Martim chega agora a casa. Fica surpreendido, pois não vê Rita, a sua esposa, em lado nenhum. A ausência da mulher e do filho de um ano deixa-o inquieto. Decide ir à vizinha, Dona Rosa, para perguntar se sabe onde está a esposa, mas para seu espanto, precisamente naquele momento, Dona Rosa sai de casa, tendo ao colo o filho de Martim.
Afinal, Rita deixou o pequeno Tomás aos cuidados de Dona Rosa e saiu por causa de uma urgência.
Apesar de Martim ter experiência a cuidar do bebé, não consegue deixar de se perguntar o que poderia ter levado Rita a sair de forma tão abrupta. Sente, no entanto, algum alívio e gratidão ao encontrar uma refeição deixada por ela no micro-ondas.
O tempo passa meia hora, uma, duas, cinco horas e a ansiedade de Martim aumenta. Tenta várias vezes ligar para Rita, mas ela não atende nenhuma chamada. As horas arrastam-se e a preocupação pesa mais a cada minuto. Consegue, por fim, deitar Tomás e continua na expectativa que Rita chegue a casa.
Finalmente, o telefone toca. Martim atende, ansioso, enchendo Rita de perguntas sobre onde está e o que fez durante o dia. Porém, para sua maior desilusão, Rita evita responder-lhe diretamente. Em vez disso, diz-lhe que não tenciona voltar a casa e que decidiu deixar Tomás permanentemente aos cuidados de Martim.
Chocado e angustiado, Martim não quer acreditar no que ouve. Permanece a escutar, agarrado ao telemóvel, esperando que tudo não passe de uma péssima brincadeira. Agora, vê-se perante a enorme responsabilidade de criar Tomás sozinho, passando a desempenhar o papel de mãe e de pai ao mesmo tempo para criar o seu filho em Lisboa.






