Sabes, tenho um amigo chamado Manuel, tem agora 54 anos. Já foi casado duas vezes, tem filhos crescidos. Depois do último divórcio ficou a viver em Lisboa, trabalha, cuida-se, e não tem medo de voltar a arriscar em novas relações. Há pouco tempo contou-me sobre três encontros que acabou por ter, e diz que aprendeu mais nestas experiências do que em muitos anos.
Primeiro encontro 45 anos: Mas não tens carro?
A senhora era muito bem arranjada, notava-se logo a autoconfiança, a conversa até rolava com naturalidade. Só que, mal ela percebeu que o Manuel não tinha carro próprio, mudou logo de postura.
Mas como é que tu sais de casa sem carro?
E se chover, como fazes?
E as idas ao Colombo ou ao El Corte Inglés?
Aquilo já estava a seguir um padrão, sempre à volta do mesmo tema o carro e ficou-lhe claro: ela estava mais preocupada com o que o rodeava do que propriamente com a pessoa. O Manuel até levou com humor:
Se para ela o que interessa são as máquinas, e não a alma, não é definitivamente a mulher certa para mim.
Resumindo: nem sempre a aparência de confiança é sinal de maturidade interior.
Segundo encontro 37 anos: Gosto de homens mais velhos
Esta era mais nova, cheia de energia, já com dois filhos e o crédito da casa às costas. Desde cedo foi muito direta: queria um homem fiável. O Manuel percebeu rapidamente que ela procurava estabilidade mais do que amor ou paixão. Mas, ao mesmo tempo, estavam ali a conversar como velhos amigos, sem tensão.
Foi divertido estar com ela, mas não me iludi. Há vezes em que sabe bem sentir interesse e companhia, sem andar já a fazer planos para a vida toda.
No fundo: a juventude tem imensa energia, mas falta-lhe muitas vezes profundidade.
Terceiro encontro 58 anos: Agora ficas-me a dever
No início parecia tudo perfeito: senhora ativa, bem cuidada, conversa estimulante, riam juntos, havia respeito mútuo. No dia seguinte, ela liga-lhe:
Vamos à casa da aldeia limpar as folhas do telhado! Estamos quase a sair, prepara-te!
O Manuel ficou um pouco de boca aberta.
Ajudar, ajudo na boa. Agora, quando falam comigo a dar ordens, todo o encanto desaparece.
Moral da história: gostar de ser independente é ótimo, mas quando o tom é de chefe, até a simpatia morre.
E o que levou o Manuel de tudo isto?
Estas três mulheres eram, cada uma à sua maneira, interessantes e com histórias fortes. Mas o Manuel percebeu o mais importante:
Já não procuro tempestades ou grandes paixões. Quero alguém ao meu lado que traga calma e sinceridade, onde ninguém manda nem manipula sentimentos.
O amor depois dos cinquenta não se vai embora. Simplesmente amadurece. E talvez aí esteja o segredo: viver o amor sem ilusões, mas com o verdadeiro aconchego. E quem sabe, só nesse tempo se encontra o que é mesmo para ficar.







