A Babka foi preparada com dedicação por toda a família portuguesa

A avó foi arrumada por toda a família, como se fosse um fardo pesado a ser levado. Sem rodeios, diziam-lhe, olhos nos olhos, o quanto estavam cansados dela. E, com um suspiro de alívio, revelavam que enfim chegara a primavera, ocasião perfeita para enviá-la para a aldeia até ao fim do outono. Os netos mantinham-se frios, a nora nunca lhe dedicara afeto, e o filho passava longos períodos em viagens de trabalho. Quando regressava, também não a tratava com mais carinho que os outros.
Ela percebia tudo e suportava o desprezo com uma força silenciosa, aguardando a primavera como se fosse o único consolo verdadeiro da sua vida. Era um rito anual a lenta espera deste renascimento, um fio de esperança.
Naquele ano, a primavera chegou cedo a Lisboa. A avó, Magda, costumava sentar-se junto à entrada do prédio, absorvendo o calor do sol e contemplando o azul vibrante do céu português. Os seus olhos brilhavam, mesmo com semblante cansado. Magda, esquálida, vestia um casaco antiquado, desbotado, e calçava umas botas velhas cobertas por galochas de borracha. Parecia um pardal desalinhado, marcado pela vida.
Apesar de o seu sangue não lhe demonstrar carinho, os vizinhos tinham por ela estima. Cumprimentavam-na, perguntavam-lhe pela saúde e ajudavam-na a subir os cinco andares até casa. Às vezes, os rapazes do prédio ajudavam-na a carregar o saco das compras da mercearia, quando a encontravam no caminho da escola.
Apesar da idade, Magda continuava a cuidar da casa, cozinhava, lavava e mantinha tudo limpo. Era ela quem fazia tudo. A nora raramente tocava nessas tarefas.
Já que estás o dia todo em casa, faz o que tens a fazer! gritava a nora, entrando ao fim do dia e largando os sapatos na entrada.
Os netos ignoravam-na. Quando vinham amigos, Magda mantinha-se reclusa no quarto, pois tinha ouvido um dia o neto dizer que, com ela ali, sentia vergonha diante dos colegas.
Magda nunca contrariava ninguém. Falava pouco, era discreta. Só à noite, quando todos dormiam, deixava escapar lágrimas silenciosas. Chorava no seu pequeno quarto, lamentando o destino.
No dia da partida, despacharam-na num táxi para a estação de Santa Apolónia, evitando transportes públicos. Levava apenas uma mala envelhecida e um embrulho com roupas.
Apoiando-se na bengala, Magda arrastava-se devagar pelo cais. Sentou-se num banco, esperou. Quando o comboio chegou, embarcou. Olhou pela janela, os olhos cheios de doçura. Quando o comboio se pôs em marcha, buscou na mala uma fotografia amarrotada: o filho, a nora e os netos a sorrirem. Ultimamente, só ali via os sorrisos da família. Beijou a foto e guardou-a junto ao peito.
Chegada à aldeia de Lousã, alguém da vizinhança ofereceu boleia até à sua casa. Magda abriu o portão e percorreu o caminho lamacento até à velha casa de pedra. Ali tudo era familiar, verdadeiro, seu. O velho muro, a porta torta, o telhado gasto, todos precisavam dela. E aqui, sentia-se esperada.
A aldeia era o mundo de Magda. Aqui nascera, aqui criara os filhos, aqui perdeu o marido, aqui viveu metade da vida. Também aqui, perdera um dos filhos, que o destino não permitiu ver este novo dia.
Magda abriu as janelas, acendeu o fogão a lenha. Sentou-se à mesa, recordando os tempos em que os filhos brincavam e riam, corriam pelo chão de madeira, partilhando refeições e sonhos em torno daquele lar. Ouvia ainda os ecos das vozes infantis. Nessa altura, era mãe, era tudo para eles.
O sol entrava por entre as cortinas, iluminando as memórias das tantas primaveras vividas ali. Magda sorriu: era bem-vinda na sua aldeia, nos dias e nas paredes deste lar.
***
Na manhã seguinte, Magda não acordou. Ficou para sempre na sua terra natal. Sobre a mesa repousavam muitas fotografias antigas, e uma mais recente, amarrotada: aquela que na véspera ainda lhe mostrara os rostos da família.
Enquanto vivemos, há tanto que podemos fazer. Pedir perdão, agradecer, confessar sentimentos. Não devemos adiar gestos assim para amanhã. Quando alguém parte, nunca volta, e o peso das saudades pode esmagar os corações.
Vale a pena viver com fé, sinceridade e fazer o bem de coração. Amar, esperar, valorizar os sentimentos, recordar quem nos deu vida e nos ensinou a caminhar.

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A Babka foi preparada com dedicação por toda a família portuguesa
Často služobne cestoval a ja som na to bola zvyknutá. Písal mi neskoro, domov sa vracal unavený, tvrdil, že mal dlhé porady. Nikdy som mu nekontrolovala telefón ani ho zbytočne nevypočúvala. Dôverovala som mu. Raz som skladala bielizeň v spálni, keď si sadol na posteľ ešte v topánkach a povedal mi: — Chcem, aby si ma vypočula a neprerušovala. V tej chvíli som cítila, že niečo nie je v poriadku. Povedal mi, že má inú ženu. Spýtala som sa, kto to je. Po krátkom zaváhaní prezradil jej meno. Pracovala blízko jeho kancelárie a bola mladšia. Spýtala som sa, či je do nej zamilovaný. Odpovedal, že nevie, ale vraj sa pri nej cíti inak, menej unavený. Spýtala som sa, či má v pláne odísť. Odpovedal: — Áno. Už nechcem žiť v pretvárke. V tú noc spal na gauči. Ráno odišiel a ďalšie dva dni sa neukázal. Keď sa vrátil, už hovoril s právnikom. Oznámil mi, že chce rozvod čo najskôr „bez drámy“. Začal vysvetľovať, čo si vezme a čo nie. Mlčky som ho počúvala. O týždeň som už nebývala doma. Nasledujúce mesiace boli náročné. Musela som sama zvládať všetko, čo sme predtým riešili spolu: papiere, účty, rozhodnutia. Začala som viac chodiť von — nie z túžby, ale z nutnosti. Prijímala som pozvania len preto, aby som nemusela sedieť doma. Počas jedného takého stretnutia som stretla muža v rade na kávu. Prehodili sme si pár slov o počasí, zápchach, meškaní. Začali sme si vymieňať úsmevy. Jedného dňa, keď sme už sedeli pri malom stolíku, prezradil mi svoj vek — bol o pätnásť rokov mladší. Nepovedal to ako vtip, ani s prekvapením. Opýtal sa, koľko mám rokov ja, a pokračoval, akoby na tom nezáležalo. Pozval ma opäť von. Súhlasila som. S ním bolo všetko iné. Žiadne veľké sľuby či sladké reči. Zaujímal sa o mňa, počúval ma, bol pri mne aj vtedy, keď som hovorila o rozvode, bez toho, aby menil tému. Raz mi narovinu povedal, že ma má rád a vie, že prechádzam ťažkým obdobím. Ja som mu povedala, že nechcem opakovať chyby a už nechcem byť od niekoho závislá. Povedal mi, že nehľadá niekoho, koho by ovládal, ani mu „zachraňoval život“. Bývalý sa to dozvedel od iných. Ozval sa mi po mesiacoch ticha a spýtal sa, či je pravda, že chodím s mladším mužom. Povedala som mu „áno“. Spýtal sa, či sa nehanbím. Odpovedala som mu, že hanba je jeho zrada. Zložil bez pozdravu. Rozviedla som sa, lebo ma opustil kvôli inej. Ale potom, bez toho, aby som to hľadala, sa v mojom živote objavil muž, ktorý ma miluje a váži si ma. Je toto dar života?