Como demos um tempo, eu e a minha mulher
Pois é, chegámos à conclusão de que era o melhor para os dois. Sem dramas, feitos uns senhores com direito a algumas piadas pelo meio, porque, lá está: somos pessoas civilizadas.
A minha mulher fez a mala, enfiou também a nossa cadelinha lá pelo meio e zás arrancou.
Foi três dias para casa da irmã mais nova.
Que as miúdas decidiram, assim do nada, passar umas mini-férias juntas. Estar de papo para o ar sem horários, uma a tagarelar com a outra, filmes e séries até à mãe se fartar, chocolate na cama sem peso na consciência, e claro, mil fotos com caretas para despejar no Instagram. E a cadelinha mimada até mais não.
E eu? Olhem, nada de especial. Não fugi para o tasco, nem liguei aos amigos malucos do costume para armar uma noitada. Para quê? Essas coisas já deram o que tinham a dar.
Liguei o rádio aos berros logo de manhã, vá, confesso. E, como estava com o nervo doméstico, limpei o fogão e dei uma bela volta ao frigorífico. Loucuras, portanto.
Ontem à noite, a minha mulher e a nossa canita regressaram. Muitos beijos, muitos abraços isso já era esperado. Até sugeri irmos juntos passear a cadelinha, vejam lá. Normalmente é ela que leva a bicha à rua, e despacha a coisa num instante.
Vestimos a cadelinha como se fosse Inverno na Serra da Estrela e lá fomos à volta ao quarteirão. Falámos, falámos, e nem demos conta que ela perdeu uma botinha. Só notámos já em casa.
Ao serão, costumamos ver um filme ou ler. Mas ontem, nada disso. Fomos para a cama mais cedo.
Olhem, digo-vos: sou completamente a favor destas separações à portuguesa, de vez em quando. Rejuvenesce o casamento! Aliás, acho mesmo que deviam ser obrigatórias, ao menos uma ou duas vezes por ano. Sem birras do estilo vou para casa da minha mãe!. Não: separações saudáveis. Daquelas em que se combinam à partida. Um vai passar uns dias com a irmã, outro aproveita para ir com os amigos ao Alentejo, ou então um salto à Figueira da Foz, sei lá, tanto sítio bom.
Tirar férias um do outro é coisa séria e recomendável. Mesmo nos melhores casamentos. Precisa-se sempre de uma pitada de novidade. Que a felicidade em série é top, mas sem enredo, aquilo descamba, senhores!
E olha, para o homem, de vez em quando, faz mesmo falta ficar sozinho. Atenção, não é isolamento tipo eremita ou de copo na mão desde manhã é só aquela solidão saudável. Suspeito que para as mulheres, se calhar, também dá jeito, mas sobre isso não sou grande autoridade. As senhoras, até por natureza, são mais de conversar, de estarem acompanhadas, sabem? Mas eu cá não me meto.
Para o homem, estar consigo próprio é como terapia. Acham que os maridos vão à pesca pela truta? Eles querem lá saber do peixe! Vão para poder estar sem ninguém, a olhar para o rio e a ouvir os passarinhos, quase como se meditassem.
Mas o melhor mesmo é o regresso. É uma alegria, é ternura, é aquele entusiasmo de quem se reencontra. É para isso que se faz tudo isto. Olá, meu amor!
E depois… deitar-se cedo. O mais depressa possível, claro!







