O Amor Inesgotável de Paulo: Entre Paixões, Romances e Desilusões, das Aventuras em Lisboa ao Recome…

AMOR INESGOTÁVEL

Casei-me com a Matilde em nome de um acordo de coração e de um amor que quase parecia de outro mundo. Porém, com o passar do tempo, senti esse amor, antes uma fonte, escorrer devagarinho, depois mais rápido, até que se tornou um rio de saudades a atravessar a nossa vida a dois. Nem o nascimento da nossa filha, Carminda, travou este rio; pelo contrário, fez com que ele crescesse ainda mais. O meu amor foi-se repartindo em paixões fugazes, pequenos encantamentos e uma constante vontade de me apaixonar de novo

Nunca consegui, nem sequer quis, pertencer só à Matilde. As mulheres rendiam-se ao meu jeito descontraído, ao atrevimento simpático e ao não sei quê, talvez uma graça herdada de outros tempos…

Sempre ofereci esse meu amor inesgotável a todas: às mais magras e mais redondinhas, louras ou morenas, alegres e sonhadoras, comprometidas ou à procura da sorte. E, verdade seja dita, quase sempre era correspondido.

A minha mulher, Matilde, parecia não notar. Ou, pelo menos, nunca me cobrou nada, nem cedeu a escândalos ou mágoas visíveis. E não pensem que a negligenciava nunca lhe faltou o meu carinho.

Mas, um dia, aconteceu algo inesperado: foi a Irene que travou esse meu rio desgovernado de afetos. Fiquei verdadeiramente enfeitiçado, não só pela sua beleza, mas sobretudo pelo seu espírito vivo e sagacidade. Com ela, e só com ela (à parte da Matilde), passei a maior parte do meu tempo livre. Porém, a Irene tinha marido e, frequentemente, as discussões terminavam em separações temporárias. Para ela, eu era um sopro de liberdade e um universo em aberto. Foram três anos assim.

Entretanto, a Carminda concluiu o ensino secundário e partiu para Lisboa através de um programa de intercâmbio. Nunca mais voltou para o Porto. Acabou por casar-se com um luso-americano em Nova Iorque. Teve três filhos. Vida cheia. Pediu-nos ajuda. O marido da Carminda tinha apenas o pai, o Joaquim; a mãe já tinha partido.

Lá fomos nós, Matilde e eu, até à América. Dois anos a tratar dos netos. Mas, pouco depois, comecei a sentir saudades da nossa terra natal. Matilde ficou perplexa. Porquê?, perguntou ela. Não dei respostas, fiz a mala e avisei apenas na última hora. Ao chegar ao Porto, fui direito à casa da Irene.

Pronto, cá estou! Não vivo sem ti, minha querida! Diz que sim, eu fico! Feiticeira, amaldiçoaste-me, Irene!

Ó Paulinho, não te lembras? Sou uma mulher casada… Gosto de te ver, mas não passa disso.

Este não caiu-me como uma pedra no peito. Derrotado, voei de novo até aos Estados Unidos, ao encontro da minha família. E fui surpreendido pela Matilde.

Paulinho, eu e o Joaquim decidimos juntar as nossas vidas. Penso que não tens nada a apontar-me. Vais e serás livre. Nós cá nos arranjaremos sem ti. Os netos aprendem aquilo que eu dou, que é do muito… disse ela, com ar triunfante.

Sabias tudo sobre mim? perguntei, desconfiado.

Sempre há almas caridosas prontas a contar tudo riu ela, com os olhos a brilhar de vitória.

E lá regressei eu ao Porto. Corri à Irene, ainda com esperança.

Irene, mudaste de ideias? Não podíamos tentar a nossa sorte juntos?

Tu? Tu ainda querias ir e vir, e eu ficava à espera? Tu foste o primeiro a sair Sabes quem me tirou o sofrimento? O meu próprio marido. Ficou tudo para trás, Paulo.

Arrastei-me para casa, vencido por dentro e fora. Fiquei três dias fechado em casa, sem vontade de ver ninguém.

Até que, certa tarde, batiam-me à porta. Era uma jovem mulher.

Boa tarde, tio Paulo! Lembra-se de mim? Eu sou amiga da sua filha, a Carminda! Como está ela? disse ela, com aquele sorriso tímido.

Está tudo bem. Tu és a Mariana, certo? Lembro-me sim disse-lhe, sem grande entusiasmo.

Tio Paulo, pode emprestar-me sal? Só o vizinho podia ajudar Disse ela, já meio à vontade.

Depois de reparar nela, achei-a encantadora.

Entra aí, Mariana. Ora venha um chá, disse eu, acanhado.

Ai, tio Paulo! Sempre o admirei desde a juventude. Para mim, foi sempre um exemplo a seguir! Casei-me, é certo, mas o meu coração esperou por si. Esperei pacientemente disse ela, corando.

Eu, com 56 anos, ela com 33.

E ao que parece, este lar volta a conhecer a promessa de um novo começo Estamos agora à espera do nosso bebé.

Оцініть статтю
Додати коментар

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

fifteen + three =

O Amor Inesgotável de Paulo: Entre Paixões, Romances e Desilusões, das Aventuras em Lisboa ao Recome…
За що ви ми искате това, мамо?.. Откакто се върнах от Италия, само това чувам. — За що ви ми искате това, мамо? Първо не обръщах внимание. Мислех си, че дъщеря ми просто се тревожи. Може би смята, че съм уморена след дългото пътуване, или иска да ме предпази от излишни грижи. Но после разбрах: зад тези думи не стои грижа. Имаше нещо друго — някакво странно, мълчаливо убеждение, че моят собствен живот вече е приключил и сега трябва просто тихо да съществувам на заден план на тяхното семейно щастие. Работих двадесет години в Италия. Вкъщи идвах рядко. Така се стече животът ми. Овдовях рано, да отгледам дете с малка заплата на село беше невъзможно, затова реших да направя тази крачка. А там, в Италия, след няколко години срещнах добър човек, Марчело. Живяхме заедно дълги години в разбирателство и уважение. Не виждам нищо срамно в това, макар някои клюкарки на село да шушукаха зад гърба ми. Всеки има своя съдба. Когато Марчело си отиде, къщата премина към неговите роднини, а аз усетих, че моята мисия там е приключила. Време беше да се върна у дома. През тези години изкарах пари за голяма, красива къща тук, в България. Помогнах на дъщеря си Елена, на зетя Петър, на внуците. Купих коли на децата, а на по-голямата внучка Милена — отделен апартамент в града, защото скоро се жени. Никога не съм броила колко хиляди евро изпратих през тези двадесет години. Ако имаха нужда от нещо — за обучение, за ремонт, за нови мебели или за почивка — дори не питах: „За какво ви е това?“ Искаха — купуваха. Мечтаеха — аз помагах.