? virou-se para ela. Cara séria, mas voz calma.

Estou, António! Vou já preparar tudo! apressou-se Maria.

Senta-te. Temos de conversar.

Maria sentou-se devagar, com o coração nas mãos.

Estive a pensar. Temos mesmo de ajudar a tua mãe. Não é certo deixar os velhotes sozinhos. A minha mãe nem chegou a velha, infelizmente… Portanto, vamos mudar-nos para casa dela.

Já estive a ver, posso tentar trabalho com o agricultor do sítio. E para ti também se arranja qualquer coisa.

Ela quase caía do banco.

António… Tens a certeza?

Absoluta. Ou achas que me esqueci da forma como a Dona Helena sempre recebeu o Joãozinho nas férias, e me tratou com tanta consideração?

Não, Maria. Tenho boa memória. E até já queria há muito viver na aldeia, sabes bem.

Se a tua mãe não se importar, claro.

Maria olhava para o marido, sem acreditar. Daquele António não esperava mesmo. Será que estava a sonhar?

E o Joãozinho? escapou-lhe perguntar.

O João? espantou-se ele. Homem crescido, com trabalho e tudo. Vai até agradecer, assim fica com a casa só para ele.

António! Maria atirou-se a ele, emocionada, esquecendo-se que ele fugia dessas demonstrações.

Mas não se afastou. Só lhe fez uma festa nas costas:

Anda lá, vai correr tudo bem.

Ela queria mesmo acreditar.

Оцініть статтю
Додати коментар

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

four × 1 =

O que Nunca Esperei do Meu Marido: Quando a Família Precisa de Ajuda e Vêm Surpresas – Um Relato de Duas Irmãs Portuguesas a Decidir o Futuro da Mãe Idosa, Entre Sacrifícios, Antigas Mágoas e a Decisão Inesperada do Meu Companheiro
Забраних на свекървата да идва у дома – защото повече не издържах: Истинската причина, заради която реших да защитя семейството си, въпреки скандалите, обидите и заплахите, че вече нямам майка!