À Porta Estava um Desconhecido – Uma História de Amor Não Correspondido, Reviravoltas do Destino e um Pedido de Casamento Inesquecível no Reveillon Português

No outro lado da porta, estava um desconhecido.

Desde o secundário, o Vítor era completamente apaixonado por Graça. Escrevia-lhe bilhetinhos e fazia de tudo para chamar a atenção dela, mesmo que com jeitinho desajeitado.

Só que, naquela altura, a Graça gostava era do Daniel, um rapaz alto, loiro, que jogava voleibol na mesma equipa que ela.

O Vítor, mais rechonchudo e com mais dificuldades na escola, nunca lhe despertou interesse.

Pouco tempo depois, o Daniel começou a namorar com outra rapariga do nosso ano, a Filipa.

Quando acabámos o secundário, o Vítor voltou a tentar a sorte com a Graça.

Chegou mesmo a pedir-lhe em casamento na festa de finalistas

Ela, sem hesitar, disse-lhe Não!. Nem queria ouvir falar dele.

Quando terminou a faculdade, a Graça começou a trabalhar como contabilista numa empresa aqui no Porto. O patrão, o Dr. Rui António, era um homem interessante, moreno, dez anos mais velho do que ela.

A Graça admirava a sua inteligência, o carisma e o saber. Rapidamente apaixonou-se, mesmo sabendo que ele era casado e tinha um filho pequeno.

O Dr. Rui fazia promessas, jurava que deixaria a mulher porque a amava só a ela.

Os anos foram passando e a Graça passou a habituar-se a passar fins-de-semana e feriados sozinha, sempre à espera que as promessas se concretizassem.

Um dia apanhou o Rui com a mulher no supermercado, a ajudarem-se e de mãos dadas. A mulher dele estava grávida e ele transportava cuidadosamente os sacos para o carro.

Aquela cena idílica fez a Graça sair de lá a chorar.

No dia seguinte, pediu a demissão.

Com o Ano Novo a aproximar-se, não tinha vontade de comprar bacalhau, enfeitar a casa ou preparar seja o que fosse. Não me lembro de a ver tão desanimada.

Mas numa dessas noites frias chegou a casa e reparou que as paredes estavam geladas. O aquecimento não funcionava. Tentou ligar aos técnicos, mas com as festas, todos pediam fortunas, ainda mais quando percebiam que ela vivia numa vivenda nos arredores do Porto.

Desesperada, ligou à amiga de infância, a Leonor, cujo marido trabalha nessas coisas.

A Leonor prometeu logo falar com ele.

Duas horas depois, a campainha tocou.

Quando abriu a porta, ficou um instante sem reconhecer o rosto à sua frente, mas depois percebeu era o Vítor, o antigo colega do liceu.

Olá, Graça! Então, o que se passa por aqui?

A sério Como soubeste?

O patrão ligou-me, pediu-me para vir aqui porque pelos vistos estás congelada de frio! Já tiraste a água do sistema? Se não, com este frio ainda ficas sem aquecimento de vez.

Tirar a água? Nem sei como isso se faz.

Ai Graça Assim congelas-te mesmo! Ainda bem que não está a gear tanto.

O Vítor tratou de escoar a água toda, mexeu no sistema e foi buscar umas peças que faltavam.

Voltou passado uma hora e lá conseguiu aquecer a casa.

Quando terminou, lavou as mãos e perguntou:

Olha Graça, tens aqui a torneira a pingar e a lâmpada da cozinha a piscar O teu marido não trata disso?

Não tenho marido nenhum

Eh lá! Então ainda andas à procura do príncipe encantado?

Príncipe? Não existe, Vítor Não tenho ninguém, desabafou, apanhada de surpresa pela sinceridade.

Então porque é que me disseste que não, naquela noite no liceu? sorriu o Vítor.

Ela ficou calada.

O Vítor arranjou a torneira, mudou a lâmpada e despediu-se.

A Graça ficou sentada, a pensar nos tempos de criança, no rapaz gorduchinho e tímido que tinha gostado dela tanto tempo.

Estava agora um homem alto, elegante, de olhos castanhos profundos mas aquele sorriso era igualzinho ao do passado.

Nem sequer conseguiria perguntar-lhe se ele era casado.

Na véspera de Ano Novo, dia 31 de dezembro, alguém tocou novamente à porta.

A Graça foi abrir, meio intrigada porque ninguém lhe tinha prometido visita.

Era o Vítor. Desta vez trajava fato e levava nas mãos um ramo de flores frescas.

Graça! Vou perguntar outra vez: casas comigo, ou vais esperar pelo tal príncipe até à reforma?

Os olhos encheram-se de lágrimas mas foram de alegria, e ela acenou afirmativamente com a cabeça.

Na segunda vez, finalmente disse sim.

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À Porta Estava um Desconhecido – Uma História de Amor Não Correspondido, Reviravoltas do Destino e um Pedido de Casamento Inesquecível no Reveillon Português
Môj brat mi povedal, že naša mama údajne zdvihla ruku na jeho manželku, no okamžite som cítil, že niečo tu nie je v poriadku – skutočný príbeh o rodinnej dráme, nepravdivých obvineniach a odhalení pravdy v jednom slovenskom domove.